Política Nacional · 2026-09-10 · Redação Notícia ES

Bastidor explosivo no PL: fontes relatam articulação de Gilvan com Paulinho da Força para chegar a Toffoli

Fontes do PL nacional afirmam que Gilvan mantém contato com Paulinho da Força em busca de influência junto a Dias Toffoli; relato ainda não foi comprovado por documento público.

Bastidor explosivo no PL: fontes relatam articulação de Gilvan com Paulinho da Força para chegar a Toffoli
Relato de fontes internas do PL levanta questionamentos sobre uma possível articulação para manter Gilvan Aguiar Costa na disputa à Câmara

Fontes ligadas à direção nacional do PL afirmam que o deputado federal Gilvan Aguiar Costa mantém contato com Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, para tentar abrir uma ponte política até o ministro Dias Toffoli e obter uma liminar que o mantenha na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. O relato chegou ao Notícia ES em meio ao agravamento da situação eleitoral do parlamentar capixaba, cuja inelegibilidade voltou a produzir efeitos depois da queda de uma decisão provisória que havia permitido o registro de sua candidatura.

A informação sobre a suposta articulação é de bastidor. Ainda assim, o conteúdo do relato é politicamente grave e exige uma resposta clara, sobretudo porque envolve um deputado que construiu sua identidade pública atacando a esquerda, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral.

O caso precisa ser compreendido por duas chaves. A primeira é jurídica e está registrada em decisões judiciais. A segunda é moral e depende da veracidade do bastidor narrado por integrantes do próprio partido. Separar uma dimensão da outra é indispensável. A condenação e seus efeitos podem ser discutidos nos autos. Uma eventual tentativa de alcançar um ministro por meio de influência política, se confirmada, pertence ao campo da coerência, da ética pública e do compromisso assumido com o eleitor.

A condenação que fechou o caminho eleitoral

Gilvan Aguiar Costa é policial federal licenciado e foi eleito deputado federal em 2022 com quase 88 mil votos, a segunda maior votação do Espírito Santo para a Câmara. Sua atual crise eleitoral tem origem em um episódio ocorrido em 2021, quando ele e Camila Valadão exerciam mandato de vereador na Câmara Municipal de Vitória.

Na ocasião, Gilvan mandou a colega calar a boca e a chamou de satanista, assassina de bebês e assassina de crianças. O Ministério Público Eleitoral enquadrou a conduta como violência política de gênero. Em 2024, veio a condenação em primeiro grau. Em dezembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo manteve a sentença por unanimidade.

A confirmação da condenação por um órgão colegiado acionou a regra da Lei da Ficha Limpa e produziu inelegibilidade pelo prazo de oito anos. Esse é o centro jurídico da crise. O impedimento não surgiu às vésperas da eleição nem nasceu de uma movimentação repentina em 2026. O processo percorreu instâncias e chegou ao atual calendário eleitoral carregando uma decisão unânime do TRE-ES.

O parlamentar também acumulou outros conflitos judiciais e políticos. Houve condenação criminal por transfobia, suspensão de três meses no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e ação no Supremo Tribunal Federal relacionada a ofensas ao comandante do Exército e a uma declaração em que desejou a morte de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em julho de 2026, o ministro Nunes Marques concedeu uma liminar que permitiu a Gilvan registrar sua candidatura. A decisão era provisória. Em 26 de agosto, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva analisou o mérito, negou o habeas corpus e derrubou a liminar. Com isso, a inelegibilidade voltou a produzir efeitos.

Até esse ponto, há uma sequência jurídica objetiva: condenação em primeiro grau, confirmação unânime pelo TRE-ES, incidência da Ficha Limpa, autorização provisória para o registro e posterior revogação da medida. O relato sobre Paulinho da Força e Dias Toffoli começa exatamente onde terminam os fatos documentados apresentados a esta reportagem.

O bastidor que atravessa a fronteira ideológica

Segundo as fontes do PL nacional, Gilvan estaria buscando Paulinho da Força para que o sindicalista utilizasse sua influência junto a Dias Toffoli na tentativa de viabilizar uma nova liminar. Se verdadeira, a movimentação colocaria no mesmo enredo três personagens que, publicamente, ocupam posições muito diferentes.

