Boulos cita R$ 600 bi em desonerações e fala em ‘chantagem’ do mercado
Guilherme Boulos critica a pressão do mercado por ajuste fiscal e defende cortes em desonerações, supersalários e privilégios.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL) , afirmou ver uma “chantagem do mercado” na pressão por ajuste fiscal no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu que eventuais cortes sejam direcionados a privilégios, e não a políticas que atinjam a população mais pobre.
Dados e contexto do setor
Em entrevista à Folha de S.Paulo , publicada neste sábado (31), Boulos colocou entre as medidas a serem discutidas a revisão de desonerações fiscais, o enfrentamento de supersalários e mudanças nas emendas parlamentares.
“Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia”, afirmou.
A declaração ocorre em meio à intensificação do debate sobre o ajuste fiscal no quarto mandato de Lula , após a reeleição do presidente no último domingo (25).
Impactos e informações adicionais
Candidato derrotado, sugere que poderia ocorrer uma eventual cassação da chapa Lula-Geraldo Alckmin
Segundo Boulos, um eventual ajuste deve priorizar benefícios e distorções que pressionam as contas públicas, em vez de recair sobre áreas como saúde, educação e políticas destinadas à população de menor renda.
“O corte que queremos é em privilégios: temos quase R$ 600 bilhões por ano em desonerações fiscais”, afirmou.
A ordem de grandeza citada pelo ministro encontra respaldo nos dados oficiais. O Tribunal de Contas da União (TCU) estima os gastos tributários de 2026 em mais de R$ 600 bilhões.
Boulos também citou os supersalários no setor público e as emendas parlamentares entre os temas que, em sua avaliação, deveriam entrar na discussão.
Ao tratar das emendas, afirmou: “Só aí tem R$ 61 bilhões.”
O Orçamento de 2026 prevê aproximadamente R$ 61 bilhões em emendas parlamentares . Desse total, segundo dados oficiais, R$ 37,8 bilhões correspondem a emendas impositivas — aquelas cujo pagamento é obrigatório.
A discussão ocorre em um cenário de avanço do endividamento público e aumento da pressão para que o governo apresente medidas capazes de estabilizar a trajetória da dívida.
Na entrevista à Folha , foi destacado que a dívida bruta passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim de 2022 para 82,5% em julho de 2026 .
Dados mais recentes do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em setembro , equivalente a R$ 11,1 trilhões. O percentual ficou estável em relação a agosto, mas acumula alta de 4,3 pontos percentuais do PIB no ano.
A questão fiscal ganhou ainda mais peso após a eleição. Bancos, gestores e agências de classificação de risco têm cobrado maior clareza sobre as medidas que serão adotadas pelo novo governo.
A Fitch, por exemplo, alertou para o aumento das incertezas fiscais após a reeleição de Lula , enquanto o UBS apontou que investidores devem buscar medidas concretas e quantificadas antes de uma melhora mais consistente da percepção sobre os ativos brasileiros.
Em resumo
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL) , afirmou ver uma “chantagem do mercado” na pressão por ajuste fiscal no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu que eventuais cortes sejam direcionados a privilégios, e não a políticas que atinjam a população mais pobre.
Em entrevista à Folha de S.Paulo , publicada neste sábado (31), Boulos colocou entre as medidas a serem discutidas a revisão de desonerações fiscais, o enfrentamento de supersalários e mudanças nas emendas parlamentares.
“Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia”, afirmou.
A declaração ocorre em meio à intensificação do debate sobre o ajuste fiscal no quarto mandato de Lula , após a reeleição do presidente no último domingo (25).
Candidato derrotado, sugere que poderia ocorrer uma eventual cassação da chapa Lula-Geraldo Alckmin