Amorim prevê que Trump respeitará resultado eleitoral
Assessor de Lula avalia que o governo americano reconhecerá a decisão das urnas brasileiras mesmo em caso de vitória do petista.

O assessor especial da Presidência Celso Amorim afirmou que Donald Trump deverá respeitar o resultado do segundo turno da eleição brasileira, marcado para domingo (25), mesmo se Luiz Inácio Lula da Silva vencer. A avaliação foi feita às vésperas da votação que opõe o petista a Flávio Bolsonaro.
A declaração foi publicada pelo InfoMoney nesta sexta-feira (23), com base em entrevista concedida à Folha de S.Paulo. Folha e Poder360 também registraram a afirmação e o entendimento de Amorim de que uma eventual preferência política do republicano não impediria o reconhecimento institucional do vencedor.
Amorim disse esperar respeito prático ao resultado, ainda que Trump não comemore uma vitória de Lula nem faça um reconhecimento entusiasmado. O ex-chanceler citou o telefonema no qual o presidente americano desejou boa sorte ao brasileiro como sinal de manutenção do diálogo entre os dois governos.
A expectativa do assessor não equivale a uma garantia formal de Washington. Em resposta recente a parlamentares democratas, o Departamento de Estado declarou apoio a eleições livres e justas no Brasil, mas não assumiu expressamente o compromisso de reconhecer o desfecho, segundo os relatos publicados.
Reconhecimento mantém tensão diplomática
A relação bilateral atravessa pontos de atrito envolvendo tarifas, sanções contra autoridades e a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington. Trump elogiou o desempenho de Flávio após o primeiro turno, mas não anunciou apoio formal a um dos candidatos na fase decisiva da campanha.
Amorim também criticou a atuação da Meta na distribuição de conteúdo político. Ele classificou como muito grave o episódio que teria reduzido o alcance de perfis ligados a Lula enquanto contas relacionadas a Flávio receberam impulso algorítmico, embora não tenha atribuído a conduta diretamente à Casa Branca.
Esse ponto é objeto de cobrança das autoridades brasileiras às plataformas digitais. A manifestação de Amorim, porém, mistura uma avaliação diplomática com uma disputa eleitoral ainda em andamento, o que exige separar fatos comprovados, decisões técnicas das empresas e interpretações políticas apresentadas por cada campanha.
Política externa divide campanhas
Outro foco de divergência é o Escudo das Américas, iniciativa de segurança liderada pelos Estados Unidos. Flávio indicou intenção de aproximar o Brasil do programa se for eleito. Amorim considera que a adesão pode expor o país a riscos decorrentes de operações americanas na região.
O assessor ainda reagiu à proposta de Eduardo Bolsonaro de promover mudanças no Itamaraty em eventual governo do irmão. Para Amorim, uma intervenção orientada por retaliação ideológica seria prejudicial. A diplomacia brasileira, ao mesmo tempo, enfrenta reclamações internas sobre orçamento, reembolsos e progressão funcional.
O teste concreto virá depois da apuração de domingo. Até lá, a fala de Amorim expressa a leitura do governo Lula sobre Trump, não uma posição oficial americana. O reconhecimento do vencedor e os primeiros contatos entre os dois países indicarão se a tensão da campanha será substituída por uma relação institucional estável.
Em resumo
Ele disse esperar que Donald Trump respeite o resultado da eleição brasileira mesmo se Lula vencer o segundo turno.
Não. Trata-se da avaliação de Amorim; o Departamento de Estado apoiou eleições livres, mas não formalizou o reconhecimento antecipado do resultado.
A votação está marcada para domingo, 25 de outubro de 2026.
Segundo as fontes consultadas, ele elogiou Flávio Bolsonaro após o primeiro turno, mas não anunciou apoio formal na etapa final.
Tarifas, sanções, vistos, plataformas digitais e a possível adesão brasileira ao Escudo das Américas estão entre os pontos de atrito.