Segurança Pública · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Apontado como líder do PCC no ABC é preso na Bolívia e levado a SP

Márcio Barbosa da Silva, conhecido como Beiço de Mula, desembarcou em Guarulhos após operação conjunta de autoridades brasileiras e bolivianas.

Apontado como líder do PCC no ABC é preso na Bolívia e levado a SP
Márcio Barbosa da Silva, conhecido como Beiço de Mula, é apontado em investigações como integrante do núcleo político do PCC. Crédito: Reprodução/UOL.

Operação conjunta terminou com transferência a Guarulhos

Márcio Barbosa da Silva, conhecido como “Beiço de Mula” e apontado pelas autoridades como líder do Primeiro Comando da Capital no ABC Paulista, foi transferido da Bolívia para São Paulo na segunda-feira, 21 de setembro. Ele havia sido preso no sábado, 19, em Santa Cruz de la Sierra. A captura reuniu a Polícia Civil paulista, a Polícia Federal e a força boliviana de combate ao narcotráfico, a FELCN.

O investigado viajou em voo comercial e desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou ao UOL que ele seria mantido inicialmente na Divisão de Capturas da Polícia Civil e depois encaminhado a uma unidade prisional. As autoridades não detalharam publicamente as medidas de segurança da transferência nem o presídio de destino.

A prisão no exterior e o retorno ao Brasil envolvem checagem de identidade, cumprimento de ordens judiciais e coordenação entre países. O caso ilustra a importância da cooperação policial internacional quando um procurado deixa o território nacional. A forma jurídica usada para a entrega não foi detalhada nas informações divulgadas até a noite de segunda-feira.

Nome aparece em investigações sobre infiltração política

Márcio é citado em denúncia do Ministério Público de São Paulo que apura a suposta atuação do PCC no setor de transporte coletivo da capital. O procedimento levou à prisão do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite. O político nega ligação com a facção e contesta as acusações. A referência ao investigado em mensagens interceptadas integra o material apresentado pelos promotores.

Em um dos trechos descritos na denúncia, interlocutores mencionam a tentativa de falar com Márcio; em outro, um integrante da facção afirma ter recebido uma ligação de “Beiço”. O conteúdo dessa chamada não foi informado. Mensagens precisam ser analisadas em conjunto com outras provas, e a participação criminal de cada acusado será examinada individualmente pela Justiça.

A Polícia Civil também relaciona o nome de Márcio à investigação do ex-vereador de Santo André Thiago Rocha, preso em abril. A apuração sustenta que a organização buscava aproximar integrantes do poder público e candidaturas municipais. A defesa de Rocha não havia sido localizada pela reportagem responsável pela informação. A companheira de Márcio, que ocupava cargo comissionado em São Bernardo do Campo, também é investigada.

Investigar possível infiltração política exige separar relações institucionais, contatos pessoais e condutas criminosas. Reuniões, telefonemas ou menções isoladas não bastam para condenação. Promotores e policiais precisam demonstrar vínculo consciente com a organização e atos previstos em lei. Os acusados têm direito de conhecer as provas, apresentar contrapontos e recorrer das decisões.

Custódia abre nova fase da apuração

Com o investigado no Brasil, a Justiça pode realizar audiência de custódia, conferir as ordens em vigor e decidir sobre o local de detenção. A defesa poderá questionar a legalidade dos procedimentos e pedir acesso aos autos. A prisão cautelar não equivale a condenação; sua manutenção depende dos fundamentos reconhecidos pelo Judiciário.

A Polícia Federal e a Polícia Civil ainda podem interrogar Márcio, mediante respeito ao direito ao silêncio e à presença de advogado. Também será possível confrontar dispositivos, documentos e comunicações apreendidos com dados de outros investigados. A cadeia de custódia do material digital é essencial para assegurar autenticidade e permitir perícia independente.

As defesas de Márcio e de Thiago Rocha não foram localizadas pelo UOL até a atualização consultada. O espaço para manifestação deve permanecer aberto. Milton Leite, citado no contexto da investigação, nega envolvimento com o crime organizado. Atribuir corretamente cada alegação evita transformar uma investigação ainda em curso em sentença antecipada.

Os próximos passos dependem dos mandados e processos aos quais Márcio está vinculado. Ministério Público, polícia e Judiciário deverão informar acusações formais, competência e prazos. A captura reduz o risco de fuga apontado pelas autoridades, mas a confirmação das suspeitas virá apenas com provas submetidas ao contraditório e decisões judiciais fundamentadas.

A cooperação com a Bolívia poderá continuar caso existam apreensões, depoimentos ou registros produzidos naquele país. Para serem usados no processo brasileiro, esses elementos precisam chegar por canais legais e ter origem documentada.

Em resumo

Quem foi preso?

Márcio Barbosa da Silva, conhecido como Beiço de Mula.

Onde ocorreu a prisão?

Em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em 19 de setembro.

Quem participou da operação?

Polícia Civil de São Paulo, Polícia Federal e a força boliviana FELCN.

Para onde ele foi levado?

Desembarcou em Guarulhos e ficou inicialmente sob custódia da Divisão de Capturas.

Por que o nome aparece em investigações?

Ele é citado em apurações sobre o PCC e suposta infiltração no setor público e político.

A prisão significa condenação?

Não. A culpa depende do processo, das provas e de decisão judicial.

Fontes