Brasileiros se endividam e tiram dinheiro da poupança para pagar contas básicas
Segundo pesquisa, 24,9% da população contraiu dívidas ou perdeu parte do patrimônio para quitar as despesas do dia a dia

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008.
Também teve passagens por Metrópoles, InfoMoney, O Antagonista, iG
Também teve passagens por Metrópoles, InfoMoney, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura.
É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getyulio Vargas (FGV Ibre) revelou que, em setembro, 24,9% dos brasileiros estavam se endividando ou usando a poupança para pagar contas básicas, o maior índice para o mês desde 2022.
Situação se assemelha ao período de recessão entre 2015
A situação se assemelha ao período de recessão entre 2015 e 2016. Entre os que ganham acima de R$ 4,8 mil, 25,7% enfrentaram dificuldades financeiras, enquanto 24,3% das famílias com renda inferior a esse valor também se endividaram.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas ( FGV Ibre ) mostrou que, em setembro deste ano, praticamente um a cada quatro brasileiros estava fazendo novas dívidas ou recorrendo até à poupança para conseguir pagar contas básicas, como água, luz e gás.
Segundo a pesquisa, 24,9% da população contraiu dívidas ou perdeu parte do patrimônio para quitar as despesas do dia a dia. Trata-se do maior porcentual para setembro desde 2022, quando o índice era de 25,4%.
A parcela de brasileiros que enfrenta esse tipo de dificuldade para fechar as contas do mês se aproxima do índice registrado no período entre 2015 e 2016, quando o país passou pela maior recessão econômica de sua história, na reta final do governo da então presidente Dilma Rousseff (PT).
“O que eu vejo de pior nesse cenário é que o mercado de trabalho está entrando numa fase de um pouco mais de estabilidade e, ao mesmo tempo, o que temos visto é que as condições das famílias também têm piorado porque elas estão muito endividadas”, alerta Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre.
“Por mais que esse endividamento não seja tão recente — é algo que já vem acontecendo —, eu entendo que, em outros momentos, o mercado de trabalho poderia estar compensando essa percepção pior”, prossegue Tobler.
Segundo o pesquisador, “a situação financeira não estava tão boa, mas, ao mesmo tempo, a renda do trabalho estava subindo; havia algum viés de melhora vindo do mercado de trabalho”. “Esse lado de entrada de recursos acabou ficando um pouco mais estável”, afirma.
De acordo com os números do FGV Ibre referentes a setembro de 2026, 25,7% das pessoas com renda familiar acima de R$ 4,8 mil se endividaram ou recorreram ao dinheiro guardado na poupança para pagar as contas diárias.
Entre os brasileiros com renda de até R$ 4,8 mil, esse porcentual chegou a 24,3%.
“O porcentual de pessoas de famílias com renda mais alta superou o de renda mais baixa, mas isso é um efeito pontual desse mês de setembro. Isso pode ter muito a ver com a questão do Desenrola.
A gente já viu que, quando tem algum anúncio do Desenrola, há uma queda na parcela do endividamento das famílias”, observa Tobler.
Em agosto deste ano, o Brasil contava com cerca de 84 milhões de inadimplentes, segundo dados da Serasa. Deste total, 20,7% tinham contas básicas atrasadas. O segmento só aparece atrás do setor de bancos e cartões de crédito, com inadimplência de 27,3%.
Em São Paulo, maior cidade do país e onde o custo de vida é mais alto, o porcentual de inadimplência em contas básicas chegou a 28,58%, um pouco acima do atraso com bancos e cartões (27,3%).
No segundo trimestre deste ano, o consumo das famílias brasileiras registrou uma queda de 0,4%. No mesmo período, o Produto Interno Bruto (PIB) do país desacelerou e teve leve alta de 0,5%.
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Em resumo
Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Também teve passagens por Metrópoles, InfoMoney, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deput
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getyulio Vargas (FGV Ibre) revelou que, em setembro, 24,9% dos brasileiros estavam se endividando ou usando a poupança para pagar contas básicas, o maior índice para o mês desde 2022. A situação se assemelha ao período de recessão entre 2015 e 2016. Entre os que ganham acima de R$ 4,8 mil, 25,7%
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas ( FGV Ibre ) mostrou que, em setembro deste ano, praticamente um a cada quatro brasileiros estava fazendo novas dívidas ou recorrendo até à poupança para conseguir pagar contas básicas, como água, luz e gás.
Segundo a pesquisa, 24,9% da população contraiu dívidas ou perdeu parte do patrimônio para quitar as despesas do dia a dia. Trata-se do maior porcentual para setembro desde 2022, quando o índice era de 25,4%.
A parcela de brasileiros que enfrenta esse tipo de dificuldade para fechar as contas do mês se aproxima do índice registrado no período entre 2015 e 2016, quando o país passou pela maior recessão econômica de sua história, na reta final do governo da então presidente Dilma Rousseff (PT).