Economia · 2026-11-04 · Redação Notícia ES

Australiana negocia compra de projetos de terras raras e urânio no Brasil

Cazaly Resources pretende adquirir 90% de empresa com 64 direitos minerários em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul; projetos ainda estão em fase de pesquisa

Australiana negocia compra de projetos de terras raras e urânio no Brasil
Australiana negocia compra de projetos de terras raras e urânio no Brasil

A mineradora australiana Cazaly Resources anunciou nesta quarta-feira (4) um acordo que pode resultar na aquisição de 90% de uma empresa detentora de projetos de terras raras e urânio em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

Dados e contexto do setor

A operação envolve 64 direitos minerários, distribuídos por uma área de aproximadamente 1.118 quilômetros quadrados.

Segundo comunicado divulgado à Bolsa de Valores da Austrália, a companhia pretende adquirir uma participação na Einstein Ventures, empresa que atualmente detém 100% dos projetos.

O acordo prevê um período inicial de avaliação dos ativos e uma opção de compra válida por 12 meses, caso a australiana decida avançar com a operação.

Como interpretar os resultados

A transação ainda não foi concluída e os empreendimentos estão em fase inicial de pesquisa mineral, sem produção comercial ou reservas minerais comprovadas.

Pelos termos anunciados, a Cazaly terá inicialmente 30 dias para realizar uma análise técnica, financeira e jurídica dos projetos. Se decidir prosseguir, deverá investir 200 mil dólares em atividades de pesquisa e despesas associadas durante os primeiros seis meses.

Ao final desse período, a companhia poderá abandonar a operação sem adquirir participação nos ativos ou continuar com os trabalhos, mediante um investimento adicional mínimo de 300 mil dólares nos seis meses seguintes.

Para efetivar a aquisição de 90% da Einstein Ventures, a australiana precisará pagar mais 1 milhão de dólares aos atuais proprietários. Nesse cenário, será constituída uma joint venture, com participação de 90% da Cazaly e 10% dos demais sócios.

O contrato também estabelece pagamentos adicionais vinculados ao cumprimento de metas, como a comprovação de recursos minerais de terras raras e urânio e a conclusão de um estudo definitivo de viabilidade econômica.

Caso todas as condições previstas sejam atingidas, esses pagamentos poderão somar outros 7 milhões de dólares.

A empresa informou que divulgará ao mercado o resultado da avaliação inicial dos ativos.

A maior parte das áreas incluídas na negociação está localizada no Rio Grande do Sul, onde a empresa identifica oportunidades para pesquisar terras raras e urânio.

Um dos principais empreendimentos é o projeto Encruzilhada, situado em uma região que apresenta características geológicas consideradas favoráveis à ocorrência desses minerais.

Pesquisas preliminares realizadas pela Einstein Ventures identificaram concentrações de terras raras em amostras de solo, rochas e perfurações superficiais.

Um dos resultados apresentados atingiu 1.763 partes por milhão de óxidos totais de terras raras em um intervalo de um metro de profundidade amostrado por trado.

A campanha realizada entre junho e julho deste ano compreendeu 30 perfurações rasas, totalizando 82,25 metros.

Os resultados indicam a presença dos elementos nas áreas investigadas, mas ainda não permitem determinar a quantidade de minério disponível ou a viabilidade econômica de uma eventual exploração.

Em relação ao urânio, a companhia cita trabalhos históricos realizados em áreas próximas ao projeto, que identificaram ocorrências do mineral e estruturas geológicas consideradas favoráveis à sua concentração.

Essas informações, entretanto, não representam a comprovação de uma jazida de urânio dentro dos direitos minerários envolvidos na negociação.

Outro empreendimento é o West Lavras, também no Rio Grande do Sul, onde as pesquisas buscam identificar terras raras associadas a argilas de adsorção iônica.

Esse tipo de formação mineral tem despertado interesse por seu potencial de aproveitamento de elementos utilizados na fabricação de ímãs permanentes e equipamentos de alta tecnologia.

A empresa também pretende avaliar a possibilidade de ocorrência de ouro na região.

A eventual participação da Cazaly em projetos com potencial para urânio ocorre em um setor que possui restrições específicas na legislação brasileira.

Em resumo

O que aconteceu?

A mineradora australiana Cazaly Resources anunciou nesta quarta-feira (4) um acordo que pode resultar na aquisição de 90% de uma empresa detentora de projetos de terras raras e urânio em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. A operação envolve 64 direitos minerários, distribuídos por uma área de aproximadamente 1.118 quilômetros quadrados.

Qual é o ponto principal?

Segundo comunicado divulgado à Bolsa de Valores da Austrália, a companhia pretende adquirir uma participação na Einstein Ventures, empresa que atualmente detém 100% dos projetos. O acordo prevê um período inicial de avaliação dos ativos e uma opção de compra válida por 12 meses, caso a australiana decida avançar com a operação.

Quais são os dados mais importantes?

A transação ainda não foi concluída e os empreendimentos estão em fase inicial de pesquisa mineral, sem produção comercial ou reservas minerais comprovadas.

Qual é o contexto?

Pelos termos anunciados, a Cazaly terá inicialmente 30 dias para realizar uma análise técnica, financeira e jurídica dos projetos. Se decidir prosseguir, deverá investir 200 mil dólares em atividades de pesquisa e despesas associadas durante os primeiros seis meses.

Quais são os próximos desdobramentos?

Ao final desse período, a companhia poderá abandonar a operação sem adquirir participação nos ativos ou continuar com os trabalhos, mediante um investimento adicional mínimo de 300 mil dólares nos seis meses seguintes.

Fontes