Ato de Flávio reúne 71,9 mil na Paulista
Estimativa da USP/Cebrap e da More in Common indica pico de 71,9 mil pessoas, com margem de erro de 12%, a uma semana do segundo turno.

O ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) reuniu cerca de 71,9 mil pessoas no horário de maior concentração na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, 18 de outubro. A mobilização ocorreu a uma semana do segundo turno presidencial e antes do primeiro debate direto entre o candidato e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A Veja publicou a estimativa produzida pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, ligado à USP e ao Cebrap, em parceria com a More in Common Brasil. Folha de S.Paulo, Exame e UOL confirmaram o número, a metodologia e a faixa de variação informada pelos pesquisadores.
Medição aponta pico ao meio-dia
O maior público foi registrado às 12h20. Com margem de erro de 12% para mais ou para menos, a quantidade estimada fica entre 63,3 mil e 80,5 mil participantes. O resultado não é uma contagem individual realizada em catracas, mas uma projeção estatística baseada na ocupação observada da avenida.
Os pesquisadores usaram 28 fotografias aéreas do momento de pico, distribuídas por toda a área da manifestação e sem sobreposição. Um programa de inteligência artificial identificou pessoas nas imagens e ajudou a consolidar a estimativa. Também foram feitos registros em outros três horários para acompanhar a variação da concentração.
O ato, chamado de “Bloquinho 22” pelos organizadores, começou por volta das 11 horas. Participaram aliados como o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes e parlamentares do PL. Flávio falou por poucos minutos, convocou os apoiadores para o debate da Band e concentrou o discurso na disputa presidencial.
A estimativa deste domingo supera os 28,5 mil participantes calculados pelo mesmo grupo para a manifestação de 7 de setembro. Como o método e a margem foram divulgados, é possível comparar os dois atos organizados no mesmo espaço sem depender apenas de números apresentados pelas campanhas.
Comparação enfrenta limites metodológicos
Os pesquisadores não apresentaram uma estimativa equivalente para o ato de Lula realizado na Paulista no domingo anterior. Segundo o Monitor e a More in Common, a campanha petista não autorizou o sobrevoo do drone necessário à coleta das imagens. A campanha e o Gabinete de Segurança Institucional não informaram a razão do veto à Folha.
Sem imagens obtidas pelo mesmo protocolo, não há base técnica para afirmar qual dos dois atos reuniu mais pessoas. Extensão ocupada em quarteirões, fotografias feitas do solo e estimativas dos organizadores medem aspectos diferentes e não substituem uma contagem construída pelo mesmo procedimento.
A ausência de medição no evento petista também impede a aplicação de uma régua idêntica aos dois candidatos. A transparência exige informar tanto o resultado disponível para Flávio quanto a razão pela qual um número comparável não foi produzido para Lula, evitando apresentar propaganda partidária como dado científico.
O público da Paulista oferece um retrato de mobilização, mas não antecipa sozinho o resultado nas urnas. O dado relevante desta rodada é objetivo: 71,9 mil pessoas no pico, dentro de uma faixa de 63,3 mil a 80,5 mil, calculada por imagens aéreas e software, com as limitações declaradas pelos responsáveis.
Em resumo
O cálculo apontou 71,9 mil participantes no horário de pico.
A margem é de 12%, formando uma faixa entre 63,3 mil e 80,5 mil pessoas.
Por 28 fotografias aéreas sem sobreposição analisadas com auxílio de inteligência artificial.
Às 12h20 deste domingo, 18 de outubro.
Não pelo mesmo método, pois não houve autorização para o sobrevoo usado na coleta de imagens.