Ato de Lula ocupa sete quarteirões da Avenida Paulista
Manifestação de campanha ocupou trecho entre a Rua Haddock Lobo e a Alameda Joaquim Eugênio de Lima; não houve contagem independente precisa.

Um ato pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupou sete quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11). A manifestação reuniu apoiadores, movimentos sociais, estudantes e comunidades de fãs a duas semanas do segundo turno presidencial.
O Poder360 mediu o trecho entre a Rua Haddock Lobo e a Alameda Joaquim Eugênio de Lima e calculou uma área de 65.177,42 metros quadrados. O UOL também registrou sete quarteirões ocupados, enquanto a Agência Brasil confirmou que a mobilização tomou a maior parte da avenida.
A campanha afirmou que mais de um milhão de pessoas participaram, mas não apresentou a metodologia utilizada. A Polícia Militar não divulgou estimativa, e uma contagem independente com imagens aéreas de alta resolução não foi realizada. O número exato de participantes, portanto, não foi comprovado.
Estimativa exige cautela técnica
O cálculo de 261 mil pessoas divulgado pelo Poder360 representa a capacidade teórica do espaço se toda a área medida estivesse preenchida por quatro pessoas por metro quadrado. O próprio veículo ressalvou que esse resultado não equivale a uma contagem efetiva do público presente.
A segurança da Presidência não autorizou o drone do veículo a sobrevoar a região para produzir fotografias em ângulo reto e com resolução suficiente. A campanha de Lula e o coletivo Mídia Ninja obtiveram autorização para registrar imagens aéreas, mas o material divulgado não permitia verificar a densidade média em cada trecho.
A diferença entre a projeção partidária e a medição técnica mostra por que estimativas de multidões precisam informar área, densidade e método. Sem esses elementos, fotografias amplas podem demonstrar mobilização relevante, mas não sustentam sozinhas um total preciso de participantes.
Campanha busca reduzir abstenção
Lula usou o ato para pedir que eleitores acima de 70 anos e pessoas que não compareceram no primeiro turno participem da votação de 25 de outubro. A abstenção chegou a 21,08% no primeiro turno e passou a ocupar lugar central na estratégia eleitoral do petista.
A manifestação também deu destaque a lideranças jovens e reuniu Lula, o vice Geraldo Alckmin e governadores petistas reeleitos no Nordeste. A campanha tenta recuperar terreno entre o eleitorado jovem e ampliar a mobilização de rua depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente.
Durante a agenda, Lula vinculou a semana decisiva da campanha à votação do fim da escala 6x1 no Senado, marcada para quarta-feira (14). A oposição questiona o uso eleitoral do calendário, enquanto o governo busca transformar o tema trabalhista em contraste direto com o adversário antes do segundo turno.