Tecnologia · 2026-11-06 · Redação Notícia ES

Ansiedade dos eleitores americanos com o avanço da IA foi exposta nas “midterms”

Além da vitória dos Democratas contra os Republicanos - apoiados por titãs das big techs - eleitores se posicionaram contra o desenvolvimento de data centers em 46 de 47 disputas regionais

Ansiedade dos eleitores americanos com o avanço da IA foi exposta nas “midterms”
Ansiedade dos eleitores americanos com o avanço da IA foi exposta nas “midterms”

A onda azul que varreu os Estados Unidos na eleição de meio de mandato realizada na terça-feira (3) e devolveu o controle do Congresso ao Partido Democrata não foi apenas uma mensagem contra a forma que Donald Trump está governando o país, mas também a constatação de que a população está muito desconfiada sobre o poder das big techs, em especial com os avanços da inteligência artificial.

Dados e contexto do setor

Além das vitórias – algumas inesperadas – de candidatos democratas em disputas por governos estaduais e cadeiras na Câmara dos Representantes e no Senado, o eleitorado foi chamado a opinar em diversas regiões sobre colocar ou não restrições à instalação de datacenters que apoiariam a expansão das gigantes de tecnologia.

Dados compilados pela Redbud Consulting, uma empresa de pesquisa e ciência de dados sediada em Washington, mostram que os eleitores se posicionaram contra o desenvolvimento de data centers em 46 de 47 disputas regionais obre restrições.

A exceção foi a pequena Harwood, cidade de menos de 1 mil habitantes em Dakota do Norte. Eles rejeitaram uma medida que teria dado aos moradores maior influência sobre a construção de grandes projetos na cidade, como centros de dados de IA.

Impactos e informações adicionais

Para Graham Brookie, vice-presidente de programas e estratégia de tecnologia do Atlantic Council, a profunda ansiedade que os americanos sentem em relação à tecnologia e o ceticismo em relação ao titãs que a estão construindo ficaram em plena evidência durante as eleições de meio de mandato e nos resultados.

“Uma pesquisa de boca de urna da NBC News revelou que 56% dos eleitores disseram que a IA e a infraestrutura associada foram um ‘fator crucial ou importante’ em seu voto para o Congresso.

Há poucas razões para acreditar que essas preocupações não permanecerão totalmente expostas no próximo Congresso e em nível estadual na Califórnia, Texas, Ohio e outros lugares”, comentou.

O desafio que se coloca, segundo o especialista, é que, para que os EUA possam competir efetivamente na era da IA, o país precisa enfrentar esse déficit significativo de confiança que o público americano tem em relação à tecnologia.

Ele disse que esse ceticismo da IA transcendeu até as linhas partidárias, com muitos candidatos republicanos — de Michigan ao Texas — defendendo a desaceleração da construção da infraestrutura de IA ou o aumento da regulamentação do setor.

Da mesma forma, há um número crescente de propostas políticas bipartidárias sobre segurança da IA no Congresso atual — como o Frontier Act ou o AI Kill Switch Act — que provavelmente reaparecerão de alguma forma no próximo Congresso.

“O ponto principal é que, apesar do uso e integração crescente da IA na vida cotidiana em todo o país, pesquisas mostram que 75% dos americanos veem a IA com medo ou preocupação, em vez de empolgação, especialmente quando se trata de acessibilidade, emprego, educação, meio ambiente, segurança e muitas outras questões.

Essas preocupações são especialmente prevalentes entre os jovens.”

Ele lembrou ainda que a eleição ocorreu uma semana após uma das maiores vendas impulsionadas por tecnologia ter eliminado quase um trilhão de dólares em valor de mercado, devido a relatórios de lucros abaixo do esperado na indústria de IA.

“Grande parte dessa venda foi impulsionada pela confiança instável de que o endividamento e o investimento recordes que impulsionam a indústria de IA se traduzissem em receita sustentável, mesmo que a construção da infraestrutura leve tempo e se torne um ponto de conflito político”, disse.

A constatação é que a IA veio para permanecer como uma tecnologia de uso geral, mas também é cada vez mais um fator determinante da competição geopolítica.

“À medida que o desenvolvimento da IA supera a capacidade das instituições de gerenciá-la, já está na hora de um diálogo nacional coerente sobre o impacto da IA e como deve ser a liderança dos EUA em IA.

Esse debate estará em plena exibição no próximo Congresso.”

O comportamento negativo do mercado se acentuou após os resultados das “midterms”.

O Nasdaq, muito dependente do desempenho do setor de tecnologia, encerrou a sessão de quinta-feira com forte queda, registrando sua maior baixa em um único dia nos últimos 19 meses .

A onda de vendas evaporou US$ 3 trilhões em valor de mercado das empresas do S&P 500

O índice do Setor de Semicondutores da Filadélfia, que acompanha as 30 maiores empresas do ramo de semicondutores, despencou mais de 12%., enquanto as ações da Nvidia despencaram mais de 9%.

O derrotado Donald Trump aproveitou mais uma vez para politizar o desempenho do mercado. Em sua rede social Truth Social, ele comentou que “o mercado de ações sofreu um de seus piores dias da história em reação aos resultados da eleição”.

Em resumo

O que aconteceu?

A onda azul que varreu os Estados Unidos na eleição de meio de mandato realizada na terça-feira (3) e devolveu o controle do Congresso ao Partido Democrata não foi apenas uma mensagem contra a forma que Donald Trump está governando o país, mas também a constatação de que a população está muito desconfiada sobre o poder das big techs, em especial com os avanços da inteligência artificial.

Qual é o ponto principal?

Além das vitórias – algumas inesperadas – de candidatos democratas em disputas por governos estaduais e cadeiras na Câmara dos Representantes e no Senado, o eleitorado foi chamado a opinar em diversas regiões sobre colocar ou não restrições à instalação de datacenters que apoiariam a expansão das gigantes de tecnologia. E o resultado foi esclarecedor.

Quais são os dados mais importantes?

Dados compilados pela Redbud Consulting, uma empresa de pesquisa e ciência de dados sediada em Washington, mostram que os eleitores se posicionaram contra o desenvolvimento de data centers em 46 de 47 disputas regionais obre restrições.

Qual é o contexto?

A exceção foi a pequena Harwood, cidade de menos de 1 mil habitantes em Dakota do Norte. Eles rejeitaram uma medida que teria dado aos moradores maior influência sobre a construção de grandes projetos na cidade, como centros de dados de IA.

Quais são os próximos desdobramentos?

Para Graham Brookie, vice-presidente de programas e estratégia de tecnologia do Atlantic Council, a profunda ansiedade que os americanos sentem em relação à tecnologia e o ceticismo em relação ao titãs que a estão construindo ficaram em plena evidência durante as eleições de meio de mandato e nos resultados.

Fontes