Bolsa tem 5ª maior queda desde Plano Real após reeleição de Lula
Ibovespa despenca 18,12% na semana, iguala perda de 2001 e dólar sobe 9,03%; analistas alertam efeitos sobre PIB e inflação.

Ibovespa despenca 18,12% na semana, iguala perda de 2001 e dólar sobe 9,03%; analistas alertam para efeitos sobre PIB e inflação
Os números do levantamento
O Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de 18,12% na 1ª semana depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Foi a 5ª maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. O dólar comercial acumulou alta de 9,03% no mesmo período.
Nesta 6ª feira (30.out.2026), o Ibovespa encerrou as negociações aos 167.921,80 pontos, com queda de 0,75% ante o pregão anterior. O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,444, com alta de 1,05% no dia.
Impactos e informações adicionais
Em relação à última 6ª feira (23.out), último pregão antes do 2º turno das eleições presidenciais, a Bolsa perdeu 37.160,76 pontos. No mesmo intervalo, o dólar passou de R$ 4,9931 para R$ 5,444, valorização de 9,03%.
A maior reação se deu na 2ª feira (26.out), 1º pregão depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O Ibovespa caiu 13,88%, enquanto o dólar avançou 8,21%.
O movimento refletiu uma forte revisão das expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica e a situação fiscal do país.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a reação do mercado foi uma correção de posições . Segundo ele, os investidores haviam precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro e o resultado das urnas provocou uma mudança nas apostas do mercado financeiro.
A sequência de perdas mostrou que a reação negativa não ficou restrita ao 1º pregão. O Ibovespa recuou em todos os 5 dias de negociação depois da eleição, enquanto o dólar permaneceu acima de R$ 5,30.
Segundo a análise da Elos Ayta, parte dos investidores havia incorporado aos preços dos ativos a possibilidade de mudança na condução da política econômica.
A reeleição de Lula contrariou essas expectativas e provocou uma correção das ações, acompanhada pela elevação da percepção de risco fiscal.
A queda desta semana ficou só 0,76 ponto percentual abaixo da registrada em março de 2020, durante o início da pandemia.
A comparação evidencia a intensidade da reação dos investidores ao resultado eleitoral, embora os acontecimentos tenham origens e consequências econômicas distintas.
A deterioração das condições financeiras pode ter efeitos sobre a economia real caso os juros e o câmbio permaneçam nos patamares registrados depois da eleição.
O cenário é especialmente sensível para 2027. Antes da votação, o Boletim Focus indicava crescimento de 1,31% para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no próximo ano, segundo levantamento citado por Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.
A manutenção dos juros futuros de longo prazo acima de 15% e do dólar próximo de R$ 5,35 tende a encarecer financiamentos, máquinas e insumos importados. Com isso, empresas podem adiar investimentos e projetos de expansão.
André Matos, CEO da MA7 Capital, estima que, nessas condições, o investimento produtivo poderá crescer entre 0% e 1% em 2027, ou até recuar se a incerteza persistir. O crescimento econômico, anteriormente projetado em 1,3%, poderia ficar abaixo de 1%.
O câmbio também representa um risco para a inflação. Segundo Matos, uma desvalorização persistente do real pode acrescentar de 0,4 a 0,8 ponto percentual ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2027.
Outra estimativa, de André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, indica que a deterioração das condições financeiras poderia retirar de 0,3 a 0,6 ponto percentual do crescimento do PIB.
A inflação acumulada até 2028 poderia receber um acréscimo de 0,3 a 0,7 ponto percentual em um cenário de câmbio persistentemente depreciado.
Em resumo
Ibovespa despenca 18,12% na semana, iguala perda de 2001 e dólar sobe 9,03%; analistas alertam para efeitos sobre PIB e inflação
O Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de 18,12% na 1ª semana depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foi a 5ª maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. O dólar comercial acumulou alta de 9,03% no mesmo período.
Nesta 6ª feira (30.out.2026), o Ibovespa encerrou as negociações aos 167.921,80 pontos, com queda de 0,75% ante o pregão anterior. O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,444, com alta de 1,05% no dia.
Em relação à última 6ª feira (23.out), último pregão antes do 2º turno das eleições presidenciais, a Bolsa perdeu 37.160,76 pontos. No mesmo intervalo, o dólar passou de R$ 4,9931 para R$ 5,444, valorização de 9,03%.
A maior reação se deu na 2ª feira (26.out), 1º pregão depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O Ibovespa caiu 13,88%, enquanto o dólar avançou 8,21%. O movimento refletiu uma forte revisão das expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica e a situação fiscal do país.