Economia · 2026-10-23 · Redação Notícia ES

Bancos centrais ampliam ouro e reveem custódia

Estimativas do Goldman Sachs apontam compras de 79 toneladas em agosto e uma revisão global dos locais usados para guardar reservas de ouro.

Bancos centrais ampliam ouro e reveem custódia
Bancos centrais ampliam ouro e reveem custódia

Bancos centrais compraram cerca de 79 toneladas de ouro em agosto de 2026, volume mais de quatro vezes superior à média mensal anterior a 2022. Ao mesmo tempo, autoridades monetárias passaram a distribuir o metal entre diferentes locais de custódia, num movimento associado à diversificação de reservas e aos riscos geopolíticos.

Os números foram publicados pelo InfoMoney nesta sexta-feira (23), com base em estimativas do Goldman Sachs. Uma reportagem específica do UOL, divulgada em 19 de outubro, confirma os volumes, identifica a média histórica de 17 toneladas por mês e detalha as mudanças observadas nos cofres de Nova York e Londres.

Compras aceleram entre emergentes

O cálculo do banco de investimento indica que a média dos três meses encerrados em agosto, após ajuste sazonal, alcançou ritmo próximo de 85 toneladas mensais. A comparação com o período anterior à guerra na Ucrânia mostra que a procura institucional deixou de ser episódica e passou a ocupar espaço constante na administração das reservas internacionais.

A China foi o maior comprador identificado publicamente no levantamento, com aproximadamente 25 toneladas em agosto. O dado não representa toda a demanda mundial, porque parte das aquisições não é divulgada de forma imediata. Por isso, o total estimado pelo Goldman combina informações oficiais com modelos usados para localizar compras que aparecem com atraso nas estatísticas.

Para economias emergentes, o ouro cumpre uma função diferente da observada em muitos países ricos. Bancos centrais podem manter dólares, euros, títulos públicos e outros ativos líquidos; acrescentar metal reduz a dependência de uma única moeda ou jurisdição. A decisão não elimina o dólar das reservas, mas cria uma proteção adicional contra sanções, disputas comerciais e bloqueios de ativos.

O ouro não paga juros e exige armazenamento seguro, o que torna sua manutenção mais cara do que a de alguns títulos. Ainda assim, ele não depende da promessa de pagamento de outro governo. Esse atributo ajuda a explicar a procura em períodos de instabilidade e também impõe limites: a composição das reservas precisa preservar liquidez para intervenções cambiais e obrigações externas.

Custódia passa por revisão

O debate agora inclui onde guardar o patrimônio. Em agosto, o ouro pertencente a bancos centrais estrangeiros e depositado no Federal Reserve de Nova York diminuiu em 40 toneladas. No mesmo período, o estoque sob custódia do Banco da Inglaterra aumentou 46 toneladas, segundo os dados citados pelas duas reportagens.

A coincidência não comprova uma transferência direta dos Estados Unidos para o Reino Unido. Não há rastreamento público que ligue as barras retiradas de um cofre às recebidas pelo outro. O que os números sustentam é uma revisão de risco: países estão avaliando acesso, distância, segurança jurídica e capacidade operacional de cada depositário.

A Holanda ofereceu um exemplo público dessa estratégia ao informar a transferência de 86 toneladas que estavam em Nova York e Ottawa para Londres ao longo de seis meses. Paralelamente, uma pesquisa citada pelo InfoMoney mostrou que 12% dos bancos centrais consultados preferiram não revelar onde mantêm seu ouro, ante 10% no levantamento anterior.

As economias desenvolvidas já possuem estoques elevados e, por isso, compraram menos na onda iniciada em 2022. Para elas, a questão tende a ser a distribuição entre cofres nacionais e centros financeiros internacionais. Nos emergentes, compra e custódia avançam juntas. O Goldman avalia que diversificação, tensões geopolíticas e preocupação com acesso aos ativos devem manter a demanda institucional elevada, sem que isso determine sozinho a cotação do metal.

Em resumo

Quanto ouro os bancos centrais compraram em agosto?

A estimativa do Goldman Sachs é de aproximadamente 79 toneladas em agosto de 2026.

Qual era a média mensal antes de 2022?

A média citada era de cerca de 17 toneladas por mês.

Qual país liderou as compras identificadas?

A China apareceu como maior compradora divulgada, com cerca de 25 toneladas em agosto.

O ouro de Nova York foi enviado para Londres?

Os estoques mudaram no mesmo período, mas os dados não comprovam transferência direta entre os dois cofres.

Por que bancos centrais compram ouro?

O metal diversifica as reservas e reduz a exposição a moedas, jurisdições e riscos geopolíticos específicos.

Fontes