Abstenção cai entre jovens, idosos e menos instruídos
Dados do TSE mostram redução da ausência em grupos com voto facultativo, apesar da alta nacional no primeiro turno. Segundo turno será realizado em 25 de outubro.

A abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 caiu entre eleitores de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e segmentos com menor escolaridade. O movimento contrariou a taxa nacional, que subiu de 20,79% em 2022 para 21,08% neste ano.
O recorte dos dados do Tribunal Superior Eleitoral foi publicado pela Folha de S.Paulo neste sábado (17). Informações oficiais do TSE confirmam que o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro e que jovens de 16 e 17 anos, analfabetos e maiores de 70 têm voto facultativo.
Entre os eleitores de 16 e 17 anos, a ausência recuou de 17,11% para 12,68%, uma diferença de 4,43 pontos percentuais. No grupo acima de 70 anos, a taxa passou de 58,86% para 49,19%, queda de 9,67 pontos.
Voto facultativo teve maior queda
A redução mais intensa ocorreu justamente em duas faixas que podem escolher se comparecem às urnas. Mesmo com a melhora, os maiores de 70 anos continuam apresentando a maior taxa de abstenção entre os grupos etários analisados.
Fatores como mobilidade, atualização do cadastro eleitoral e envelhecimento da população ajudam a explicar o resultado dos idosos. Esse segmento representa 10,87% do eleitorado e ganhou peso no conjunto de votos disponíveis em relação a eleições anteriores.
Também houve queda entre pessoas registradas como analfabetas. A taxa recuou de 52,08% para 47,86%, diferença de 4,22 pontos percentuais. Eleitores classificados como pessoas que leem e escrevem e aqueles com ensino fundamental incompleto tiveram reduções menores.
Nos grupos com escolaridade mais alta, o movimento foi inverso. A abstenção cresceu 2,11 pontos entre quem tem ensino superior incompleto e 1,99 ponto entre os eleitores com graduação concluída, embora ambos permaneçam abaixo da média nacional.
Segundo turno reacende mobilização
A faixa de 21 a 24 anos registrou o maior aumento entre os grupos etários. A ausência chegou a 25,78%, alta de 2,28 pontos percentuais em comparação com 2022. Para esse público, o voto é obrigatório.
As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro acompanham os recortes porque a participação pode influenciar um segundo turno apertado. A Folha relaciona os dados aos perfis de intenção de voto, mas abstenção por grupo não permite atribuir automaticamente votos ausentes a um candidato.
O TSE informa que mais de 314 mil pessoas solicitaram voto em trânsito para o segundo turno. A modalidade atende eleitores fora de seu domicílio eleitoral em cidades habilitadas e procura reduzir obstáculos de deslocamento, desde que o pedido tenha sido feito no prazo legal.
Quem não compareceu no primeiro turno continua autorizado a votar no segundo, pois cada etapa da eleição é tratada separadamente. A ausência anterior não cancela o título de imediato nem impede a participação em 25 de outubro.
Os números mostram que a alta geral da abstenção não foi uniforme. Idade, escolaridade e obrigatoriedade do voto produziram trajetórias diferentes, e o resultado do segundo turno dependerá de quantos eleitores de cada segmento efetivamente retornarem às urnas.
Em resumo
A taxa chegou a 21,08%, ante 20,79% nas eleições de 2022.
Entre maiores de 70 anos, a abstenção caiu de 58,86% para 49,19%.
A ausência caiu de 17,11% para 12,68% nesse grupo.
Eleitores de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e pessoas analfabetas.
Sim. A ausência em uma etapa não impede o voto na outra.