Bancos centrais ampliam ouro e reveem custódia
Estimativas do Goldman Sachs apontam compras de 79 toneladas em agosto e uma revisão global dos locais usados para guardar reservas de ouro.

Bancos centrais compraram cerca de 79 toneladas de ouro em agosto de 2026, volume mais de quatro vezes superior à média mensal anterior a 2022. Ao mesmo tempo, autoridades monetárias passaram a distribuir o metal entre diferentes locais de custódia, num movimento associado à diversificação de reservas e aos riscos geopolíticos.
Os números foram publicados pelo InfoMoney nesta sexta-feira (23), com base em estimativas do Goldman Sachs. Uma reportagem específica do UOL, divulgada em 19 de outubro, confirma os volumes, identifica a média histórica de 17 toneladas por mês e detalha as mudanças observadas nos cofres de Nova York e Londres.
Compras aceleram entre emergentes
O cálculo do banco de investimento indica que a média dos três meses encerrados em agosto, após ajuste sazonal, alcançou ritmo próximo de 85 toneladas mensais. A comparação com o período anterior à guerra na Ucrânia mostra que a procura institucional deixou de ser episódica e passou a ocupar espaço constante na administração das reservas internacionais.
A China foi o maior comprador identificado publicamente no levantamento, com aproximadamente 25 toneladas em agosto. O dado não representa toda a demanda mundial, porque parte das aquisições não é divulgada de forma imediata. Por isso, o total estimado pelo Goldman combina informações oficiais com modelos usados para localizar compras que aparecem com atraso nas estatísticas.
Para economias emergentes, o ouro cumpre uma função diferente da observada em muitos países ricos. Bancos centrais podem manter dólares, euros, títulos públicos e outros ativos líquidos; acrescentar metal reduz a dependência de uma única moeda ou jurisdição. A decisão não elimina o dólar das reservas, mas cria uma proteção adicional contra sanções, disputas comerciais e bloqueios de ativos.
O ouro não paga juros e exige armazenamento seguro, o que torna sua manutenção mais cara do que a de alguns títulos. Ainda assim, ele não depende da promessa de pagamento de outro governo. Esse atributo ajuda a explicar a procura em períodos de instabilidade e também impõe limites: a composição das reservas precisa preservar liquidez para intervenções cambiais e obrigações externas.
Custódia passa por revisão
O debate agora inclui onde guardar o patrimônio. Em agosto, o ouro pertencente a bancos centrais estrangeiros e depositado no Federal Reserve de Nova York diminuiu em 40 toneladas. No mesmo período, o estoque sob custódia do Banco da Inglaterra aumentou 46 toneladas, segundo os dados citados pelas duas reportagens.
A coincidência não comprova uma transferência direta dos Estados Unidos para o Reino Unido. Não há rastreamento público que ligue as barras retiradas de um cofre às recebidas pelo outro. O que os números sustentam é uma revisão de risco: países estão avaliando acesso, distância, segurança jurídica e capacidade operacional de cada depositário.
A Holanda ofereceu um exemplo público dessa estratégia ao informar a transferência de 86 toneladas que estavam em Nova York e Ottawa para Londres ao longo de seis meses. Paralelamente, uma pesquisa citada pelo InfoMoney mostrou que 12% dos bancos centrais consultados preferiram não revelar onde mantêm seu ouro, ante 10% no levantamento anterior.
As economias desenvolvidas já possuem estoques elevados e, por isso, compraram menos na onda iniciada em 2022. Para elas, a questão tende a ser a distribuição entre cofres nacionais e centros financeiros internacionais. Nos emergentes, compra e custódia avançam juntas. O Goldman avalia que diversificação, tensões geopolíticas e preocupação com acesso aos ativos devem manter a demanda institucional elevada, sem que isso determine sozinho a cotação do metal.
Em resumo
A estimativa do Goldman Sachs é de aproximadamente 79 toneladas em agosto de 2026.
A média citada era de cerca de 17 toneladas por mês.
A China apareceu como maior compradora divulgada, com cerca de 25 toneladas em agosto.
Os estoques mudaram no mesmo período, mas os dados não comprovam transferência direta entre os dois cofres.
O metal diversifica as reservas e reduz a exposição a moedas, jurisdições e riscos geopolíticos específicos.