Abrasel prevê alta de custos com fim da escala 6×1
Entidade que representa bares e restaurantes estima pressão de 20% sobre despesas trabalhistas; emenda prevê redução gradual da jornada sem corte salarial.

O Congresso promulgou na sexta-feira (16) a emenda constitucional que encerra a escala de seis dias de trabalho por um de descanso e reduz gradualmente a jornada semanal. A mudança garante dois dias de folga por semana e preserva os salários, mas abriu uma disputa sobre custos e prazo de adaptação.
A CNN Brasil publicou neste domingo (18) a avaliação de Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Ele classificou a aprovação como eleitoreira e estimou alta de cerca de 20% nas despesas trabalhistas do setor, sobretudo pela necessidade de contratar mais funcionários.
A própria Abrasel apresentou os mesmos cálculos em nota oficial de 14 de outubro. A entidade diz que cerca de 15 milhões de brasileiros trabalham na escala 6×1 e projeta a necessidade de três milhões de contratações. Essas cifras expressam a estimativa da associação empresarial e ainda dependem de comprovação após a aplicação da nova regra.
Empresas calculam novos custos
Bares e restaurantes estão entre as atividades que mantêm operação à noite, aos fins de semana e em feriados. Por isso, o setor argumenta que não consegue simplesmente fechar um dia adicional ou distribuir as mesmas horas entre menos trabalhadores sem alterar turnos, preços e quadro de pessoal.
Abrasel também prevê repasse de custos ao consumidor e risco de fechamento de estabelecimentos. A advertência precisa ser examinada junto com a situação dos trabalhadores: a jornada menor foi aprovada justamente para ampliar descanso, convivência familiar e saúde sem redução de renda.
O texto promulgado não elimina o limite de horas de uma só vez. Reportagem da Folha de S.Paulo detalha que a carga máxima cai das atuais 44 para 42 horas semanais após 60 dias. Doze meses depois, o teto passa a 40 horas, sempre sem corte salarial.
Transição exige regras claras
O período de adaptação será decisivo para definir escalas, compensações, convenções coletivas e fiscalizações. Empresas que funcionam todos os dias precisarão reorganizar equipes; trabalhadores devem ter clareza sobre folgas, banco de horas e limites para jornadas extraordinárias.
Também será necessário separar projeções de efeitos comprovados. A estimativa de 20% da Abrasel não é uma alta já registrada, assim como a previsão de três milhões de vagas não garante que todas as contratações ocorrerão. Custos variam conforme tamanho do negócio, produtividade, rotatividade e acordos de cada categoria.
A aprovação em ano eleitoral não dispensa a avaliação de mérito. A mesma régua vale para governo, oposição, sindicatos e empresários: alegações sobre ganhos sociais, inflação ou desemprego precisam vir acompanhadas de metodologia e dados verificáveis. A emenda já está promulgada; o debate agora é como executar a transição sem apagar nem os direitos conquistados nem os riscos operacionais.
Em resumo
A emenda garante dois dias de descanso por semana e reduz a jornada máxima de forma gradual, sem corte salarial.
O teto passa de 44 para 42 horas após 60 dias e chega a 40 horas doze meses depois, segundo o cronograma divulgado.
A entidade projeta aumento próximo de 20% nas despesas trabalhistas de bares e restaurantes.
Não. Trata-se de projeção da associação empresarial, cujo efeito real dependerá da aplicação da regra e da organização de cada negócio.
Bares e restaurantes operam em horários extensos e alegam precisar reorganizar turnos, contratações e convenções coletivas.