Aécio leva fim da escala 6x1 à campanha pelo Senado
Deputado mineiro usa o apoio à redução da jornada semanal como bandeira eleitoral e lembra voto favorável na Câmara.

O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), candidato ao Senado por Minas Gerais, incorporou neste sábado (26) o fim da escala de trabalho 6x1 à campanha eleitoral. Em uma publicação nas redes sociais, ele associou a defesa da redução da jornada ao voto que deu na Câmara e afirmou que pretende continuar o debate no Senado.
A movimentação foi noticiada pela revista Veja a partir do material divulgado pela própria campanha. No perfil oficial de Aécio, o parlamentar escreveu que votou a favor do fim da escala 6x1 e apresentou a mudança como uma causa que levará à eleição, sinalizando que o tema trabalhista será usado para diferenciar sua candidatura na disputa pelas duas vagas mineiras.
A bandeira não surgiu agora no histórico de votação do deputado. Em maio, a Câmara aprovou em segundo turno uma proposta de emenda à Constituição que reduz gradualmente a jornada máxima semanal e cria dois dias consecutivos de descanso. O texto recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários; registros públicos da votação confirmam Aécio entre os deputados que apoiaram a medida.
Voto anterior sustenta discurso
Ao transformar o voto parlamentar em peça de campanha, Aécio procura apresentar coerência entre a atuação na Câmara e a plataforma para o Senado. A defesa do descanso semanal também amplia o repertório de uma candidatura tradicionalmente identificada com temas econômicos e institucionais, aproximando-a de uma pauta que ganhou visibilidade entre trabalhadores do comércio e de serviços.
A proposta aprovada pelos deputados não extingue imediatamente todos os regimes de seis dias de trabalho. O desenho prevê uma transição, com diminuição progressiva do limite semanal e preservação da negociação sobre a distribuição das horas. Aécio, portanto, faz campanha sobre uma mudança que ainda depende de novas decisões legislativas antes de produzir efeitos nos contratos.
O placar expressivo na Câmara reuniu parlamentares de partidos de governo e oposição. Mesmo assim, a regulamentação prática continua controversa. Representantes de trabalhadores defendem mais tempo de descanso e melhor qualidade de vida; setores empresariais cobram previsibilidade de custos, regras para atividades contínuas e prazo para reorganizar escalas.
Proposta aguarda plenário
No Senado, o assunto avançou em comissão e aguarda análise do plenário, segundo informações da Agência Senado. Como se trata de emenda constitucional, a matéria precisa alcançar três quintos dos votos em dois turnos. Se o Senado alterar o conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de voltar aos deputados.
A etapa seguinte também definirá se a redução será aplicada de maneira uniforme ou se haverá tratamento específico para setores que funcionam todos os dias. Saúde, transporte, alimentação, turismo e segurança privada estão entre as atividades em que o desenho das escalas costuma exigir plantões e revezamento.
Na campanha mineira, o apoio à medida passa a ser um compromisso verificável pelo eleitor: Aécio já tem um voto registrado e agora promete atuar pela continuidade da tramitação. Adversários poderão confrontar essa posição com outras votações trabalhistas do parlamentar e cobrar detalhes sobre a transição que ele defenderá no Senado.
Até a votação definitiva, a escala 6x1 continua permitida dentro dos limites atuais da legislação. A publicação eleitoral não muda contratos nem antecipa a vigência da proposta. O efeito imediato é político: uma pauta nacional de relações de trabalho entra de forma explícita na disputa pelo Senado em Minas Gerais.
Em resumo
Ele defende o fim da escala com seis dias de trabalho e levou o tema para sua campanha ao Senado.
Sim. O registro da votação inclui o deputado entre os 461 votos favoráveis no segundo turno.
Não. A proposta ainda depende da conclusão da tramitação constitucional no Senado.
Uma alteração de mérito obriga a proposta a retornar à Câmara dos Deputados.
Aécio usa seu voto anterior como compromisso eleitoral e promete continuar a discussão no Senado.