A primeira derrota de Pazolini
Apoiada pela atual direção da ASPRA e fortalecida politicamente pelo candidato ao Governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini, a Chapa 22 entrou na eleição como representante da continuidade. A Chapa 7 venceu com 1.604 votos e impôs uma derrota ao grupo que comanda a entidade há oito anos.

Apoiada pela atual direção da ASPRA e fortalecida politicamente pelo candidato ao Governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini, a Chapa 22 entrou na eleição da maior associação de policiais e bombeiros militares do Estado como representante da continuidade. Mas a resposta das urnas foi outra. A Chapa 7 venceu com 1.604 votos e impôs uma derrota ao grupo que comanda a entidade há oito anos.
Na manhã de domingo, 30 de agosto, faltando apenas um dia para a eleição da ASPRA-ES, uma reunião realizada dentro da sede da própria associação reuniu integrantes da atual direção e o candidato ao Governo do Espírito Santo Lorenzo Pazolini.
O encontro foi registrado em vídeo.
Diante das câmeras, o Sargento Góes anunciou a presença do candidato:
“Família Policial Militar, Bombeiro Militar, associado à ASPRA. Nesta manhã estamos aqui recebendo o candidato ao Governo do Estado, Lorenzo Pazolini, delegado de Polícia Civil, junto com toda a equipe ASPRA, profissionais habilitados e conhecedores da realidade social do Estado, a fim de discutir as pautas prioritárias para nossa categoria.”
Na sequência, o atual presidente da ASPRA, Sargento Eugênio, que é pré-candidato a deputado estadual pelo mesmo partido de Pazolini, foi ainda mais explícito ao tratar da relação política construída naquele encontro:
“É bom frisar também que nós temos a participação aqui do Tenente Emerson, presidente da ABMES, e mostra o compromisso do nosso candidato ao Governo do Estado, Lorenzo Pazolini, com a segurança pública, com os nossos policiais e bombeiros militares do Estado do Espírito Santo.”
A expressão utilizada pelo presidente da associação chamou atenção: “nosso candidato ao Governo do Estado”.
Era a véspera da eleição da ASPRA.
Pazolini também falou diretamente aos policiais e bombeiros militares e agradeceu à diretoria da associação:
“Uma manhã de domingo muito importante. Quero aqui agradecer toda a diretoria da ASPRA e assumir o compromisso com você, policial militar, com a família militar do Estado do Espírito Santo, de reconhecimento, de valorização.”
E encerrou demonstrando confiança:
“Eu tenho certeza que a vitória é nossa e nós vamos estar comemorando e celebrando grandes avanços nos próximos quatro anos.”
A eleição aconteceria no dia seguinte
A reunião ganhou um significado ainda maior porque aconteceu dentro da sede da ASPRA, na véspera da eleição da entidade com o maior número de associados policiais militares e bombeiros militares do Espírito Santo.
O Sargento Eugênio, atual presidente da associação, estava empenhado na vitória da Chapa 22, encabeçada pelo Sargento Ted Candeias Silva, atual vice-presidente da entidade.
O grupo ligado a Eugênio estava havia oito anos à frente da associação.
Do outro lado estava a Chapa 7, “Aos Nossos, Pelos Nossos”, encabeçada pelo Sargento Leonardo Pinheiro, o Sargento Léo.
A oposição construiu sua campanha em cima de uma crítica central: a necessidade de fazer a ASPRA voltar sua força para as reivindicações dos policiais e bombeiros militares e afastar a entidade da política partidária.
Era uma chapa com estrutura mais simples, formada por policiais que apostaram no contato direto com a tropa e na insatisfação existente entre parte dos associados.
O discurso era direto: recuperar uma ASPRA vigorosa na defesa dos pleitos da categoria.
Pazolini entrou em campo
A Chapa 22 chegou à reta final com o apoio político de Pazolini.
