Economia · 2026-10-30 · Redação Notícia ES

Bolsa tem 5ª maior queda desde Plano Real após reeleição de Lula

Ibovespa despenca 18,12% na semana, iguala perda de 2001 e dólar sobe 9,03%; analistas alertam efeitos sobre PIB e inflação.

Bolsa tem 5ª maior queda desde Plano Real após reeleição de Lula
Bolsa tem 5ª maior queda desde Plano Real após reeleição de Lula

Ibovespa despenca 18,12% na semana, iguala perda de 2001 e dólar sobe 9,03%; analistas alertam para efeitos sobre PIB e inflação

Os números do levantamento

O Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de 18,12% na 1ª semana depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Foi a 5ª maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. O dólar comercial acumulou alta de 9,03% no mesmo período.

Nesta 6ª feira (30.out.2026), o Ibovespa encerrou as negociações aos 167.921,80 pontos, com queda de 0,75% ante o pregão anterior. O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,444, com alta de 1,05% no dia.

Impactos e informações adicionais

Em relação à última 6ª feira (23.out), último pregão antes do 2º turno das eleições presidenciais, a Bolsa perdeu 37.160,76 pontos. No mesmo intervalo, o dólar passou de R$ 4,9931 para R$ 5,444, valorização de 9,03%.

A maior reação se deu na 2ª feira (26.out), 1º pregão depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O Ibovespa caiu 13,88%, enquanto o dólar avançou 8,21%.

O movimento refletiu uma forte revisão das expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica e a situação fiscal do país.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a reação do mercado foi uma correção de posições . Segundo ele, os investidores haviam precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro e o resultado das urnas provocou uma mudança nas apostas do mercado financeiro.

A sequência de perdas mostrou que a reação negativa não ficou restrita ao 1º pregão. O Ibovespa recuou em todos os 5 dias de negociação depois da eleição, enquanto o dólar permaneceu acima de R$ 5,30.

Segundo a análise da Elos Ayta, parte dos investidores havia incorporado aos preços dos ativos a possibilidade de mudança na condução da política econômica.

A reeleição de Lula contrariou essas expectativas e provocou uma correção das ações, acompanhada pela elevação da percepção de risco fiscal.

A queda desta semana ficou só 0,76 ponto percentual abaixo da registrada em março de 2020, durante o início da pandemia.

A comparação evidencia a intensidade da reação dos investidores ao resultado eleitoral, embora os acontecimentos tenham origens e consequências econômicas distintas.

A deterioração das condições financeiras pode ter efeitos sobre a economia real caso os juros e o câmbio permaneçam nos patamares registrados depois da eleição.

O cenário é especialmente sensível para 2027. Antes da votação, o Boletim Focus indicava crescimento de 1,31% para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no próximo ano, segundo levantamento citado por Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.

A manutenção dos juros futuros de longo prazo acima de 15% e do dólar próximo de R$ 5,35 tende a encarecer financiamentos, máquinas e insumos importados. Com isso, empresas podem adiar investimentos e projetos de expansão.

André Matos, CEO da MA7 Capital, estima que, nessas condições, o investimento produtivo poderá crescer entre 0% e 1% em 2027, ou até recuar se a incerteza persistir. O crescimento econômico, anteriormente projetado em 1,3%, poderia ficar abaixo de 1%.

O câmbio também representa um risco para a inflação. Segundo Matos, uma desvalorização persistente do real pode acrescentar de 0,4 a 0,8 ponto percentual ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2027.

Outra estimativa, de André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, indica que a deterioração das condições financeiras poderia retirar de 0,3 a 0,6 ponto percentual do crescimento do PIB.

A inflação acumulada até 2028 poderia receber um acréscimo de 0,3 a 0,7 ponto percentual em um cenário de câmbio persistentemente depreciado.

Em resumo

O que aconteceu?

Ibovespa despenca 18,12% na semana, iguala perda de 2001 e dólar sobe 9,03%; analistas alertam para efeitos sobre PIB e inflação

Qual é o ponto principal?

O Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de 18,12% na 1ª semana depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foi a 5ª maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. O dólar comercial acumulou alta de 9,03% no mesmo período.

Quais são os dados mais importantes?

Nesta 6ª feira (30.out.2026), o Ibovespa encerrou as negociações aos 167.921,80 pontos, com queda de 0,75% ante o pregão anterior. O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,444, com alta de 1,05% no dia.

Qual é o contexto?

Em relação à última 6ª feira (23.out), último pregão antes do 2º turno das eleições presidenciais, a Bolsa perdeu 37.160,76 pontos. No mesmo intervalo, o dólar passou de R$ 4,9931 para R$ 5,444, valorização de 9,03%.

Quais são os próximos desdobramentos?

A maior reação se deu na 2ª feira (26.out), 1º pregão depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O Ibovespa caiu 13,88%, enquanto o dólar avançou 8,21%. O movimento refletiu uma forte revisão das expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica e a situação fiscal do país.

Fontes