Bancada do agro mantém força na Câmara e deve crescer no Senado
Frente parlamentar projeta até 50 senadores alinhados ao setor na próxima legislatura

Um dos setores mais críticos ao governo Lula (PT), o agronegócio reelegeu a maioria dos parlamentares ligados ao campo que concorreram na eleição deste ano para o Congresso e viu nomes ligados ao presidente sucumbirem em estados e posições-chave do segmento.
Além de manter a força na Câmara, a bancada
Além de manter a força na Câmara, a bancada do agro ganhou tração no Senado e a previsão é que cerca de 60% dos 81 senadores que estarão no cargo no próximo ano façam parte da bancada ruralista.
Criada oficialmente em 2002, a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) conta hoje com 349 parlamentares, sendo 302 deputados federais e 47 senadores, e ampliou o alcance no atual governo Lula. Em 2023, eram 287 membros.
A relação com o governo federal foi turbulenta nos últimos anos. O agro afirma não existir uma política agrícola previsível e segura para os produtores rurais e que o campo enfrenta juros elevados, crédito caro e restrito, diminuição dos recursos efetivos de financiamento e um seguro rural insuficiente.
Entre 2021 e o ano passado, despencou a área
Entre 2021 e o ano passado, despencou a área de lavouras protegidas por seguro rural no país, segundo dados da CNSeg (Confederação Nacional das Seguradoras), de 13,7 milhões de hectares de área plantada segurada para 3,2 milhões de hectares no ano passado, queda de 76,6% –95% das apólices feitas por pequenos e médios produtores rurais.
A essa conjuntura, somam-se dificuldades climáticas, alta de custos e redução de margens, o que agravou o endividamento.
Em agosto, ruralistas cobravam a renegociação das dívidas, um mês após MP (Medida Provisória) sobre o tema.
Dias depois, saiu a portaria governamental, mas isso gerou nova queixa, por envolver, conforme os parlamentares, operações que somavam R$ 25,8 bilhões, abaixo dos R$ 100 bilhões anunciados pelo governo e muito aquém dos R$ 197,2 bilhões da chamada "carteira problemática" do setor.
Nem todos os deputados da bancada tentaram reeleição, como o vice-presidente da FPA Arnaldo Jardim (Cidadania), enquanto outros disputaram Senado ou governos estaduais. Mas 67% dos que tentaram reeleição obtiveram novos mandatos nas urnas no último dia 4.
Até aqui, a frente conta com 180 deputados federais eleitos que já integram o grupo. Esse é, aponta o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, o ponto de partida para a nova legislatura, até a adesão de futuros parlamentares.
No Senado, 40 senadores já têm vínculo com a bancada, número que pode chegar a 50, segundo Lupion, superando os 47 atuais.
"Nossa expectativa é ampliar a representatividade, especialmente no Senado, onde podemos chegar à casa dos 50 parlamentares considerando os eleitos com perfis alinhados ao setor.
Na Câmara, existe um espaço importante para novas adesões. O objetivo é manter uma bancada forte, representativa e comprometida com as pautas da agropecuária brasileira", disse.
Das 81 cadeiras do Senado, 54 estavam em disputa neste ano e membros da bancada do agro levaram 24 delas, incluindo nomes como Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e atual primeiro vice-presidente da ACNB (Associação dos Criadores de Nelore do Brasil) —a raça representa 80% do gado de corte do rebanho nacional.
Eleito por São Paulo, André do Prado (PL) deve encorpar a bancada no Senado, assim como Guilherme Derrite (PP), hoje deputado federal e que já faz parte do grupo. No total, 18 atuais deputados foram eleitos senadores.
Lupion disse que o Congresso terá papel crucial para políticas que garantam competitividade e condições para o produtor seguir investindo e produzindo, e que o principal problema com o governo Lula foi a falta de uma política agrícola capaz de oferecer previsibilidade e segurança.
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"Tivemos juros elevados, crédito mais caro e restrito, redução dos recursos efetivamente disponíveis para financiamento e um seguro rural que ficou muito aquém das necessidades do setor."
Presidente da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), Tirso Meirelles afirmou que o próximo Congresso será mais coeso e poderá pensar em planejamento a longo prazo para o setor e o país, e que levou ao vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), críticas sobre a relação do governo com o setor.
"O presidente não poderia tratar o agro dessa forma. Se ele teve as suas preferências, é uma coisa. As preferências mudam. Agora, se radicalizar, chamar nós de fascistas, falar que nós temos que ajoelhar , sabe?
São coisas insanas, né? Óbvio que temos problemas no setor. Tem pessoas que tomam algumas posições erradas? Tem.
Mas aí você tem as ações judiciais [...] Precisaria um jogo de cintura mais no sentido diplomático, trabalhando com a sociedade, um projeto de país, é um ganha-ganha para a sociedade.
Ninguém quer ser melhor que ninguém, radicalismo tanto da esquerda como da direita não vai para lugar nenhum."
Em resumo
Um dos setores mais críticos ao governo Lula (PT), o agronegócio reelegeu a maioria dos parlamentares ligados ao campo que concorreram na eleição deste ano para o Congresso e viu nomes ligados ao presidente sucumbirem em estados e posições-chave do segmento.
Além de manter a força na Câmara, a bancada do agro ganhou tração no Senado e a previsão é que cerca de 60% dos 81 senadores que estarão no cargo no próximo ano façam parte da bancada ruralista.
Criada oficialmente em 2002, a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) conta hoje com 349 parlamentares, sendo 302 deputados federais e 47 senadores, e ampliou o alcance no atual governo Lula. Em 2023, eram 287 membros.
A relação com o governo federal foi turbulenta nos últimos anos. O agro afirma não existir uma política agrícola previsível e segura para os produtores rurais e que o campo enfrenta juros elevados, crédito caro e restrito, diminuição dos recursos efetivos de financiamento e um seguro rural insuficiente.
Entre 2021 e o ano passado, despencou a área de lavouras protegidas por seguro rural no país, segundo dados da CNSeg (Confederação Nacional das Seguradoras), de 13,7 milhões de hectares de área plantada segurada para 3,2 milhões de hectares no ano passado, queda de 76,6% –95% das apólices feitas por pequenos e médios produtores rurais.