Augusto Cury diz que levaria educação, violência contra a mulher e desigualdade a debate com Lula
Candidato do Avante afirmou que gostaria de enfrentar Lula em eventual segundo turno e concentrar a discussão em indicadores de educação, violência contra mulheres, desigualdade salarial, juros e juventude.

O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, afirmou que pretende levar indicadores sociais e econômicos ao centro de um eventual debate de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, exibida nesta segunda-feira, 31 de agosto, Cury citou educação, violência contra a mulher, desigualdade salarial, juros e a situação dos jovens que não estudam nem trabalham como temas que gostaria de confrontar diretamente com o atual presidente.
A declaração ocorre num momento em que Cury tenta ampliar seu espaço na disputa presidencial. Pesquisas recentes passaram a registrar o candidato com desempenho de dois dígitos em alguns levantamentos, aumentando o interesse sobre a estratégia de sua campanha e sobre a possibilidade de ele se consolidar como alternativa fora da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Educação aparece como primeiro eixo
Cury disse que começaria a discussão pela educação. O candidato mencionou o desempenho brasileiro no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Pisa, e defendeu que resultados de aprendizagem sejam tratados como indicador central de desenvolvimento.
O Pisa, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, mede periodicamente o desempenho de estudantes em leitura, matemática e ciências. O Brasil historicamente apresenta resultados abaixo da média dos países da OCDE, embora comparações entre edições precisem considerar mudanças metodológicas, contexto da aplicação e impactos acumulados sobre o sistema educacional.
Na entrevista, Cury também associou a melhora da educação à valorização dos professores. Ele vem usando sua trajetória como escritor e psiquiatra para defender uma agenda voltada à saúde emocional, ao ambiente escolar e à formação de jovens.
Violência contra mulheres e desigualdade salarial
Outro tema citado pelo candidato foi a violência contra a mulher. Cury questionou a persistência dos homicídios praticados por parceiros ou ex-parceiros e afirmou que levaria o assunto a um confronto de propostas com Lula.
O tema ganhou peso na campanha de 2026 porque segurança pública, feminicídio e políticas de proteção às mulheres aparecem entre as preocupações recorrentes do eleitorado. Dados oficiais de violência devem ser analisados por período e metodologia, especialmente porque registros de feminicídio e homicídio de mulheres não são categorias idênticas.
Cury também falou sobre diferença de remuneração entre homens e mulheres e sobre acesso ao crédito. Ao levantar esses pontos, o candidato procura combinar uma agenda social com questões econômicas que afetam diretamente renda familiar e autonomia financeira.
Jovens fora da escola e do trabalho
O candidato destacou ainda a situação dos jovens que não estudam nem trabalham. Esse grupo, normalmente acompanhado por pesquisas de mercado de trabalho e educação, tornou-se um dos focos de políticas públicas por representar risco de perda prolongada de renda, qualificação e inserção produtiva.
Cury descreveu esse cenário como sinal de desesperança e defendeu políticas que aproximem educação, formação profissional e oportunidades de trabalho. A campanha ainda precisa detalhar, em propostas de governo e instrumentos orçamentários, como pretende transformar esse diagnóstico em programas executáveis.
Estratégia busca debate sem ataques pessoais
Na entrevista, Cury afirmou que gostaria de discutir os temas com respeito e sem ataques pessoais. Essa postura é parte da imagem que o candidato tenta construir desde o início da campanha, apresentando-se como um nome de linguagem menos confrontativa e mais concentrada em indicadores.
O desafio eleitoral é transformar esse posicionamento em preferência de voto. Levantamento Real Time Big Data divulgado nesta terça-feira, 1º de setembro, mostrou Cury com 11% em um dos cenários de primeiro turno, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro. Pesquisas são retratos do momento, e diferenças entre institutos podem decorrer de amostra, modo de entrevista, ordem do questionário e desenho dos cenários.
Segundo turno ainda é hipótese
A fala de Cury sobre Lula deve ser entendida dentro de uma hipótese eleitoral. O primeiro turno ainda não ocorreu e não há definição sobre quais candidatos avançariam. Até lá, todos os presidenciáveis buscam ampliar alianças, presença regional e capacidade de converter exposição em voto.
Ao antecipar os assuntos que levaria a um segundo turno, Cury também sinaliza quais temas pretende usar para se diferenciar dos adversários. Educação, proteção às mulheres, desigualdade e juventude formam um eixo de campanha que pode ser testado nas próximas sabatinas e debates.
O avanço ou recuo do candidato dependerá da campanha de rua, do horário eleitoral, dos debates e das próximas pesquisas. A entrevista, por enquanto, oferece uma definição mais clara do terreno em que Cury pretende disputar a eleição caso consiga romper a barreira que separa candidaturas intermediárias dos dois nomes que lideram a corrida presidencial.