Política ES · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

A primeira derrota de Pazolini

Apoiada pela atual direção da ASPRA e fortalecida politicamente pelo candidato ao Governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini, a Chapa 22 entrou na eleição como representante da continuidade. A Chapa 7 venceu com 1.604 votos e impôs uma derrota ao grupo que comanda a entidade há oito anos.

A primeira derrota de Pazolini
A primeira derrota de Pazolini

Apoiada pela atual direção da ASPRA e fortalecida politicamente pelo candidato ao Governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini, a Chapa 22 entrou na eleição da maior associação de policiais e bombeiros militares do Estado como representante da continuidade. Mas a resposta das urnas foi outra. A Chapa 7 venceu com 1.604 votos e impôs uma derrota ao grupo que comanda a entidade há oito anos.

Na manhã de domingo, 30 de agosto, faltando apenas um dia para a eleição da ASPRA-ES, uma reunião realizada dentro da sede da própria associação reuniu integrantes da atual direção e o candidato ao Governo do Espírito Santo Lorenzo Pazolini.

O encontro foi registrado em vídeo.

Diante das câmeras, o Sargento Góes anunciou a presença do candidato:

“Família Policial Militar, Bombeiro Militar, associado à ASPRA. Nesta manhã estamos aqui recebendo o candidato ao Governo do Estado, Lorenzo Pazolini, delegado de Polícia Civil, junto com toda a equipe ASPRA, profissionais habilitados e conhecedores da realidade social do Estado, a fim de discutir as pautas prioritárias para nossa categoria.”

Na sequência, o atual presidente da ASPRA, Sargento Eugênio, que é pré-candidato a deputado estadual pelo mesmo partido de Pazolini, foi ainda mais explícito ao tratar da relação política construída naquele encontro:

“É bom frisar também que nós temos a participação aqui do Tenente Emerson, presidente da ABMES, e mostra o compromisso do nosso candidato ao Governo do Estado, Lorenzo Pazolini, com a segurança pública, com os nossos policiais e bombeiros militares do Estado do Espírito Santo.”

A expressão utilizada pelo presidente da associação chamou atenção: “nosso candidato ao Governo do Estado”.

Era a véspera da eleição da ASPRA.

Pazolini também falou diretamente aos policiais e bombeiros militares e agradeceu à diretoria da associação:

“Uma manhã de domingo muito importante. Quero aqui agradecer toda a diretoria da ASPRA e assumir o compromisso com você, policial militar, com a família militar do Estado do Espírito Santo, de reconhecimento, de valorização.”

E encerrou demonstrando confiança:

“Eu tenho certeza que a vitória é nossa e nós vamos estar comemorando e celebrando grandes avanços nos próximos quatro anos.”

A eleição aconteceria no dia seguinte

A reunião ganhou um significado ainda maior porque aconteceu dentro da sede da ASPRA, na véspera da eleição da entidade com o maior número de associados policiais militares e bombeiros militares do Espírito Santo.

O Sargento Eugênio, atual presidente da associação, estava empenhado na vitória da Chapa 22, encabeçada pelo Sargento Ted Candeias Silva, atual vice-presidente da entidade.

O grupo ligado a Eugênio estava havia oito anos à frente da associação.

Do outro lado estava a Chapa 7, “Aos Nossos, Pelos Nossos”, encabeçada pelo Sargento Leonardo Pinheiro, o Sargento Léo.

A oposição construiu sua campanha em cima de uma crítica central: a necessidade de fazer a ASPRA voltar sua força para as reivindicações dos policiais e bombeiros militares e afastar a entidade da política partidária.

Era uma chapa com estrutura mais simples, formada por policiais que apostaram no contato direto com a tropa e na insatisfação existente entre parte dos associados.

O discurso era direto: recuperar uma ASPRA vigorosa na defesa dos pleitos da categoria.

Pazolini entrou em campo

A Chapa 22 chegou à reta final com o apoio político de Pazolini.

