Augusto Cury ganha mais de 2,4 milhões de seguidores em uma semana após debate
Perfil do candidato do Avante passou de cerca de 8,3 milhões para 10,7 milhões de seguidores no Instagram em sete dias, segundo dados da plataforma Social Blade.

O candidato à Presidência Augusto Cury, do Avante, registrou uma expansão incomum de audiência no Instagram na semana seguinte ao debate presidencial realizado pela Band em 23 de agosto. Dados da plataforma Social Blade apontam que o perfil do escritor e psiquiatra ganhou 2.433.368 seguidores em sete dias, passando de 8.339.288 para 10.772.656.
O crescimento, de aproximadamente 28%, transformou Cury em um dos personagens de maior aceleração digital da campanha presidencial naquele período. A alta ocorreu ao mesmo tempo em que sua candidatura passou a receber mais atenção da imprensa e começou a aparecer com desempenho superior em pesquisas de intenção de voto.
O dado de seguidores, entretanto, precisa ser analisado com cautela. Crescimento em rede social mede alcance e interesse digital, não intenção de voto. Uma campanha pode aumentar rapidamente sua audiência sem produzir, na mesma proporção, conversão eleitoral.
Debate funcionou como ponto de inflexão
O debate da Band foi o evento que colocou Cury com mais força no centro das conversas políticas. Trechos de suas falas circularam em vídeos curtos, perfis de apoiadores e páginas de entretenimento e política. O efeito se refletiu também nas buscas pelo nome do candidato.
Na pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, Cury apareceu com 11% em um dos cenários de primeiro turno, depois de ter registrado patamar muito inferior na rodada anterior. Levantamentos de outros institutos também mostraram avanço, ainda que em níveis diferentes.
A combinação de rede social, exposição em televisão e crescimento em pesquisas passou a alimentar a discussão sobre uma possível candidatura de terceira via em um ambiente inicialmente dominado pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Crescimento digital também gerou questionamentos
A velocidade do aumento de seguidores despertou dúvidas entre adversários e analistas sobre a origem do engajamento. Reportagens registraram questionamentos sobre eventual uso coordenado de influenciadores ou contas automatizadas. A campanha de Cury rejeitou acusações de irregularidade e atribuiu a expansão ao interesse espontâneo gerado pelo debate e à mobilização digital.
Não há, apenas a partir do número de seguidores, como concluir que houve fraude ou manipulação. Para qualquer acusação desse tipo seriam necessários elementos técnicos adicionais, como análise de padrões de contas, origem geográfica, comportamento de engajamento e eventuais pagamentos realizados pela campanha.
A legislação eleitoral permite estratégias digitais, mas estabelece regras para impulsionamento, publicidade identificada e contratação de serviços. A linha entre apoio espontâneo e propaganda remunerada precisa ser examinada a partir de fatos concretos.
O que os números significam para a corrida presidencial
Mesmo que parte da audiência não se converta em votos, um perfil com mais de 10 milhões de seguidores oferece ao candidato uma base de distribuição direta de conteúdo muito superior à de campanhas com estrutura digital menor. Isso reduz dependência de mídia tradicional e amplia a capacidade de testar mensagens em tempo real.
Para Lula e Flávio Bolsonaro, o crescimento de Cury adiciona uma variável à disputa. Ele pode disputar eleitores descontentes com a polarização e obrigar as duas campanhas líderes a adaptar comunicação, agenda e estratégia de segundo turno.
O desafio de Cury será demonstrar se o impulso digital se mantém por várias semanas. Fenômenos de rede podem ter forte crescimento inicial e estabilizar rapidamente. A confirmação virá da combinação entre pesquisas sucessivas, desempenho em novos debates, presença territorial e capacidade de transformar seguidores em organização política.
Fontes consultadas: Social Blade, Veja, UOL e levantamento BTG/Nexus divulgado em 31 de agosto de 2026.