Ao Washington Post, Flávio diz que instituições do Brasil 'não funcionam mais'
O senador concedeu entrevista ao jornal norte-americano, na qual afirma que foi aos EUA para falar sem medo de prisão

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou ao The Washington Post que as instituições brasileiras não funcionam mais e que ainda não decidiu quando retornará ao Brasil, onde está desde o fim de outubro após perder para Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial.
O contexto do cenário político
Ele e sua família foram recebidos nos EUA por razões humanitárias e Flávio busca regularizar sua situação migratória.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ao jornal norte-americano The Washington Post que as instituições brasileiras deixaram de funcionar e que ainda não sabe quando voltará ao país.
Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, ele está nos Estados Unidos desde o fim de outubro.
Informações e repercussões do episódio
A entrevista foi concedida em um escritório de coworking em Aventura, cidade ao norte de Miami. Flávio, a mulher e as duas filhas, de 12 e 14 anos, foram recebidos pelo governo de Donald Trump por razões humanitárias .
O presidente norte-americano disse que o senador pode ficar no país pelo tempo que quiser.
“Ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão definitiva”, disse Flávio ao jornal. “Mas, obviamente, o que preciso fazer agora é regularizar minha situação migratória e pensar no que vou fazer.”
Lula venceu o segundo turno com cerca de 4,4 milhões de votos de vantagem, quase quatro pontos porcentuais. No primeiro turno, Flávio havia terminado à frente.
Logo depois da derrota, o senador anunciou que tentaria anular a eleição e, no dia seguinte, visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão no processo sobre a suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Segundo Flávio, pai e filho conversaram por 30 minutos.
Ao abrir a porta da casa, o senador encontrou agentes da Polícia Federal do lado de fora.
O ministro do STF Alexandre de Moraes havia determinado que Flávio entregasse os passaportes em até 24 horas, no âmbito de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro. A decisão também o impedia de deixar o país.
“Meu pai olhou para mim, com lágrimas nos olhos, e disse: ‘Você já sabe aonde isso vai dar’”, contou o senador. “Eu disse que sabia e que sabia o que tinha de fazer.”
Flávio desistiu de contestar o resultado e ficou cerca de 36 horas sem aparecer em público. Ele saiu do Brasil pela fronteira com a Argentina e reapareceu em um aeroporto de Miami.
Ao Post , recusou-se a explicar o trajeto ou a dizer se recebeu ajuda de autoridades norte-americanas. “Nunca vou falar sobre o caminho que fiz”, declarou.
De acordo com uma fonte das forças de segurança brasileiras ouvida pelo jornal sob anonimato, a polícia investiga se agentes norte-americanos, argentinos e israelenses participaram da operação.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou . Segundo ele, a Casa Branca não teve envolvimento direto em nenhuma das etapas.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que mora no Texas, comparou a saída do senador à captura de Nicolás Maduro por forças especiais norte-americanas, em janeiro.
De acordo com Eduardo, a equipe da família divulgou informações falsas à imprensa para despistar as autoridades.
Desde a derrota, Flávio sustenta que a eleição foi fraudada e reclama da dificuldade de auditar o sistema eleitoral brasileiro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou irregularidades.
Presidente da corte, o ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, afirmou mais de uma vez que a votação foi limpa.
O senador rebateu o ministro. “Garanto a você que ele não sabe do que está falando”, disse. “Nem eu, nem você, nem ninguém que está assistindo, nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral pode afirmar com 100% de certeza que não houve fraude.”
Flávio contou que um dos motivos da ida aos EUA foi a possibilidade de expor suas críticas sem risco de prisão.
Para ele, a diferença entre os destinos de Trump e de Jair Bolsonaro, ambos acusados de contestar derrotas eleitorais, mostra a situação do Brasil. “As instituições americanas ainda funcionam”, afirmou.
Trump já classificou a eleição brasileira como uma vergonha e disse que ela foi fraudada. “Trump está convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena”, declarou Flávio.
No mesmo dia da entrevista, o senador discursou em um jantar da Conservative Political Action Conference em Mar-a-Lago, clube de Trump em Palm Beach. Aos presentes, prometeu que o resultado da eleição não representa o fim do movimento e que grandes coisas ainda virão.
Em resumo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou ao The Washington Post que as instituições brasileiras não funcionam mais e que ainda não decidiu quando retornará ao Brasil, onde está desde o fim de outubro após perder para Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ao jornal norte-americano The Washington Post que as instituições brasileiras deixaram de funcionar e que ainda não sabe quando voltará ao país. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, ele está nos Estados Unidos desde o fim de outubro.
A entrevista foi concedida em um escritório de coworking em Aventura, cidade ao norte de Miami. Flávio, a mulher e as duas filhas, de 12 e 14 anos, foram recebidos pelo governo de Donald Trump por razões humanitárias . O presidente norte-americano disse que o senador pode ficar no país pelo tempo que quiser.
“Ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão definitiva”, disse Flávio ao jornal. “Mas, obviamente, o que preciso fazer agora é regularizar minha situação migratória e pensar no que vou fazer.”
Lula venceu o segundo turno com cerca de 4,4 milhões de votos de vantagem, quase quatro pontos porcentuais. No primeiro turno, Flávio havia terminado à frente. Logo depois da derrota, o senador anunciou que tentaria anular a eleição e, no dia seguinte, visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília.