Política Nacional · 2026-10-23 · Redação Notícia ES

Bancada da bala mira redução da maioridade e penas mais duras após sair fortalecida das urnas

Segundo levantamento da Folha, 41 candidatos militares ou policiais tiveram êxito nas urnas

Bancada da bala mira redução da maioridade e penas mais duras após sair fortalecida das urnas
Bancada da bala mira redução da maioridade e penas mais duras após sair fortalecida das urnas

A bancada da bala chegará ao Congresso Nacional em 2027 com uma representação de policiais, ex-policiais e militares maior do que a registrada nas eleições de 2018 e 2022, além da promessa de ampliar sua influência sobre a agenda de segurança pública.

Após as eleições deste ano, o grupo pretende concentrar

Após as eleições deste ano, o grupo pretende concentrar esforços na redução da maioridade penal, no endurecimento das regras de cumprimento de penas e em continuar ocupando espaços estratégicos da Câmara dos Deputados e no Senado, como a Comissão de Segurança Pública.

Para especialistas, o resultado eleitoral confirma a consolidação de um grupo político que deixou de atuar apenas na defesa de interesses corporativos das forças policiais e passou a disputar protagonismo na formulação de políticas de segurança pública.

Avaliam, porém, que isso não tem se traduzido em resultados concretos no enfrentamento da criminalidade.

41 candidatos militares ou policiais tiveram êxito nas urnas,

Segundo levantamento da Folha com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 41 candidatos militares ou policiais tiveram êxito nas urnas, ante 35 em 2022 entre deputados federais e senadores. O crescimento foi de 17,14%.

A contagem considera quem declarou as profissões de policial (civil e militar), bombeiro militar, militar reformado e integrante das Forças Armadas. Pelo nome de urna foram filtradas todas as patentes e ocupações relacionadas a esse universo.

O número de candidatos militares e policiais pode ser maior do que o registrado pelo levantamento, porque alguns optam por não usar a patente no nome de urna nem declarar ocupação militar.

Essa é a situação do senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), capitão da reserva da PM-SP.

O deputado Alberto Fraga (PL-DF), um dos principais representantes da bancada, fala em 60 eleitos para o próximo pleito. Ele afirma que o resultado das urnas fortalece o grupo e representa uma cobrança dos eleitores por medidas mais rigorosas de combate à criminalidade.

Pesquisas de opinião mostram que a segurança pública está entre as principais preocupações da população brasileira. "A sociedade entende que os deputados, os representantes do povo, precisam falar mais sobre segurança. Então é claro que a bancada se fortalece", afirmou à Folha .

Em 2018, o PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro foi eleito presidente, foi a legenda que mais elegeu policiais e militares, com 18 representantes. Bolsonaro deixou a sigla em 2019, e o PSL posteriormente se fundiu ao DEM para formar o União Brasil.

Em 2021, Bolsonaro se filiou ao PL, que passou a liderar a eleição de representantes ligados às forças de segurança em 2022, com 16 parlamentares. A legenda ampliou esse número para 22 em 2026 e passou a concentrar cerca de 53% dos eleitos desse grupo.

Para Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, a mudança partidária acompanha uma transformação no perfil da chamada bancada da bala.

A presença de policiais na política não é novidade, mas ganhou novas características a partir de 2022. Antes, a atuação desses parlamentares era mais concentrada em reivindicações salariais, condições de trabalho e benefícios profissionais.

"A partir de 22 muda, ganha força esse perfil do policial influencer", afirma. Entre os exemplos citados estão Paulo Bilynskyj (PL-SP), Gilvan da Federal (PL-ES) e Delegado Caveira (PL-PA).

Segundo Carolina, esses parlamentares utilizam espaços como a Comissão de Segurança Pública da Câmara para manifestações políticas e produção de conteúdos destinados às redes sociais, muitas vezes em detrimento da discussão de projetos legislativos.

O especialista em segurança pública Luis Flávio Sapori avalia que o fortalecimento da bancada está relacionado à crescente preocupação dos brasileiros com a criminalidade e à percepção de que os governos não conseguiram apresentar respostas suficientes ao problema.

"Esse fortalecimento, mesmo que parcimonioso, da bancada da bala, revela como o tema da violência se tornou premente e fundamental para a sociedade brasileira", afirma.

Em resumo

O que aconteceu?

A bancada da bala chegará ao Congresso Nacional em 2027 com uma representação de policiais, ex-policiais e militares maior do que a registrada nas eleições de 2018 e 2022, além da promessa de ampliar sua influência sobre a agenda de segurança pública.

Qual é o ponto principal?

Após as eleições deste ano, o grupo pretende concentrar esforços na redução da maioridade penal, no endurecimento das regras de cumprimento de penas e em continuar ocupando espaços estratégicos da Câmara dos Deputados e no Senado, como a Comissão de Segurança Pública.

Quais são os dados mais importantes?

Para especialistas, o resultado eleitoral confirma a consolidação de um grupo político que deixou de atuar apenas na defesa de interesses corporativos das forças policiais e passou a disputar protagonismo na formulação de políticas de segurança pública. Avaliam, porém, que isso não tem se traduzido em resultados concretos no enfrentamento da criminalidade.

Qual é o contexto?

Segundo levantamento da Folha com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 41 candidatos militares ou policiais tiveram êxito nas urnas, ante 35 em 2022 entre deputados federais e senadores. O crescimento foi de 17,14%.

Quais são os próximos desdobramentos?

A contagem considera quem declarou as profissões de policial (civil e militar), bombeiro militar, militar reformado e integrante das Forças Armadas. Pelo nome de urna foram filtradas todas as patentes e ocupações relacionadas a esse universo.

Fontes