Política Nacional

Ato de Lula ocupa sete quarteirões da Avenida Paulista

Manifestação de campanha ocupou trecho entre a Rua Haddock Lobo e a Alameda Joaquim Eugênio de Lima; não houve contagem independente precisa.

2026-10-12T04:49:25.772Z · Redação Notícia ES
Ato de Lula ocupa sete quarteirões da Avenida Paulista

Um ato pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupou sete quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11). A manifestação reuniu apoiadores, movimentos sociais, estudantes e comunidades de fãs a duas semanas do segundo turno presidencial.

O Poder360 mediu o trecho entre a Rua Haddock Lobo e a Alameda Joaquim Eugênio de Lima e calculou uma área de 65.177,42 metros quadrados. O UOL também registrou sete quarteirões ocupados, enquanto a Agência Brasil confirmou que a mobilização tomou a maior parte da avenida.

A campanha afirmou que mais de um milhão de pessoas participaram, mas não apresentou a metodologia utilizada. A Polícia Militar não divulgou estimativa, e uma contagem independente com imagens aéreas de alta resolução não foi realizada. O número exato de participantes, portanto, não foi comprovado.

Estimativa exige cautela técnica

O cálculo de 261 mil pessoas divulgado pelo Poder360 representa a capacidade teórica do espaço se toda a área medida estivesse preenchida por quatro pessoas por metro quadrado. O próprio veículo ressalvou que esse resultado não equivale a uma contagem efetiva do público presente.

A segurança da Presidência não autorizou o drone do veículo a sobrevoar a região para produzir fotografias em ângulo reto e com resolução suficiente. A campanha de Lula e o coletivo Mídia Ninja obtiveram autorização para registrar imagens aéreas, mas o material divulgado não permitia verificar a densidade média em cada trecho.

A diferença entre a projeção partidária e a medição técnica mostra por que estimativas de multidões precisam informar área, densidade e método. Sem esses elementos, fotografias amplas podem demonstrar mobilização relevante, mas não sustentam sozinhas um total preciso de participantes.

Campanha busca reduzir abstenção

Lula usou o ato para pedir que eleitores acima de 70 anos e pessoas que não compareceram no primeiro turno participem da votação de 25 de outubro. A abstenção chegou a 21,08% no primeiro turno e passou a ocupar lugar central na estratégia eleitoral do petista.

A manifestação também deu destaque a lideranças jovens e reuniu Lula, o vice Geraldo Alckmin e governadores petistas reeleitos no Nordeste. A campanha tenta recuperar terreno entre o eleitorado jovem e ampliar a mobilização de rua depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente.

Durante a agenda, Lula vinculou a semana decisiva da campanha à votação do fim da escala 6x1 no Senado, marcada para quarta-feira (14). A oposição questiona o uso eleitoral do calendário, enquanto o governo busca transformar o tema trabalhista em contraste direto com o adversário antes do segundo turno.