O encontro de domingo deixou essa proximidade registrada publicamente. Não se tratava de uma visita realizada meses antes da disputa. O vídeo foi gravado justamente na véspera da votação.
A presença do candidato ao Governo dentro da associação, acompanhado pela direção da ASPRA, produziu uma demonstração pública de força política no momento decisivo da eleição.
A expectativa do grupo da situação era manter o comando da entidade.
Só que, quando as urnas foram abertas, veio a surpresa.
A tropa compareceu. E votou pela mudança
Na segunda-feira, 31 de agosto, policiais e bombeiros militares foram às urnas.
E a mobilização foi grande.
Só que a maioria não escolheu a chapa apoiada pelo grupo que havia recebido Pazolini na véspera.
A Chapa 7, liderada pelo Sargento Leonardo, conquistou 1.604 votos, equivalentes a 52,56% dos votos apurados.
A Chapa 22, de Sargento Candeias, recebeu 1.434 votos, ou 46,99%.
Foram 170 votos de diferença.
Uma margem de aproximadamente 5,6 pontos percentuais.
O resultado colocou fim ao projeto de continuidade do grupo que comandava a ASPRA havia oito anos.
E produziu também um resultado político impossível de ignorar.
A primeira derrota de Pazolini
Lorenzo Pazolini entrou na disputa para fazer a diferença. E a diferença veio. Mas para o outro lado.
Foi à ASPRA.
Gravou vídeo dentro da entidade.
Recebeu agradecimentos da atual diretoria.
Foi apresentado pelo presidente da associação como “nosso candidato ao Governo do Estado”.
Falou diretamente à família policial e bombeiro militar.
E encerrou sua participação dizendo:
“Eu tenho certeza que a vitória é nossa.”
Menos de 48 horas depois, as urnas deram outra resposta.
A vitória foi da Chapa 7.
Sargento Leonardo, com um perfil simples e identificado com a tropa, conseguiu transformar a insatisfação existente em votos e devolver a muitos associados a esperança de uma entidade novamente concentrada na defesa dos interesses de policiais e bombeiros militares.
A Chapa 22 tinha a máquina da situação, oito anos de presença na administração da ASPRA e um apoio político de peso muito forte.
A Chapa 7 tinha a promessa de mudança.
A tropa escolheu a mudança.
Foram 1.604 votos para Leonardo contra 1.434 para Candeias.
E, antes mesmo de chegar às urnas para disputar o Governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini viu o grupo que apoiou ser derrotado justamente dentro de um segmento que pretende transformar em uma das vitrines de sua candidatura: a segurança pública.
Foi a primeira derrota de Pazolini.
Em resumo
A Chapa 7 venceu a eleição da ASPRA-ES com 1.604 votos, derrotando a Chapa 22, ligada ao grupo que comandava a associação havia oito anos e que recebeu apoio político público de Lorenzo Pazolini na véspera da votação.
Lorenzo Pazolini, a direção da ASPRA-ES, o Sargento Eugênio, o Sargento Ted Candeias Silva, candidato da Chapa 22, e o Sargento Leonardo Pinheiro, o Sargento Léo, que liderou a Chapa 7 vencedora.
A disputa ocorreu na ASPRA-ES, associação que representa policiais e bombeiros militares do Espírito Santo. A reunião política citada na matéria foi realizada na sede da própria entidade.
Pazolini participou da reunião na ASPRA no domingo, 30 de agosto de 2026. A eleição da entidade ocorreu no dia seguinte, 31 de agosto de 2026.
O resultado teve repercussão política porque a Chapa 22 recebeu apoio público de Pazolini na reta final, enquanto a Chapa 7 venceu defendendo mudança e maior foco da associação nas reivindicações da categoria.
A Chapa 7 recebeu 1.604 votos, equivalentes a 52,56%, contra 1.434 votos, ou 46,99%, da Chapa 22. A diferença foi de 170 votos, aproximadamente 5,6 pontos percentuais.