Economia · 2026-11-04 · Redação Notícia ES

BC decide juros em meio à queda de braço entre governo e o mercado

Agentes econômicos passaram a projetar Selic e inflação maiores nos próximos anos com incertezas fiscais sobre Lula 4 e elevação do prêmio de risco

BC decide juros em meio à queda de braço entre governo e o mercado
BC decide juros em meio à queda de braço entre governo e o mercado

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulga na noite desta quarta-feira (4) sua decisão para a taxa básica de juros do país, a Selic.

Dados e contexto do setor

E às vésperas da reunião, o debate sobre as altas taxas de juros praticadas no Brasil acalorou devido às divergências entre o governo federal e o mercado financeiro.

Até o final de outubro, o mercado vinha trabalhando com expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual neste encontro, levando a Selic de 13,75% a 13,5%. O boletim Focus ainda projetava um reajuste final em dezembro, fazendo a taxa básica encerrar o ano em 13,25%.

Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, os agentes econômicos começaram a recalcular a rota considerando incertezas fiscais, o prêmio de risco embutido ao país, a desvalorização do real e possíveis choques inflacionários vindouros.

Impactos e informações adicionais

Do outro lado, a gestão petista - que tem histórico de questionar a alta de juros pelo BC - se vê em meio a um impasse: o governo ainda não apontou qual será seu tratamento para as contas públicas e quem será o novo titular do Ministério da Fazenda, o que aumenta a incerteza no mercado .

Não obstante, a bolsa derreteu 18% na semana pós-eleição e seguiu em queda na terça-feira (3) após uma pausa no Dia de Finados. Nessa linha, os juros futuros subiram ao longo de toda a curva com os temores sobre rumos da economia no governo Lula 4 .

Mas enquanto o mercado reage com especulação, o BC deve se manter atento e cauteloso, alerta Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos.

"A transição pós-campanha introduz uma incerteza que o Copom não pode ignorar, ainda que não deva reagir a especulações antes que elas se materializem em política econômica", escreve Simioni, ressaltando que o radar está de olho em quem será o chefe da equipe econômica de Lula 4.

"A lógica é simples: se o novo governo mantiver disciplina fiscal, preservar metas críveis e evitar expansão adicional de gastos ou renúncias de receita, o BCB terá mais espaço para prosseguir com cortes graduais.

Agora, ao contrário, caso venha a prevalecer estímulos à demanda, ampliações de subsídios, pressões por crédito direcionado ou flexibilização de regras fiscais, o efeito será duplo: a demanda agregada ganhará fôlego justamente quando a inflação de serviços ainda não cedeu, e o prêmio de risco fiscal tenderá a elevar o custo de financiamento da economia", pontua.

Com calculadora e planilhas em mãos, o mercado refez as contas e passou a projetar um cenário mais duro para inflação e juros , como adiantado pelo CNN Money .

Os contratos de opções de Copom negociados na B3 apontam que mais de 70% dos investidores estão se posicionando considerando a manutenção da Selic em 13,75%.

E o boletim Focus apurado pelo próprio BC já começa a refletir a virada das expectativas: a mediana do mercado já aponta taxas e preços mais elevados até 2030 .

A tese mais aceita no mercado e entre economistas ortodoxos é de que os juros vão se manter elevados à medida que a dívida pública continuar subindo. Nesse sentido, vem a cobrança dos agentes econômicos por uma política de ajuste fiscal crível por parte do governo.

A tensão se acentuou quando começaram a circular rumores de que Lula se reuniria com André Lara Resende, um dos "pais" do Plano Real.

Em setembro, artigo do economista discutia a redução de juros como caminho para conter o crescimento da dívida e propunha a criação de um comitê para tratar políticas fiscal e monetária concomitantemente.

Além disso, Lara Resende acusava "interesses" por trás das taxas elevadas do país.

Mesmo com o mercado parado no feriado, a discussão escalou nas redes sociais, envolvendo desde influenciadores de finanças até quadros do Partido dos Trabalhadores.

"Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo. [...] Isso explica o nervosismo, apreensão, pânico, seja lá o que for, de seus agentes, pela simples notícia de que o presidente Lula poderia receber o economista André Lara Resende pra uma conversa.

Membros do governo já disseram que não tem nada disso. E se tivesse, qual é o problema?

[...] Conversar, ouvir, é o básico da democracia, que defendemos e foi vitoriosa nas urnas", escreveu a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) no X .

À CNN Brasil , o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o encontro estivesse sendo organizado.

Em resumo

O que aconteceu?

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulga na noite desta quarta-feira (4) sua decisão para a taxa básica de juros do país, a Selic. E às vésperas da reunião, o debate sobre as altas taxas de juros praticadas no Brasil acalorou devido às divergências entre o governo federal e o mercado financeiro.

Qual é o ponto principal?

Até o final de outubro, o mercado vinha trabalhando com expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual neste encontro, levando a Selic de 13,75% a 13,5%. O boletim Focus ainda projetava um reajuste final em dezembro, fazendo a taxa básica encerrar o ano em 13,25%.

Quais são os dados mais importantes?

Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, os agentes econômicos começaram a recalcular a rota considerando incertezas fiscais, o prêmio de risco embutido ao país, a desvalorização do real e possíveis choques inflacionários vindouros.

Qual é o contexto?

Do outro lado, a gestão petista - que tem histórico de questionar a alta de juros pelo BC - se vê em meio a um impasse: o governo ainda não apontou qual será seu tratamento para as contas públicas e quem será o novo titular do Ministério da Fazenda, o que aumenta a incerteza no mercado .

Quais são os próximos desdobramentos?

Não obstante, a bolsa derreteu 18% na semana pós-eleição e seguiu em queda na terça-feira (3) após uma pausa no Dia de Finados. Nessa linha, os juros futuros subiram ao longo de toda a curva com os temores sobre rumos da economia no governo Lula 4 .

Fontes