Auditoria aponta desvios acima de R$ 400 milhões na Cedae Saúde
Relatório encomendado pelo governo do Rio encontrou indícios de pagamentos irregulares, empresas relacionadas e arquivos apagados.

Uma auditoria contratada pelo governo do Rio de Janeiro identificou indícios de desvios superiores a R$ 400 milhões na Cedae Saúde, operadora do plano de assistência dos empregados da companhia estadual. O relatório será encaminhado ao Ministério Público do Rio para aprofundamento das investigações.
As conclusões foram divulgadas nesta sexta-feira, 9 de outubro, pela Agência Brasil e confirmadas por Veja e R7. O trabalho foi realizado pela consultoria Grant Thornton com apoio do Gabinete de Segurança Institucional do estado e da atual direção da Cedae.
A apuração examinou contratos, pagamentos, vínculos societários e registros contábeis da operadora. De acordo com o material divulgado, foram encontrados sinais de serviços possivelmente irregulares e de favorecimento a empresas relacionadas à administração anterior. Os valores representam suspeitas de auditoria, e não condenações definitivas.
O governo estadual informou que o levantamento começou após a substituição da antiga direção. Eric Frederik Gualberto deixou o comando da Cedae Saúde em 23 de junho. A nova gestão passou a revisar despesas e a reunir documentos para comparar pagamentos, fornecedores e serviços efetivamente prestados.
Arquivos apagados foram recuperados
Uma parte relevante do trabalho envolveu a recuperação de arquivos que teriam sido eliminados dos sistemas. A auditoria recompôs registros de fornecedores e informações contábeis do período entre dezembro de 2023 e abril de 2026, o que permitiu reconstituir operações que já não apareciam nas bases correntes.
Veja informou que quatro empresas apontadas como integrantes de uma estrutura empresarial no exterior ligada ao ex-dirigente receberam cerca de R$ 95 milhões. A existência desse vínculo e a natureza dos pagamentos deverão ser verificadas pelas autoridades, que poderão requisitar contratos, notas fiscais, extratos e identificação dos beneficiários finais.
O encaminhamento ao Ministério Público abre uma etapa distinta da auditoria administrativa. Caberá aos promotores decidir se os indícios justificam inquérito civil, pedido de novas diligências ou comunicação a órgãos com atribuição criminal. Pessoas e empresas mencionadas terão direito de apresentar documentos e contestar as conclusões.
Repasses mensais caíram setenta por cento
Depois da mudança de gestão, os repasses mensais à Cedae Saúde teriam caído de uma média próxima de R$ 20 milhões para cerca de R$ 6 milhões, redução de 70%. O governo apresenta o recuo como sinal de revisão de despesas, mas a economia só poderá ser medida com precisão após a comparação dos serviços e da cobertura oferecida aos beneficiários.
A operadora atende aproximadamente 17 mil pessoas, entre empregados, dependentes e outros participantes vinculados à companhia. Por isso, a investigação financeira também exige acompanhamento da continuidade do atendimento. Cortes em pagamentos considerados suspeitos não podem interromper consultas, exames e procedimentos contratualmente garantidos.
O relatório não encerra o caso. A próxima fase dependerá da validação das evidências recuperadas e da individualização de cada pagamento apontado como irregular. O montante acima de R$ 400 milhões resume os indícios reunidos pela auditoria; a confirmação de prejuízo, autoria e eventual ressarcimento exigirá apuração formal e contraditório.
Em resumo
O relatório indica valores superiores a R$ 400 milhões na Cedae Saúde.
A Grant Thornton conduziu o trabalho com apoio do governo do Rio e da atual direção da Cedae.
Registros de fornecedores e dados contábeis de dezembro de 2023 a abril de 2026 foram recuperados.
O governo informou que encaminhará o documento ao Ministério Público do Rio de Janeiro.
A operadora possui aproximadamente 17 mil beneficiários.