O encontro de domingo deixou essa proximidade registrada publicamente. Não se tratava de uma visita realizada meses antes da disputa. O vídeo foi gravado justamente na véspera da votação.

A presença do candidato ao Governo dentro da associação, acompanhado pela direção da ASPRA, produziu uma demonstração pública de força política no momento decisivo da eleição.

A expectativa do grupo da situação era manter o comando da entidade.

Só que, quando as urnas foram abertas, veio a surpresa.

A tropa compareceu. E votou pela mudança

Na segunda-feira, 31 de agosto, policiais e bombeiros militares foram às urnas.

E a mobilização foi grande.

Só que a maioria não escolheu a chapa apoiada pelo grupo que havia recebido Pazolini na véspera.

A Chapa 7, liderada pelo Sargento Leonardo, conquistou 1.604 votos, equivalentes a 52,56% dos votos apurados.

A Chapa 22, de Sargento Candeias, recebeu 1.434 votos, ou 46,99%.

Foram 170 votos de diferença.

Uma margem de aproximadamente 5,6 pontos percentuais.

O resultado colocou fim ao projeto de continuidade do grupo que comandava a ASPRA havia oito anos.

E produziu também um resultado político impossível de ignorar.

A primeira derrota de Pazolini

Lorenzo Pazolini entrou na disputa para fazer a diferença. E a diferença veio. Mas para o outro lado.

Foi à ASPRA.

Gravou vídeo dentro da entidade.

Recebeu agradecimentos da atual diretoria.

Foi apresentado pelo presidente da associação como “nosso candidato ao Governo do Estado”.

Falou diretamente à família policial e bombeiro militar.

E encerrou sua participação dizendo:

“Eu tenho certeza que a vitória é nossa.”

Menos de 48 horas depois, as urnas deram outra resposta.

A vitória foi da Chapa 7.

Sargento Leonardo, com um perfil simples e identificado com a tropa, conseguiu transformar a insatisfação existente em votos e devolver a muitos associados a esperança de uma entidade novamente concentrada na defesa dos interesses de policiais e bombeiros militares.

A Chapa 22 tinha a máquina da situação, oito anos de presença na administração da ASPRA e um apoio político de peso muito forte.

A Chapa 7 tinha a promessa de mudança.

A tropa escolheu a mudança.

Foram 1.604 votos para Leonardo contra 1.434 para Candeias.

E, antes mesmo de chegar às urnas para disputar o Governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini viu o grupo que apoiou ser derrotado justamente dentro de um segmento que pretende transformar em uma das vitrines de sua candidatura: a segurança pública.

Foi a primeira derrota de Pazolini.

Em resumo

O que aconteceu?

A Chapa 7 venceu a eleição da ASPRA-ES com 1.604 votos, derrotando a Chapa 22, ligada ao grupo que comandava a associação havia oito anos e que recebeu apoio político público de Lorenzo Pazolini na véspera da votação.

Quem está envolvido?

Lorenzo Pazolini, a direção da ASPRA-ES, o Sargento Eugênio, o Sargento Ted Candeias Silva, candidato da Chapa 22, e o Sargento Leonardo Pinheiro, o Sargento Léo, que liderou a Chapa 7 vencedora.

Onde aconteceu?

A disputa ocorreu na ASPRA-ES, associação que representa policiais e bombeiros militares do Espírito Santo. A reunião política citada na matéria foi realizada na sede da própria entidade.

Quando aconteceu?

Pazolini participou da reunião na ASPRA no domingo, 30 de agosto de 2026. A eleição da entidade ocorreu no dia seguinte, 31 de agosto de 2026.

Por que isso importa?

O resultado teve repercussão política porque a Chapa 22 recebeu apoio público de Pazolini na reta final, enquanto a Chapa 7 venceu defendendo mudança e maior foco da associação nas reivindicações da categoria.

Qual foi o resultado?

A Chapa 7 recebeu 1.604 votos, equivalentes a 52,56%, contra 1.434 votos, ou 46,99%, da Chapa 22. A diferença foi de 170 votos, aproximadamente 5,6 pontos percentuais.