Tecnologia · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Aracruz leva proteção digital da primeira infância a seminário do MPES

Profissionais da rede municipal discutiram proteção de dados, riscos tecnológicos, prevenção da violência e aplicação das diretrizes do ECA Digital.

Aracruz leva proteção digital da primeira infância a seminário do MPES
Profissionais da educação participam do seminário sobre segurança digital e cultura de paz. Foto: divulgação/Semed Aracruz.

Profissionais da Secretaria de Educação de Aracruz participaram, na sexta-feira (18), do seminário “Primeiros Passos Seguros: Cultura de Paz e Proteção Digital na Educação Infantil”, realizado no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Vitória. O encontro reuniu Ministério Público, gestores e trabalhadores da educação para alinhar prevenção da violência, proteção de dados e uso seguro de tecnologia com crianças de zero a cinco anos.

A programação foi promovida pelo Centro de Apoio Operacional de Implementação das Políticas da Educação do Ministério Público do Espírito Santo. A abertura teve representantes do MPES, da Undime e do sindicato das escolas particulares, sinal de que o problema atravessa redes públicas e privadas. Crianças pequenas entram em contato com plataformas, imagens e cadastros antes de compreender os riscos envolvidos.

A participação de Aracruz foi registrada pela prefeitura na segunda-feira (21). Técnicos municipais relataram que os painéis trataram da aplicação das diretrizes do ECA Digital, proteção de dados, riscos tecnológicos e criação de ambientes escolares saudáveis. A etapa seguinte é traduzir conceitos jurídicos e técnicos em procedimentos que professores e famílias consigam aplicar.

Dados de crianças exigem cuidado reforçado

Escolas guardam nome, endereço, contato dos responsáveis, informações de saúde, imagens e registros de aprendizagem. Quando esses dados são enviados por aplicativos ou armazenados em serviços digitais, aumentam os pontos de acesso e o risco de exposição. A instituição precisa saber por que coleta cada informação, quem pode consultá-la e por quanto tempo será mantida.

Consentimento dos responsáveis não resolve tudo. A escola continua obrigada a usar apenas o necessário e a proteger o interesse da criança. Fotos de atividades, listas de alunos e conversas em grupos não devem circular sem critério. Senhas compartilhadas, celulares pessoais e links públicos podem transformar uma rotina aparentemente simples em vazamento.

Proteção digital também envolve conteúdo. Crianças pequenas podem encontrar publicidade, estímulos inadequados, contato de desconhecidos ou exposição excessiva. Na educação infantil, a mediação adulta é indispensável. Tecnologia deve servir ao objetivo pedagógico, com tempo, ambiente e acompanhamento definidos, e não substituir brincadeira, convivência e atenção presencial.

Cultura de paz amplia a prevenção

O seminário relacionou segurança digital à prevenção de violências. A equipe de Aracruz citou o Programa Escola que Protege, iniciativa federal voltada ao fortalecimento das redes de ensino para prevenir e enfrentar agressões. O programa oferece materiais e formação, mas sua execução depende de articulação local entre educação, saúde, assistência, conselho tutelar e sistema de Justiça.

Foram discutidas práticas de diálogo, respeito às diferenças, cooperação e desenvolvimento de empatia. Essas competências não são acessórios da tecnologia: ajudam crianças a reconhecer limites, pedir ajuda e construir relações seguras. No ambiente digital, a mesma lógica orienta professores a acolher relato sem culpar a vítima e a preservar evidências quando houver possível violência.

Protocolo precisa chegar à sala e à família

Depois da formação, a rede municipal pode revisar autorizações de imagem, regras de grupos de mensagem, acesso a plataformas e resposta a incidentes. Cada unidade precisa saber quem acionar diante de vazamento, assédio, exposição ou conteúdo impróprio. Comunicação rápida reduz dano e evita improviso.

As famílias devem receber orientações em linguagem clara. Bloqueio técnico é útil, mas não substitui conversa sobre privacidade, tempo de tela e pedidos estranhos. Para crianças de zero a cinco anos, o adulto administra quase toda a experiência. Isso aumenta sua responsabilidade sobre o que publica e sobre as permissões concedidas a aplicativos.

A prefeitura não anunciou ainda um cronograma específico de implantação após o seminário. Esse é o próximo dado a acompanhar: quais protocolos serão adotados, como servidores serão treinados e que canal atenderá famílias. Participar de uma formação abre o trabalho, mas não o conclui.

Segurança digital na primeira infância não se mede pela quantidade de equipamentos. Mede-se pela capacidade de usar tecnologia sem transformar crianças em fonte permanente de dados e exposição. O encontro de Vitória oferece referências; Aracruz deverá agora mostrar como elas serão incorporadas à rotina das escolas.

Na educação infantil, qualquer registro digital precisa considerar autorização dos responsáveis, finalidade pedagógica e exposição mínima. A prevenção começa na rotina escolar, antes de qualquer incidente.

Em resumo

Qual seminário recebeu a equipe de Aracruz?

Primeiros Passos Seguros: Cultura de Paz e Proteção Digital na Educação Infantil.

Onde foi realizado?

No auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Vitória.

Quem promoveu?

O centro de apoio à educação do Ministério Público do Espírito Santo.

Quais assuntos foram tratados?

Proteção de dados, riscos no uso de tecnologia, prevenção da violência e redes de apoio.

Qual faixa etária recebeu atenção?

Crianças de zero a cinco anos atendidas pela educação infantil.

O que muda agora?

A rede municipal deve converter orientações em protocolos, formação e comunicação com famílias.

Fontes