Airbus prevê que tráfego aéreo brasileiro dobre até 2045
Fabricante projeta duplicação das viagens por habitante no Brasil e demanda de 2.720 novos aviões na América Latina em duas décadas.

O número de viagens aéreas por habitante no Brasil deve dobrar até 2045, segundo a projeção regional apresentada pela Airbus nesta segunda-feira (19). A fabricante estima que a média brasileira avance de aproximadamente 0,5 para uma viagem por pessoa ao ano nas próximas duas décadas.
O Poder360 destacou o recorte brasileiro do Global Market Forecast 2026–2045. Em comunicado oficial, a Airbus detalhou a projeção para a América Latina; a Exame confirmou os números centrais e registrou que a estimativa foi apresentada durante um evento do setor na Cidade do México.
O levantamento não é uma meta contratual nem uma previsão de entregas exclusivas da Airbus. Trata-se de uma estimativa de demanda para toda a indústria, construída a partir de expectativas sobre crescimento econômico, urbanização, renda, renovação de frota e abertura de novas rotas.
Demanda regional exige nova frota
A fabricante calcula que as companhias latino-americanas precisarão de 2.720 novos aviões de passageiros até 2045. Desse total, 2.520 seriam aeronaves de corredor único, usadas sobretudo em ligações domésticas e regionais, e 200 seriam modelos de fuselagem larga, voltados principalmente a rotas mais longas.
Há uma diferença importante entre entregas e tamanho da frota. A frota comercial de passageiros da região passaria de 1.550 para 2.770 aeronaves, porque 1.500 das novas unidades substituiriam modelos antigos. As 1.220 restantes sustentariam a expansão líquida da capacidade.
Para o Brasil, a projeção de duplicação das viagens por habitante acompanha a expectativa de crescimento do mercado doméstico. A Airbus estima avanço anual de 4% nesse segmento latino-americano, acima dos 3,3% previstos para as rotas entre países da América Latina e do Caribe.
O indicador usado para comparar mercados também considera a distância percorrida pelos passageiros pagantes, medida em RPK. Nessa métrica, o estudo posiciona o mercado doméstico brasileiro entre os vinte maiores do mundo em 2045, mas o resultado dependerá da evolução de renda, tarifas, infraestrutura e oferta das empresas aéreas.
Renda sustenta a projeção
A expansão da classe média é um dos pilares do cenário. A estimativa apresentada pela fabricante aponta acréscimo de mais de 100 milhões de pessoas nesse grupo na América Latina, que poderia alcançar cerca de 500 milhões de habitantes e representar quase 70% da população regional.
A urbanização também pesa no cálculo. O crescimento de centros médios tende a criar demanda por ligações que não passam necessariamente pelos maiores aeroportos. Aeronaves mais eficientes e de corredor único permitem testar essas rotas com menor custo operacional e ajustar a capacidade à procura local.
A renovação da frota aparece tanto como decisão econômica quanto ambiental. Aviões de nova geração podem reduzir consumo de combustível e custos de manutenção, mas a velocidade da troca dependerá da capacidade de produção da indústria, do financiamento disponível e das escolhas de cada companhia.
No Brasil, aeroportos, controle de tráfego, combustível sustentável e regulação terão de acompanhar o aumento projetado. Sem investimentos coordenados, a expansão da procura pode pressionar terminais e elevar custos, limitando parte do crescimento calculado para o período.
Por cobrir vinte anos, o relatório deve ser lido como cenário de planejamento, não como garantia. Crises econômicas, preço do petróleo, câmbio, conflitos e gargalos na cadeia aeronáutica podem alterar o ritmo, enquanto renda maior, tarifas acessíveis e novas rotas podem aproximar o país da estimativa.
Em resumo
A fabricante estima que as viagens aéreas por habitante dobrem até 2045, de cerca de 0,5 para uma ao ano.
O estudo calcula demanda por 2.720 novas aeronaves de passageiros entre 2026 e 2045.
Não. Parte das entregas substituirá modelos antigos; a frota total projetada passa de 1.550 para 2.770 aeronaves.
Os modelos de corredor único concentram 2.520 das 2.720 entregas estimadas para a região.
Não. É um cenário de longo prazo sujeito a renda, tarifas, infraestrutura, financiamento e condições da indústria.