Ações de varejo desabam após as eleições - queda abriu oportunidades na Bolsa?
Analistas reconhecem que o cenário macroeconômico ficou mais difícil após o salto dos juros e do dólar, mas veem ações negociando em níveis historicamente deprimidos; Mercado Livre, Smart Fit, Assaí e Raia Drogasil aparecem entre as preferidas

A forte correção das ações de varejo após o segundo turno das eleições reacendeu uma velha dúvida entre investidores: o sell-off criou uma oportunidade de compra ou é apenas o início de um ciclo mais difícil para o setor?
Resposta dos analistas é dividida, mas alguns consensos
A resposta dos analistas é dividida, mas alguns consensos estão no radar uma vez que, embora a piora das perspectivas macroeconômicas tenha aumentado os riscos para empresas ligadas ao consumo doméstico, diversas ações passaram a negociar em níveis de valuation considerados extremamente descontados, abrindo espaço para oportunidades mais seletivas.
Nos últimos dias, a combinação de juros futuros em alta, dólar mais forte e receios fiscais provocou uma reprecificação brusca dos ativos domésticos.
Segundo o BTG Pactual, após avançarem cerca de 19% entre o primeiro e o segundo turno, as ações brasileiras de varejo devolveram os ganhos e acumulam queda de aproximadamente 33%, passando a negociar abaixo dos níveis observados antes do início da disputa eleitoral.
Com real pressionado, juros mais altos e
Com real pressionado, juros mais altos e deterioração das perspectivas domésticas, bancos e corretoras veem empresas dolarizadas como principais vencedoras do novo cenário; companhias ligadas ao ciclo local seguem sob cautela
O movimento foi suficiente para levar o múltiplo médio do setor para cerca de 6,5 vezes lucro projetado para 2027, ante uma mediana histórica próxima de 15 vezes. Ainda assim, o banco alerta que valuations baixos, por si só, não garantem recuperação das ações.
Tanto o BTG Pactual quanto o Bradesco BBI avaliam que o principal risco para o setor continua sendo a perspectiva de juros elevados por mais tempo.
No BTG, a avaliação é que um ambiente marcado por incerteza fiscal, câmbio depreciado e inflação persistente tende a pressionar simultaneamente o lucro das empresas e seus múltiplos de negociação.
O banco estima que cada aumento de 100 pontos-base na Selic poderia reduzir o lucro líquido esperado para 2027 em cerca de 10% no Assaí ( ASAI3 ), 8% no Magazine Luiza ( MGLU3 ) e 4% na Pague Menos ( PGMN3 ).
Bolsa acumula queda de quase 17% na semana e entra em sobrevenda, enquanto dólar futuro sobe mais de 8% e segue distante das principais médias
O Bradesco BBI segue a mesma linha, apontando que a deterioração das expectativas para os juros reais levou a uma forte revisão dos preços-alvo do setor, especialmente para companhias com maior duração e maior dependência do ciclo econômico doméstico.
Além dos juros, os analistas citam novas pressões potenciais sobre as empresas, incluindo mudanças trabalhistas e aumento da carga tributária com a implementação da reforma do consumo.
O ambiente é de cautela, mas analistas veem algumas companhias como capazes de crescer mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
No Bradesco BBI, as duas principais recomendações do setor são Mercado Livre (Nasdaq: MELI; BDR: MELI34 ) e Smart Fit ( SMFT3 ).
Segundo o banco, ambas possuem mais de metade de seu EBITDA gerado fora do Brasil, menor dependência do consumo doméstico e vetores próprios de crescimento capazes de reduzir a sensibilidade ao cenário macroeconômico local.
O banco também mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para Assaí ( ASAI3 ), C&A ( CEAB3 ), Grupo Mateus ( GMAT3 ), Grupo SBF ( SBFG3 ), Azzas 2154 ( AZZA3 ) e Riachuelo ( RIAA3 ).
Já o BTG Pactual prefere nomes mais defensivos e menos dependentes de uma recuperação cíclica da economia, como Smart Fit ( SMFT3 ), RD Saúde ( RADL3 ) e Panvel ( PNVL3 ).
A tese é que essas empresas contam com tendências estruturais de crescimento e apresentam menor exposição ao crédito e ao consumo discricionário.
O Goldman Sachs avalia que a forte correção recente abriu oportunidades em alguns nomes do varejo e consumo .
Em relatório publicado após o sell-off provocado pelas eleições, o banco destacou que as ações sob sua cobertura acumulavam queda média de cerca de 33%, desempenho bem pior que o do Ibovespa no período.
Em resumo
A forte correção das ações de varejo após o segundo turno das eleições reacendeu uma velha dúvida entre investidores: o sell-off criou uma oportunidade de compra ou é apenas o início de um ciclo mais difícil para o setor?
A resposta dos analistas é dividida, mas alguns consensos estão no radar uma vez que, embora a piora das perspectivas macroeconômicas tenha aumentado os riscos para empresas ligadas ao consumo doméstico, diversas ações passaram a negociar em níveis de valuation considerados extremamente descontados, abrindo espaço para oportunidades mais seletivas.
Nos últimos dias, a combinação de juros futuros em alta, dólar mais forte e receios fiscais provocou uma reprecificação brusca dos ativos domésticos.
Segundo o BTG Pactual, após avançarem cerca de 19% entre o primeiro e o segundo turno, as ações brasileiras de varejo devolveram os ganhos e acumulam queda de aproximadamente 33%, passando a negociar abaixo dos níveis observados antes do início da disputa eleitoral.
Com real pressionado, juros mais altos e deterioração das perspectivas domésticas, bancos e corretoras veem empresas dolarizadas como principais vencedoras do novo cenário; companhias ligadas ao ciclo local seguem sob cautela