Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Augusto Cury avança nas pesquisas e aumenta pressão sobre Lula e Flávio Bolsonaro

Levantamentos divulgados no fim de agosto e nesta terça mostram Augusto Cury em alta, enquanto Lula e Flávio seguem na dianteira; movimento abre disputa por eleitores menos alinhados à polarização.

Augusto Cury avança nas pesquisas e aumenta pressão sobre Lula e Flávio Bolsonaro
Augusto Cury avança nas pesquisas e aumenta pressão sobre Lula e Flávio Bolsonaro

O avanço de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas presidenciais passou a ser um dos principais fatos da campanha nesta terça-feira, 1º de setembro. Levantamentos divulgados nos últimos dias mostram o escritor e psiquiatra crescendo para patamares entre 7,8% e 11% das intenções de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) continuam liderando a disputa. A mudança ganhou peso porque ocorreu em intervalo curto e aparece em institutos com metodologias diferentes, embora os números não possam ser comparados diretamente como se fossem uma série única.

Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 31 de agosto, Lula apareceu com 37% em um dos cenários, Flávio com 31% e Cury com 11%. Em outra configuração do levantamento, sem Pablo Marçal, Lula marcou 39% e Flávio 33%. Já a AtlasIntel/Bloomberg apontou Lula com 43,4%, Flávio com 33,7% e Cury com 7,8%, tecnicamente muito próximo de Renan Santos, que registrou 7,6%.

Real Time Big Data reforça sinal de crescimento

Uma nova rodada da Real Time Big Data, divulgada nesta terça, também colocou Cury em 11%. Nesse levantamento, Lula marcou 38%, Flávio 30%, Cury 11% e Renan Santos 7%. Foram entrevistados 2 mil eleitores entre 27 e 31 de agosto, por telefone e internet, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O dado mais relevante não é apenas a posição numérica de Cury, mas a repetição de um crescimento que começou a aparecer após sua participação em debates e sabatinas. Reuters, UOL e Folha registraram aumento simultâneo de exposição nas redes sociais e de interesse de busca pelo candidato.

Movimento pressiona os dois líderes

As campanhas de Lula e Flávio observam com atenção a origem desse eleitorado. Reportagens publicadas nos últimos dias apontam que Cury tem atraído parte dos eleitores que rejeitam a polarização tradicional e também segmentos que antes estavam mais próximos da direita. Há, porém, diferenças importantes entre intenção de voto e voto consolidado.

Na pesquisa Nexus, 59% dos eleitores de Cury disseram ter o voto definido, percentual menor do que o registrado entre apoiadores de Lula e Flávio. Isso significa que uma parcela relevante desse eleitorado ainda pode se movimentar ao longo de setembro.

Segundo turno continua concentrado em Lula e Flávio

Apesar da ascensão de Cury, as simulações de segundo turno continuam concentradas nos dois principais candidatos. A BTG/Nexus mostrou empate técnico, com Lula em 46% e Flávio em 45%. A Real Time Big Data registrou 44% para cada um. A AtlasIntel/Bloomberg, por sua vez, colocou Lula em 47,1% e Flávio em 42,6%.

As diferenças entre os institutos reforçam a necessidade de acompanhar tendência, metodologia, datas de campo e margem de erro, em vez de tratar um levantamento isolado como fotografia definitiva da eleição.

Redes sociais viram parte central da disputa

O crescimento de Cury também coincidiu com uma expansão expressiva de sua presença digital. Reportagens apontam ganho de milhões de seguidores em poucos dias, impulsionado por vídeos de campanha, cortes de debates e parcerias com influenciadores. A campanha nega irregularidades e sustenta que o avanço é orgânico.

Para Lula e Flávio, o desafio passa a ser duplo. Além de preservar suas bases, ambos precisam impedir que Cury se consolide como alternativa competitiva capaz de ocupar o espaço dos eleitores descontentes. Os próximos levantamentos serão decisivos para mostrar se a alta representa uma mudança estrutural ou um pico temporário de atenção.

A eleição presidencial ocorre em 4 de outubro. Até lá, debates, propaganda eleitoral, desempenho econômico e novas pesquisas devem testar a resistência do crescimento de Cury e a capacidade dos dois líderes de recuperar terreno.

Fontes