Brasil prepara redes 6G com cobertura 5G incompleta
Anatel discute o uso da faixa alta de 6 GHz, enquanto centros de pesquisa desenvolvem tecnologias para o 6G e o país ainda amplia a presença do 5G fora dos grandes centros.

O Brasil começou a organizar frequências e projetos de pesquisa para a futura geração 6G enquanto ainda expande a cobertura 5G pelo território. A Anatel abriu debate público sobre o uso da faixa alta de 6 GHz, considerada estratégica para redes móveis avançadas.
A Veja publicou neste sábado (17) uma análise sobre essa transição tecnológica. Em comunicado oficial, a Anatel confirmou a primeira audiência pública da Consulta Pública 37/2026, destinada a discutir a faixa de 6.425 MHz a 7.125 MHz e uma autorização de uso por 20 anos.
A agência propõe destinar essa parte do espectro prioritariamente ao serviço móvel. O desenho ainda está em consulta e precisa equilibrar o interesse das operadoras, o uso de Wi-Fi e a necessidade de manter frequências disponíveis para novas aplicações.
Faixa estratégica entra em consulta
As audiências permitem que empresas, pesquisadores e representantes da sociedade apresentem dados técnicos antes da decisão regulatória. O cronograma divulgado pela Anatel inclui uma segunda reunião em São Paulo na quarta-feira (21), além da etapa já realizada em Brasília.
A faixa de 6 GHz oferece grande capacidade de transmissão, mas tem alcance menor que frequências mais baixas. Isso favorece conexões intensivas em áreas densas e exige mais infraestrutura para cobrir longas distâncias, especialmente em regiões rurais.
A reportagem informa que o 5G alcançava 68% da população no primeiro trimestre de 2026 e estava presente em 1.737 municípios em agosto. Os números mostram avanço, mas também revelam que disponibilidade municipal não significa sinal uniforme em todo o território de cada cidade.
A preparação para o 6G, portanto, não substitui a expansão da geração atual. Antenas, fibra óptica, energia e redes de transporte de dados continuarão sendo necessárias, e parte dessa infraestrutura poderá servir de base para tecnologias futuras.
Pesquisa mira autonomia tecnológica
O programa Brasil 6G, coordenado pelo Inatel com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, reúne estudos sobre arquitetura de rede, inteligência artificial, segurança e conectividade em áreas remotas.
Outro núcleo citado na reportagem é o projeto Era 6G, do CPQD. As iniciativas buscam aumentar a participação brasileira no desenvolvimento de padrões e equipamentos, em vez de limitar o país à importação de soluções concluídas no exterior.
A inteligência artificial deve assumir papel maior na gestão automática da rede, distribuindo capacidade conforme a demanda e identificando falhas. Essas funções ainda são objetivos de pesquisa; não representam um serviço comercial disponível agora.
A expectativa internacional mencionada por pesquisadores situa a chegada comercial do 6G por volta de 2030. Esse horizonte depende de padronização global, disponibilidade de equipamentos, licenciamento de frequências e investimentos das operadoras.
O desafio brasileiro será avançar em duas frentes ao mesmo tempo: reduzir as lacunas do 5G e participar da definição da tecnologia seguinte. Preparação antecipada pode criar conhecimento local, mas a inclusão digital continuará sendo medida pela qualidade da conexão que chega efetivamente a cidades pequenas, estradas e comunidades rurais.
Em resumo
Não. O país está em fase de pesquisa e preparação regulatória para uma tecnologia comercial esperada por volta de 2030.
A Anatel consulta o setor sobre a faixa alta de 6 GHz, entre 6.425 MHz e 7.125 MHz.
A geração atual ainda precisa ampliar cobertura e infraestrutura, que também poderá apoiar redes futuras.
É uma iniciativa de pesquisa coordenada pelo Inatel com apoio público para desenvolver tecnologias e competências nacionais.
A expectativa citada por pesquisadores aponta para aproximadamente 2030, sujeita a padrões, frequências e investimentos.