Abstenção vira disputa decisiva no segundo turno
Mais de 33 milhões de eleitores ficaram fora do primeiro turno; distribuição regional dos ausentes amplia a disputa das campanhas pelo comparecimento.

Os 33,4 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno entraram no centro da campanha presidencial nesta quarta-feira (7). A três semanas da votação de 25 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro tentam converter a redução da abstenção em votos para uma disputa separada por menos de dois pontos percentuais.
A análise publicada pelo Poder360 aponta que a maior concentração de ausentes está em regiões nas quais Flávio liderou. Os números nacionais e a distribuição do desempenho dos candidatos foram confirmados em levantamentos da Folha de S.Paulo feitos a partir dos dados da Justiça Eleitoral.
A localização dos eleitores que faltaram oferece pistas para as campanhas, mas não permite atribuir preferência automática a esse grupo. Quem não compareceu pode ter perfil diferente de quem votou na mesma região, e o segundo turno também altera alianças, mensagens e grau de mobilização.
Sudeste concentra eleitorado ausente
A abstenção nacional alcançou 21,08% no domingo (4), com aproximadamente 33,4 milhões de ausentes. A Folha classificou o índice como o maior registrado em um primeiro turno presidencial e observou que a taxa vem crescendo nas eleições para o Planalto desde 2006.
No Sudeste, 22,7% dos eleitores deixaram de votar. Foram 15.063.212 ausentes, contingente equivalente a 45% de toda a abstenção brasileira. Na mesma região, Flávio recebeu cerca de 24,9 milhões de votos e Lula, 19,2 milhões, uma vantagem regional de 5,7 milhões para o candidato do PL.
O Nordeste apresentou o movimento oposto. A abstenção ficou em 18,4%, a menor entre as cinco regiões, e somou pouco mais de 8 milhões de eleitores. Lula venceu ali por aproximadamente 21,5 milhões a 10,4 milhões, diferença que compensou parte da vantagem obtida por Flávio em outras áreas do país.
Entre os estados com as maiores taxas de ausência aparecem Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Todos deram mais votos a Flávio no primeiro turno. O dado ajuda a explicar por que uma mobilização uniforme dos ausentes pode produzir efeitos diferentes do esperado por cada comando eleitoral.
Campanhas disputam comparecimento decisivo
Lula terminou o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos e passou a tratar a abstenção como prioridade para buscar a virada. Flávio liderou com 47,03% e também tem incentivo para mobilizar eleitores nas regiões onde já mostrou força, além de preservar o apoio conquistado no domingo.
As campanhas trabalham com dois públicos distintos: os ausentes e os eleitores que escolheram candidatos eliminados. A Folha calculou que a chamada terceira via reuniu cerca de 9,3 milhões de votos, enquanto o grupo que não compareceu é mais de três vezes maior. A dimensão explica o esforço de comunicação, mas não transforma ausência em voto disponível.
Há ainda limites práticos. Parte do eleitorado enfrenta distância do domicílio eleitoral, título irregular ou dificuldades de deslocamento. Jovens, pessoas com menor escolaridade e eleitores com voto facultativo registraram taxas maiores em pleitos anteriores, porém o perfil detalhado dos ausentes de 2026 ainda não foi divulgado pela Justiça Eleitoral.
O segundo turno será decidido tanto pela transferência dos votos já depositados quanto pela capacidade de levar novos eleitores às urnas. O mapa do primeiro turno sugere vantagem potencial para Flávio se o comparecimento crescer mais no Sul, Sudeste e Centro-Oeste e mantiver o padrão anterior; para Lula, o desafio é ampliar a participação em seus redutos sem perder terreno nos grandes colégios eleitorais. Trata-se de uma projeção eleitoral, e não de um resultado antecipado.
Em resumo
Cerca de 33,4 milhões de eleitores, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto, não compareceram às urnas.
O Sudeste reuniu 15.063.212 ausentes, 45% de toda a abstenção nacional.
Flávio Bolsonaro recebeu aproximadamente 24,9 milhões de votos, contra 19,2 milhões de Lula.
A taxa ficou em 18,4%, com pouco mais de 8 milhões de eleitores ausentes.
A votação entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcada para 25 de outubro de 2026.