Gilvan se apresenta como representante da direita mais combativa. Paulinho da Força preside o Solidariedade, legenda de origem sindical e historicamente ligada à esquerda e ao universo das centrais. Toffoli foi advogado-geral da União durante o governo Lula e ocupa uma cadeira no Tribunal Superior Eleitoral.

Uma aproximação política entre adversários não configura, por si só, irregularidade. A política institucional exige diálogo e permite convergências pontuais. O problema descrito pelas fontes seria outro: a possível utilização de uma ponte partidária para tentar influenciar o resultado de uma causa individual, destinada a preservar a candidatura de um parlamentar.

Se houve apenas conversa política, cabe explicar seu conteúdo. Se houve pedido de apoio jurídico ou institucional por vias regulares, também é possível esclarecê-lo. Se o contato nunca existiu, um desmentido direto encerra a acusação. Mas, caso tenha ocorrido uma tentativa de fazer chegar ao gabinete de um ministro um pedido sustentado por relações pessoais ou influência partidária, a questão ultrapassa a estratégia eleitoral.

Nesse cenário, a palavra adequada seria fisiologismo: a troca da coerência pública pela conveniência privada do poder. E a contradição seria impossível de esconder.

O contrato moral firmado com o eleitor

Gilvan construiu seu nome falando grosso contra aquilo que chama de sistema. Atacou o STF, confrontou o TSE, escolheu a esquerda como adversária permanente e apresentou a própria atuação como uma trincheira moral. Ao eleitor conservador capixaba, entregou uma mensagem de intransigência: não faria o jogo dos mesmos grupos que denunciava no microfone.

Esse discurso produziu um contrato político implícito. Quem depositou o voto esperava resistência, inclusive quando a pressão chegasse ao próprio mandato. A coerência dessa promessa é testada quando o risco deixa de atingir aliados e alcança pessoalmente quem fez o discurso.

Depois da condenação colegiada e da queda da liminar, o caminho institucional continua aberto: recorrer, discutir provas, questionar a tipificação, contestar a proporcionalidade da pena e buscar uma decisão judicial favorável pelos instrumentos previstos em lei. Recurso é direito de qualquer cidadão. Defesa técnica não é favor político.

A eventual busca de uma ponte informal para influenciar um ministro seria de outra natureza. Ela significaria recorrer ao trânsito político de um dirigente situado no campo ideológico que o deputado passou anos combatendo. O contraste se torna ainda mais profundo porque a finalidade relatada não seria aprovar uma pauta de interesse público ou defender o Espírito Santo. Seria salvar a própria candidatura.

O mandato pertence ao eleitor, não ao parlamentar. A votação recebida em 2022 não transformou a cadeira em patrimônio pessoal. Ela confiou ao deputado uma representação temporária, condicionada às leis e aos princípios que ele próprio afirmou defender.

A régua que a direita aplica aos adversários

O campo conservador costuma reagir com dureza quando um integrante da esquerda procura o centro político para escapar de uma crise. Quando aliados do governo buscam ministros ou negociam apoio para conter os efeitos de processos, a denúncia é imediata: conluio, proteção, influência e uso do sistema em benefício próprio.

Essa régua perde legitimidade se for abandonada no instante em que o acusado veste a camisa da direita. Princípio aplicado apenas ao adversário deixa de ser princípio. Torna-se ferramenta de ocasião.

Se o relato das fontes estiver correto, a defesa de Gilvan exigiria que seus eleitores aceitassem exatamente o método que aprenderam a condenar: a aproximação com o campo adversário para tentar obter uma saída pessoal em tribunal superior. A consequência seria corrosiva. O discurso contra o sistema passaria a valer apenas enquanto o sistema não fosse necessário para garantir a sobrevivência eleitoral de quem o ataca.

Há também um peso especial para a parcela do eleitorado que vota orientada por valores cristãos e pela defesa de uma vida pública coerente. Ética não é enfeite de campanha. Ela aparece quando cumprir o que se prometeu custa caro. É justamente no risco da perda que a convicção deixa de ser frase e passa a ser conduta.

Se a permanência na disputa depende do mesmo tipo de articulação de bastidor denunciado nos palanques, o eleitor não terá sido apenas contrariado. Terá sido usado como tropa de mobilização para sustentar uma personagem pública diferente daquela que age quando as portas se fecham.

