Política ES · 2026-10-13 · Redação Notícia ES

Apoios nacionais a Pazolini expõem divisão nas bases de Ferraço

Direções nacionais do Podemos e do União Brasil se aproximaram de Lorenzo Pazolini no segundo turno, enquanto lideranças capixabas mantiveram vínculos com Ricardo Ferraço.

Apoios nacionais a Pazolini expõem divisão nas bases de Ferraço
Apoios nacionais a Pazolini expõem divisão nas bases de Ferraço

Decisões tomadas pelas direções nacionais do Podemos e do União Brasil ampliaram o campo de apoio a Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa pelo governo do Espírito Santo. O movimento ocorreu após o primeiro turno e abriu uma divergência com lideranças capixabas que já estavam ligadas à campanha de Ricardo Ferraço (MDB).

A movimentação foi relatada pela Tribuna Online em reportagem publicada nesta terça-feira (13). Uma nota oficial do Podemos, divulgada em 9 de outubro, confirma que a presidente nacional da sigla, Renata Abreu, e o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, acertaram o apoio do partido a Pazolini no segundo turno.

Segundo a publicação capixaba, o presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, também assinou uma manifestação favorável ao candidato do Republicanos. As duas decisões chamaram atenção porque Podemos e União Brasil participaram, no Espírito Santo, do grupo político que sustentou a candidatura de Ferraço no primeiro turno.

A adesão nacional não produziu uma migração automática de todos os quadros locais. O presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel, declarou que seu voto continuava com Ferraço. A diferença entre a orientação da cúpula e a posição de filiados no Estado transformou o apoio em um problema de comando partidário, e não apenas em mais um anúncio de campanha.

Apoios nacionais mudam a disputa

O Republicanos tenta ampliar a vantagem política de Pazolini a menos de duas semanas do segundo turno. A Folha de S.Paulo informou, em 10 de outubro, que dirigentes do PP e do União Brasil se reuniram com o candidato, embora naquele momento ainda não houvesse mudança formal das alianças locais.

A decisão do Podemos veio de forma mais direta. Em sua comunicação oficial, o partido afirmou que o apoio foi definido depois do diálogo entre Renata Abreu e Marcos Pereira e que esse passou a ser o posicionamento nacional da legenda na eleição capixaba. O texto não determina, porém, que cada filiado abandone compromissos já assumidos no Estado.

Esse espaço para posições distintas ajuda a explicar por que o anúncio fortalece a imagem de Pazolini sem dissolver imediatamente a base de Ferraço. Prefeitos, deputados e dirigentes locais têm relações próprias com o governo estadual e precisam calcular o custo político de seguir a direção nacional ou permanecer na aliança construída antes do primeiro turno.

Base local reage com cautela

Entre os nomes atingidos pela mudança está o prefeito de Viana, Wanderson Bueno, do Podemos, que participou da coordenação da campanha de Ferraço. A Tribuna registrou que ele chegou a admitir a possibilidade de deixar o partido. Na federação formada por União Brasil e PP, a ausência de uma posição local unificada também mantém aberta a disputa pelos apoios.

Para Pazolini, as adesões ajudam a apresentar sua candidatura como polo de convergência da direita capixaba. Para Ferraço, o desafio é demonstrar que a estrutura local construída no primeiro turno continua ativa mesmo quando comandos nacionais anunciam outra preferência. O peso efetivo dos movimentos dependerá de quais prefeitos, parlamentares e cabos eleitorais aparecerão nas ruas ao lado de cada candidato.

O episódio também expõe um limite das alianças eleitorais: uma coligação estadual pode reunir partidos cujas direções nacionais negociam prioridades diferentes. Até o segundo turno, o eleitor capixaba verá duas campanhas disputando não só votos, mas também o direito de dizer quem representa de fato as bases dessas legendas no Espírito Santo.

Em resumo

Quais partidos anunciaram apoio a Pazolini?

As direções nacionais do Podemos e do União Brasil anunciaram apoio a Lorenzo Pazolini no segundo turno capixaba.

Quando o Podemos oficializou a decisão?

O Podemos publicou a nota de apoio em 9 de outubro de 2026, após diálogo entre Renata Abreu e Marcos Pereira.

Por que o movimento causou divisão?

As siglas tinham quadros locais ligados à candidatura de Ricardo Ferraço, e parte dessas lideranças não acompanhou imediatamente a orientação nacional.

Gilson Daniel mudou seu voto?

Não. Segundo a Tribuna Online, o presidente estadual do Podemos declarou que continuava com Ricardo Ferraço.

O que está em jogo na reta final?

As campanhas disputam quais lideranças locais transformarão os apoios partidários em presença nas ruas e transferência de votos.

Fontes