Plano de Augusto Cury cita drones 19 vezes e prevê uso em segurança, agro e meio ambiente
Programa do candidato do Avante propõe aplicações de drones em fronteiras, incêndios, agricultura de precisão e políticas de segurança; documento ainda oferece poucos detalhes sobre custos e regulamentação.

O plano de governo de Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, faz 19 referências ao uso de drones e apresenta a tecnologia como ferramenta para políticas de segurança, agricultura, meio ambiente, saúde e modernização econômica. O levantamento foi publicado pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira, 1º de setembro, após o tema ganhar destaque em entrevistas e sabatinas do presidenciável.
A proposta vai além da ideia, já mencionada por Cury em rede nacional, de usar drones em situações de violência contra mulheres. No documento apresentado à Justiça Eleitoral, os equipamentos aparecem como parte de um projeto mais amplo de monitoramento, automação e inteligência de dados.
Fronteiras e combate ao crime
Na área de segurança, o plano prevê drones no monitoramento de fronteiras e em operações associadas ao combate ao crime. O Brasil possui uma das maiores faixas de fronteira terrestre do mundo, o que torna vigilância, integração de informações e capacidade de resposta temas recorrentes em programas presidenciais.
O documento de Cury, porém, não detalha de forma suficiente como seria feita a integração dos equipamentos com Polícia Federal, Forças Armadas e órgãos estaduais, nem apresenta estimativa de custo ou cronograma de implantação.
Agricultura 4.0
No capítulo dedicado à chamada Agricultura 4.0, Cury defende incentivos para que produtores rurais utilizem satélites, drones, sensores, inteligência artificial e análise de dados. O objetivo declarado é aumentar produtividade e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais.
A ideia acompanha uma tendência já presente no agronegócio brasileiro, onde drones são utilizados em mapeamento, aplicação localizada de insumos, acompanhamento de lavouras e identificação de problemas em áreas de difícil acesso. O programa não especifica quais incentivos seriam criados nem como seriam definidos os beneficiários.
Incêndios e desmatamento
Outra frente prevista é o monitoramento ambiental. Drones seriam empregados para detectar incêndios florestais e apoiar ações contra o desmatamento. Equipamentos desse tipo já são usados por órgãos públicos, pesquisadores e brigadas para produzir imagens, mapear focos e acompanhar áreas remotas.
O desafio para uma expansão nacional está em escala, manutenção, treinamento, integração de dados e regras para operação no espaço aéreo. Esses pontos aparecem pouco desenvolvidos no plano divulgado.
Parcerias com China e Israel
Cury também propõe parcerias tecnológicas internacionais. O plano cita China e Israel como países capazes de contribuir para uma estratégia de modernização, incluindo automação, inteligência artificial, energia solar e equipamentos acessíveis a pequenos e médios produtores.
No caso da China, o documento sugere a criação de um eixo de mecanização leve, drones e tecnologias rurais. A proposta não informa modelo de financiamento, contrapartidas ou acordos específicos já negociados.
Tecnologia virou marca da campanha
O uso recorrente de drones e inteligência artificial passou a diferenciar a comunicação de Cury durante a campanha. A estratégia ganhou ainda mais atenção depois que o candidato cresceu em pesquisas eleitorais, alcançando 11% em levantamentos BTG/Nexus e Real Time Big Data.
Esse crescimento aumentou também o escrutínio sobre suas propostas. Adversários passaram a questionar viabilidade e grau de detalhamento, enquanto a campanha apresenta o uso intensivo de tecnologia como sinal de inovação administrativa.
Próximo passo é detalhar implementação
O plano registra a direção política pretendida, mas várias propostas dependem de regulamentação, orçamento, contratação pública e articulação entre diferentes órgãos. Também há questões ligadas a privacidade, proteção de dados, certificação de equipamentos e segurança de voo.
Com a campanha entrando em setembro, a tendência é que debates e sabatinas pressionem o candidato a transformar conceitos tecnológicos em medidas mais concretas, explicando custos, prioridades e limites para o uso de drones pelo poder público.