Aliados de Lula fazem ofensiva contra pressão do mercado financeiro às vésperas do Copom
Aliados de Lula fazem ofensiva contra pressão do mercado financeiro às vésperas do Copom. Registro original em UOL Notícias. A Redação Notícia ES reapurou a pauta para a editoria Economia.

Após o tombo dos ativos financeiros na semana passada em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), integrantes do governo e do PT intensificaram uma ofensiva contra o que classificam de "chantagem, terrorismo e especulação" do mercado financeiro, com críticas à cobrança de ajuste fiscal.
Dados e contexto do setor
A investida começou com o ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia Rui Costa , que na sexta-feira (30) criticou o setor financeiro, dizendo que esses agentes também precisam pensar no país.
"O Brasil precisa discutir o setor financeiro, aqueles que fazem formação de preço, formação de expectativas. Eles precisam também pensar no país", disse Rui em entrevista ao portal Metrópoles. "Tem muito, na minha opinião, de especulação, de busca de ganhos extraordinários."
O ex-ministro, que participou da campanha do presidente, não especificou como se daria essa discussão, mas deu como exemplo o caso de um detentor de um contrato de pavimentação de uma rua que tivesse o poder de formar expectativas sobre o preço do asfalto.
Impactos e informações adicionais
O interesse desse empresário estaria em aumentar as expectativas de preço para que o governo pagasse mais caro pelo asfalto no futuro.
No sábado (31), foi a vez de o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos ( PSOL ), abordar o tema.
Em entrevista à Folha , o ministro disse ver chantagem do mercado no debate sobre ajuste fiscal no novo governo e afirmou que os cortes devem mirar privilégios, não o "lombo dos mais pobres".
"Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia", disse. Para Boulos, a receita para economizar inclui discutir temas como desonerações fiscais, supersalários e emendas parlamentares impositivas.
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
A estratégia dos petistas busca, segundo relatos de integrantes do governo ouvidos pela Folha , reforçar nas redes sociais as críticas contra o mercado financeiro e o discurso contra a ideia de "tesouraço" dos programas sociais.
O presidente Lula gravou um vídeo, divulgado neste domingo (1º) no X, para dizer que não vai cortar nenhum programa social e que há fake news da oposição sobre o tema.
No mesmo dia, a ex-presidente do PT e ex-ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann usou a discussão sobre um artigo do economista André Lara Resende , um dos pais do Plano Real, publicado em 25 de setembro, para criticar o mercado financeiro.
Gleisi disse que o artigo era fundamental para enfrentar o que chamou de ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira. "Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica", diz um trecho de sua publicação.
Diante da repercussão negativa sobre o rumor de que Lara Resende se reuniria com Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan , negou que estivesse no radar do governo um tabelamento de juros .
O presidente do PT, Edinho Silva, disse que as especulações na área econômica não colaboram com o país e só fazem o jogo "dos oportunistas do mercado, daqueles que apostam contra o governo Lula, contra o futuro do país".
"O único que fala em nome do governo Lula na política econômica é o ministro Dario Durigan", disse Edinho em nota enviada à reportagem neste domingo.
A primeira semana após a reeleição de Lula foi a que registrou as maiores desvalorizações do ano . A Bolsa, que chegou a atingir o patamar histórico de 200 mil pontos neste mês, recuou 17,5% na semana.
É o maior recuo desde a semana encerrada em 20 de março de 2020, que marcou o início da pandemia do coronavírus.
A ofensiva de autoridades ligadas ao governo Lula ocorre às vésperas do próximo encontro do Copom (Comitê de Política Monetária), que decide na quarta-feira (4) o nível da taxa básica de juros , a Selic , hoje em 13,75% ao ano .
Em resumo
Após o tombo dos ativos financeiros na semana passada em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), integrantes do governo e do PT intensificaram uma ofensiva contra o que classificam de "chantagem, terrorismo e especulação" do mercado financeiro, com críticas à cobrança de ajuste fiscal.
A investida começou com o ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia Rui Costa , que na sexta-feira (30) criticou o setor financeiro, dizendo que esses agentes também precisam pensar no país.
"O Brasil precisa discutir o setor financeiro, aqueles que fazem formação de preço, formação de expectativas. Eles precisam também pensar no país", disse Rui em entrevista ao portal Metrópoles. "Tem muito, na minha opinião, de especulação, de busca de ganhos extraordinários."
O ex-ministro, que participou da campanha do presidente, não especificou como se daria essa discussão, mas deu como exemplo o caso de um detentor de um contrato de pavimentação de uma rua que tivesse o poder de formar expectativas sobre o preço do asfalto.
O interesse desse empresário estaria em aumentar as expectativas de preço para que o governo pagasse mais caro pelo asfalto no futuro.