Política Nacional · 2026-10-18 · Redação Notícia ES

Alcolumbre articula reeleição na presidência do Senado

Presidente da Casa procura votos no centro, na base de Lula e até no PL para permanecer no cargo em 2027, independentemente do resultado presidencial.

Alcolumbre articula reeleição na presidência do Senado
Alcolumbre articula reeleição na presidência do Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já negocia votos para permanecer no comando da Casa em 2027. A estratégia busca apoio de partidos do centro, da base de Lula e até de integrantes do PL, maior bancada da próxima legislatura, qualquer que seja o vencedor do segundo turno presidencial.

O g1 detalhou neste domingo (18) as conversas conduzidas por Alcolumbre. A Folha de S.Paulo já havia registrado a aproximação com pautas de interesse do governo e a tentativa de conquistar apoio dentro do PL, enquanto o Poder360 apontou que a nova composição mais à direita dificulta sua reeleição.

Aliados calculam que o senador precisa reunir pelo menos 41 votos entre os 81 integrantes da Casa. O mapa partidário mudou após as eleições: o PL terá 28 cadeiras e chega à disputa pela Mesa com força para lançar ou sustentar uma candidatura própria.

Alcolumbre argumenta que sua continuidade preservaria a autonomia do Senado diante do próximo governo. Ao mesmo tempo, manteve diálogo com o Planalto, apoiou a tramitação de propostas defendidas por Lula e procura convencer parlamentares de oposição de que pode oferecer previsibilidade institucional.

Maior bancada vira alvo

A busca por votos no PL expõe o ponto central da eleição interna. O partido poderá influenciar decisivamente a escolha, mas abriga correntes diferentes: uma parte considera negociar espaços na Mesa, enquanto outra defende o senador Rogério Marinho para impor uma agenda mais firme diante do STF e do Executivo.

Para um eventual governo Flávio Bolsonaro, entregar a presidência do Senado a um aliado do centro pode facilitar acordos, mas também preservaria nas mãos de Alcolumbre o poder de pautar pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Esse tema pesa entre senadores eleitos com discurso de enfrentamento à Corte.

Em um eventual segundo mandato de Lula, Alcolumbre tentaria apresentar a relação construída com a base governista como garantia de estabilidade. A votação do fim da escala 6x1 e outras pautas de interesse do Planalto funcionaram como demonstrações de capacidade para formar maiorias.

A candidatura enfrenta ainda nomes como Tereza Cristina, citada por setores do centro e da direita, além da movimentação de Rogério Marinho. O apoio de cada grupo dependerá de compromissos sobre a composição da Mesa, presidências de comissões e prioridades legislativas.

Mesma régua precisa valer

A cobertura deve tratar a articulação como disputa de poder, não como simples esforço de governabilidade. Quando um presidente do Senado negocia simultaneamente com governo e oposição para manter o cargo, há interesses institucionais e pessoais que precisam ser expostos com a mesma clareza usada para analisar candidaturas partidárias.

Também não basta atribuir ao PL a responsabilidade por viabilizar ou bloquear Alcolumbre. O PT e os partidos do centro participarão da mesma troca de apoios, e suas contrapartidas devem ser escrutinadas sem diferença de tratamento.

A eleição para a Mesa será secreta e ocorrerá em fevereiro de 2027, depois da posse dos novos senadores. Até lá, o resultado presidencial, a formação dos blocos e as negociações por comissões podem alterar a contagem hoje apresentada pelos aliados.

Alcolumbre parte da vantagem de controlar a agenda e manter interlocução ampla, mas enfrenta um Senado diferente daquele que o elegeu com 73 votos em 2025. A permanência dependerá de convencer a nova maioria de que sua condução serve à Casa, e não apenas à continuidade de um acordo entre cúpulas.

Em resumo

O que pretende Davi Alcolumbre?

Ele articula votos para permanecer na presidência do Senado no biênio iniciado em 2027.

Quantos votos são necessários?

A eleição exige maioria absoluta dos 81 senadores, ou pelo menos 41 votos.

Qual será a maior bancada?

O PL terá 28 senadores e papel decisivo na formação da próxima Mesa.

Quem pode disputar contra Alcolumbre?

Rogério Marinho e Tereza Cristina aparecem entre os nomes movimentados por grupos de direita e centro.

Quando ocorre a eleição?

A escolha da Mesa será realizada em fevereiro de 2027, após a posse dos novos senadores.

Fontes