O cálculo do PL e o peso de um puxador de votos

A situação também produz um problema eleitoral para o PL capixaba. Gilvan foi um dos nomes mais votados do Espírito Santo em 2022 e representa um ativo importante para a chapa federal. Sua ausência da urna ameaça retirar do partido um puxador de votos e alterar o cálculo de cadeiras na Câmara.

Esse interesse explica a pressa e a movimentação interna. Fontes partidárias já tratam a inelegibilidade como um risco concreto, quase consumado, caso uma nova decisão não reverta o cenário. A pressão do calendário eleitoral aumenta a disposição para encontrar uma saída rápida.

Mas a necessidade partidária não absolve qualquer método. Um partido que se apresenta como alternativa moral não pode medir a qualidade de seus candidatos apenas pela capacidade de acumular votos. A ficha jurídica, a coerência e a forma de enfrentar derrotas também integram o valor político de uma candidatura.

Se uma chapa depende de um nome mantido apenas por decisões provisórias sucessivas, sua fragilidade antecede a votação. Um candidato com menor potencial eleitoral, mas sem a mesma pendência, pode oferecer ao partido uma base mais sólida do que um grande puxador cuja presença na urna depende de uma corrida contra decisões colegiadas.

Defesa judicial é legítima; influência precisa ser esclarecida

Há espaço legítimo para defender Gilvan no mérito. Seus advogados podem argumentar sobre prova, enquadramento legal, competência, extensão da pena e aplicação da inelegibilidade. Podem recorrer às instâncias superiores e pedir medidas urgentes. É assim que o sistema de Justiça funciona.

O ponto levantado pelas fontes não questiona o direito de recorrer. Questiona o método político que teria sido escolhido para alcançar uma decisão. Uma petição protocolada, sustentada por argumentos e submetida ao contraditório é diferente de um pedido de influência dirigido por terceiros a quem julga.

Por isso, o relato não pode ser encerrado com a palavra “estratégia”. O eleitor tem o direito de saber se houve contato com Paulinho da Força, qual foi o teor da conversa e se Dias Toffoli foi procurado direta ou indiretamente para tratar da candidatura.

A resposta precisa ser objetiva. O deputado pode negar a articulação, reconhecer apenas um contato sem relação com o processo ou explicar publicamente os motivos da aproximação. O silêncio deixaria o terreno livre para a versão que circula dentro do próprio PL.

O teste final de coerência

A política brasileira está repleta de discursos inflamados que desaparecem diante da ameaça de perda de poder. Parlamentares constroem reputações atacando acordos, tribunais e adversários, mas descobrem caminhos inesperados de conciliação quando o próprio nome corre risco.

É por isso que o bastidor relatado importa, mesmo antes de aparecer em papel assinado. Ele oferece a Gilvan a oportunidade de esclarecer publicamente sua conduta. Se a informação for falsa, o deputado pode desmenti-la de forma inequívoca. Se for verdadeira, sua base terá o direito de julgar se aceita que a cadeira justifique a travessia de todas as fronteiras discursivas.

O caso não trata apenas da presença de um nome na urna. Trata do valor da palavra empenhada ao eleitor. Para a direita capixaba, a pergunta permanece aberta: até onde pode ir um político que se apresenta como inimigo do sistema quando o próprio mandato passa a depender de uma porta aberta dentro dele?

Quando a cadeira balança, o discurso perde o microfone e o caráter entra sozinho na sala.

Em resumo

O que fontes do PL afirmam sobre Gilvan?

Fontes ligadas à direção nacional do PL afirmam que Gilvan mantém contato com Paulinho da Força para tentar abrir uma ponte política até Dias Toffoli e obter uma liminar que o mantenha na disputa.

A articulação foi comprovada?

A informação foi apresentada como relato de bastidor.

Por que Gilvan está inelegível?

A condenação por violência política de gênero foi mantida por unanimidade pelo TRE-ES, produzindo os efeitos previstos na Lei da Ficha Limpa.

Gilvan ainda pode recorrer?

Sim. A reportagem distingue o direito de apresentar recursos e pedidos judiciais regulares de uma eventual tentativa de obter influência política sobre quem julga.