Brasil e EUA abrem negociação para reduzir tarifas
Representantes dos dois governos criaram um grupo de trabalho para discutir um acordo comercial, mas as sobretaxas sobre produtos brasileiros continuam em vigor.

Brasil e Estados Unidos decidiram nesta quarta-feira, 30 de setembro, criar um grupo de trabalho dedicado à negociação de um possível acordo comercial. A medida foi acertada em Milwaukee, nos Estados Unidos, durante encontro entre ministros brasileiros e o representante comercial norte-americano, sem redução imediata das tarifas que atingem exportações do país.
A informação foi publicada pela Veja e confirmada pela Agência Brasil e pela Folha de S.Paulo. Participaram da conversa o chanceler Mauro Vieira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, à margem da reunião de ministros do Comércio do G20.
O resultado concreto do encontro foi a criação da nova mesa de negociação. O governo norte-americano deverá encaminhar nas próximas semanas uma proposta para definir o alcance dos trabalhos, incluindo barreiras tarifárias e questões não tarifárias. Até esse documento chegar, ainda não há cronograma para concluir um acordo nem relação de produtos que poderiam receber tratamento diferente.
Grupo terá agenda comercial
A nova instância terá finalidade distinta do mecanismo ligado à investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação norte-americana. Aquela apuração envolveu temas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso do etanol dos Estados Unidos ao mercado brasileiro e regras ambientais.
Segundo o comunicado conjunto dos ministérios brasileiros, os dois lados classificaram a reunião como construtiva e demonstraram interesse em acelerar as próximas etapas. O Brasil declarou que pretende buscar soluções negociadas e ampliar oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países. A formulação, porém, expressa disposição política e não representa compromisso firmado sobre alíquotas.
O encontro presencial dá continuidade à reaproximação iniciada depois de uma conversa telefônica entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto. Dez dias depois daquele telefonema, equipes dos dois governos participaram de uma reunião virtual. A agenda em Milwaukee serviu para organizar a interlocução técnica e definir quem conduzirá a próxima fase.
Tarifas ainda seguem vigentes
As sobretaxas permanecem como principal obstáculo. Em julho, Washington anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros e outra cobrança de 12,5% relacionada à política norte-americana contra mercadorias associadas a trabalho forçado. Somadas, as medidas chegam a 37,5% nos itens alcançados, embora não incidam sobre toda a pauta exportadora do Brasil.
A reunião de quarta-feira não eliminou nenhuma dessas cobranças. Para exportadores, isso significa que as condições atuais continuam valendo enquanto os governos discutem o formato do grupo e eventuais concessões. Uma negociação comercial pode envolver não apenas redução de alíquotas, mas também acesso a mercados, padrões técnicos, propriedade intelectual e outras regras que afetam a entrada de produtos.
O próximo marco verificável será o envio da proposta norte-americana sobre o escopo das conversas. Depois disso, as equipes precisarão definir prioridades, calendário e critérios para medir avanços. Até que haja anúncio formal, a criação do grupo deve ser entendida como abertura de um canal específico de negociação, e não como acordo concluído ou promessa de retirada integral das tarifas.
Em resumo
Os dois governos criaram um grupo de trabalho para discutir um possível acordo comercial e organizar a negociação de temas tarifários e não tarifários.
Não. As sobretaxas norte-americanas continuam em vigor e a reunião não anunciou mudança imediata nas alíquotas.
Mauro Vieira, Márcio Elias Rosa e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, reuniram-se em Milwaukee durante a agenda do G20.
O governo norte-americano deverá enviar uma proposta que defina o escopo do novo grupo, incluindo questões tarifárias e não tarifárias.
Não. Ele cria um canal de negociação; um acordo dependerá de propostas, concessões e decisões formais dos dois governos.