Política Nacional · 2026-10-18 · Redação Notícia ES

Abrasel prevê alta de custos com fim da escala 6×1

Entidade que representa bares e restaurantes estima pressão de 20% sobre despesas trabalhistas; emenda prevê redução gradual da jornada sem corte salarial.

Abrasel prevê alta de custos com fim da escala 6×1
Abrasel prevê alta de custos com fim da escala 6×1

O Congresso promulgou na sexta-feira (16) a emenda constitucional que encerra a escala de seis dias de trabalho por um de descanso e reduz gradualmente a jornada semanal. A mudança garante dois dias de folga por semana e preserva os salários, mas abriu uma disputa sobre custos e prazo de adaptação.

A CNN Brasil publicou neste domingo (18) a avaliação de Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Ele classificou a aprovação como eleitoreira e estimou alta de cerca de 20% nas despesas trabalhistas do setor, sobretudo pela necessidade de contratar mais funcionários.

A própria Abrasel apresentou os mesmos cálculos em nota oficial de 14 de outubro. A entidade diz que cerca de 15 milhões de brasileiros trabalham na escala 6×1 e projeta a necessidade de três milhões de contratações. Essas cifras expressam a estimativa da associação empresarial e ainda dependem de comprovação após a aplicação da nova regra.

Empresas calculam novos custos

Bares e restaurantes estão entre as atividades que mantêm operação à noite, aos fins de semana e em feriados. Por isso, o setor argumenta que não consegue simplesmente fechar um dia adicional ou distribuir as mesmas horas entre menos trabalhadores sem alterar turnos, preços e quadro de pessoal.

Abrasel também prevê repasse de custos ao consumidor e risco de fechamento de estabelecimentos. A advertência precisa ser examinada junto com a situação dos trabalhadores: a jornada menor foi aprovada justamente para ampliar descanso, convivência familiar e saúde sem redução de renda.

O texto promulgado não elimina o limite de horas de uma só vez. Reportagem da Folha de S.Paulo detalha que a carga máxima cai das atuais 44 para 42 horas semanais após 60 dias. Doze meses depois, o teto passa a 40 horas, sempre sem corte salarial.

Transição exige regras claras

O período de adaptação será decisivo para definir escalas, compensações, convenções coletivas e fiscalizações. Empresas que funcionam todos os dias precisarão reorganizar equipes; trabalhadores devem ter clareza sobre folgas, banco de horas e limites para jornadas extraordinárias.

Também será necessário separar projeções de efeitos comprovados. A estimativa de 20% da Abrasel não é uma alta já registrada, assim como a previsão de três milhões de vagas não garante que todas as contratações ocorrerão. Custos variam conforme tamanho do negócio, produtividade, rotatividade e acordos de cada categoria.

A aprovação em ano eleitoral não dispensa a avaliação de mérito. A mesma régua vale para governo, oposição, sindicatos e empresários: alegações sobre ganhos sociais, inflação ou desemprego precisam vir acompanhadas de metodologia e dados verificáveis. A emenda já está promulgada; o debate agora é como executar a transição sem apagar nem os direitos conquistados nem os riscos operacionais.

Em resumo

O que muda com o fim da escala 6×1?

A emenda garante dois dias de descanso por semana e reduz a jornada máxima de forma gradual, sem corte salarial.

Quando a jornada começa a cair?

O teto passa de 44 para 42 horas após 60 dias e chega a 40 horas doze meses depois, segundo o cronograma divulgado.

Qual custo foi estimado pela Abrasel?

A entidade projeta aumento próximo de 20% nas despesas trabalhistas de bares e restaurantes.

A estimativa já está comprovada?

Não. Trata-se de projeção da associação empresarial, cujo efeito real dependerá da aplicação da regra e da organização de cada negócio.

Por que o setor pede mais prazo?

Bares e restaurantes operam em horários extensos e alegam precisar reorganizar turnos, contratações e convenções coletivas.

Fontes