Análise: A onda democrata chegou e varre republicanos nos EUA
Democratas conquistam o Congresso e governadorias, enquanto intervenções de Trump parecem ter prejudicado o Partido Republicano

A onda democrata chegou. O partido conquistou o controle do Congresso e venceu corridas para governador em todo o país na terça-feira (3) — e à medida que os votos eram contados em mais estados-chave, a questão era quantos republicanos a mais seriam varridos.
O contexto do cenário político
Em todo o mapa político, a virada azul foi enorme. No interior rural da América, as enormes margens de vitória que Donald Trump obteve dois anos atrás despencaram. Nos distritos congressionais com grande concentração de latinos, os ganhos do presidente em 2024 evaporaram.
E embora a Casa Branca já esteja desviando a culpa, as intervenções de Trump nas tentativas de seu partido de manter as maiorias na Câmara e no Senado parecem ter apenas prejudicado as chances do Partido Republicano.
Os esforços de recrutamento e os endossos de Trump estavam saindo pela culatra. Candidatos que ele apoiou em detrimento de outros republicanos proeminentes perderam ou estavam em desvantagem nas corridas ao Senado na Carolina do Norte, Geórgia, Texas e Carolina do Sul.
Informações e repercussões do episódio
Sua manobra de redistritamento também parece ter fracassado. Na Flórida, os democratas venceram vários distritos que foram redesenhados para garantir vitórias republicanas.
No Texas, há muito o maior estado republicano do país, os democratas conseguiram encerrar seu bloqueio de décadas dos cargos estaduais, como no Senado.
É cedo demais para conhecer as plenas implicações das eleições de terça-feira. O que já está claro, porém, é que os americanos rejeitaram amplamente Trump — e os democratas devem obter enormes ganhos por causa disso.
Os democratas conquistaram ao menos seis cadeiras no Senado ocupadas por republicanos, de que o partido precisava para reivindicar a maioria, vencendo corridas no Texas, Ohio, Kansas, Iowa, Carolina do Norte e Carolina do Sul — e o fizeram derrotando vários candidatos que foram escolhidos a dedo por Trump.
O deputado estadual James Talarico inaugurou um momento geracional para os democratas do Texas ao derrotar Ken Paxton, o controverso procurador-geral republicano do estado que foi endossado por Trump, no que se tornou a corrida ao Senado mais cara da história dos Estados Unidos.
Em Iowa, o legislador estadual Josh Turek derrotou a deputada Ashley Hinson — uma das apostas mais promissoras do Partido Republicano no ciclo de 2026 — na disputa para substituir a senadora republicana Joni Ernst, que está se aposentando.
Turek argumentou que o estado estava suportando o peso das tarifas de Trump e dos altos preços do diesel resultantes da guerra com o Irã.
Em Ohio, dois anos após perder o outro assento do Senado do estado, o democrata Sherrod Brown completou uma retomada política ao derrotar o senador republicano Jon Husted.
No Kansas, o pastor de megaigreja Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall — mais um lembrete de que, embora o estado seja fortemente republicano no nível presidencial, os eleitores estão dispostos a eleger democratas.
Na Carolina do Norte, o ex-governador democrata Roy Cooper esmagou o ex-presidente do Comitê Nacional Republicano Michael Whatley — um resultado amplamente esperado por estrategistas de ambos os partidos.
A Carolina do Sul, porém, foi uma surpresa. A democrata Annie Andrews derrotou Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham — conquistando uma cadeira que está nas mãos do Partido Republicano desde que Strom Thurmond mudou de partido em 1964.
Um democrata não vencia uma disputa ao Senado no estado de Palmetto desde 1998.
Uma série de veteranos da política da Carolina do Sul havia demonstrado interesse em concorrer à cadeira após a morte de Lindsey Graham em julho.
Mas Trump pediu à irmã de Graham — uma novata na política — primeiro para ocupar o assento temporariamente e, posteriormente, pressionou-a a concorrer a um mandato completo.
A Carolina do Sul estava longe do topo da lista dos democratas entre as cadeiras republicanas mais ganháveis . E uma vitória lá é um bom sinal para as chances do partido em estados que se esperava serem mais competitivos — incluindo Maine, Iowa e Alasca.
Animando ainda mais as esperanças dos democratas de conquistar a maioria no Senado, o senador da Geórgia Jon Ossoff obteve uma vitória antecipada e decisiva.
A disputa foi mais um exemplo das manobras fracassadas de Trump nas eleições de meio de mandato: seu endosso impulsionou o deputado Mike Collins a uma vitória nas primárias sobre uma alternativa mais moderada apoiada pelo popular governador republicano de dois mandatos Brian Kemp.
Os pontos fortes de Ossoff e as dificuldades de Collins também ajudaram os democratas a vencer a corrida ao governo da Geórgia, com Keisha Lance Bottoms agora prestes a se tornar a primeira governadora negra do país.
Em resumo
A onda democrata chegou. O partido conquistou o controle do Congresso e venceu corridas para governador em todo o país na terça-feira (3) — e à medida que os votos eram contados em mais estados-chave, a questão era quantos republicanos a mais seriam varridos.
Em todo o mapa político, a virada azul foi enorme. No interior rural da América, as enormes margens de vitória que Donald Trump obteve dois anos atrás despencaram. Nos distritos congressionais com grande concentração de latinos, os ganhos do presidente em 2024 evaporaram.
E embora a Casa Branca já esteja desviando a culpa, as intervenções de Trump nas tentativas de seu partido de manter as maiorias na Câmara e no Senado parecem ter apenas prejudicado as chances do Partido Republicano.
Os esforços de recrutamento e os endossos de Trump estavam saindo pela culatra. Candidatos que ele apoiou em detrimento de outros republicanos proeminentes perderam ou estavam em desvantagem nas corridas ao Senado na Carolina do Norte, Geórgia, Texas e Carolina do Sul. Sua manobra de redistritamento também parece ter fracassado.
No Texas, há muito o maior estado republicano do país, os democratas conseguiram encerrar seu bloqueio de décadas dos cargos estaduais, como no Senado.