Crescimento de Augusto Cury nas redes leva candidatura ao centro do debate sobre terceira via
Podcast O Assunto analisa como o candidato do Avante saiu de posição periférica para ganhar milhões de seguidores e ampliar menções digitais.
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O avanço digital de Augusto Cury deixou de ser apenas uma curiosidade de redes sociais e passou a integrar o cálculo político da eleição presidencial. O podcast O Assunto, do g1, dedicou sua edição desta terça-feira (1º) a examinar a trajetória do candidato do Avante, que ganhou mais de 2 milhões de seguidores em poucos dias e viu as menções ao seu nome crescerem mais de 1.000% em uma semana.
Cury começou a campanha em posição distante dos líderes das pesquisas, mas ganhou visibilidade depois de aparições em eventos nacionais, debate e sabatina. A combinação de reconhecimento prévio como escritor com exposição eleitoral produziu um crescimento rápido de audiência.
De escritor conhecido a candidato mais observado
Antes de entrar na política presidencial, Cury já tinha uma carreira de grande alcance editorial. Seus livros de autoajuda e ficção construíram uma audiência que não dependia de militância partidária. Na campanha, essa base oferece um ponto de partida incomum para um candidato de legenda menor.
O crescimento, contudo, precisa ser separado em duas dimensões. A primeira é a atenção, medida por seguidores, buscas e menções. A segunda é a preferência eleitoral, medida por pesquisas registradas. Uma pode influenciar a outra, mas não existe conversão automática.
Campanhas observam possível terceira via
A ascensão de Cury interessa especialmente às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro porque qualquer candidato capaz de ocupar espaço relevante pode alterar a distribuição de votos no primeiro turno. A questão central é identificar de onde vêm os eleitores atraídos pelo candidato do Avante e qual é a estabilidade dessa preferência.
O debate sobre uma terceira via acompanha eleições polarizadas há anos. Em 2026, Cury tenta ocupar esse espaço com discurso baseado em sua experiência profissional, imagem de escritor e crítica à confrontação política.
Dados publicados pela Veja mostram que o candidato passou de cerca de 8,3 milhões para 10,7 milhões de seguidores no Instagram entre 23 e 31 de agosto. O salto foi muito superior ao registrado por Lula e Flávio no mesmo período, embora tenha havido perdas de seguidores nos últimos dias da série.
As próximas pesquisas serão decisivas para avaliar se o fenômeno digital se consolidou eleitoralmente. Até lá, o dado seguro é que Cury conseguiu algo valioso em qualquer campanha: aumentar rapidamente sua visibilidade e obrigar adversários, imprensa e eleitores a prestar mais atenção em sua candidatura.