Justiça · 2026-10-04 · Redação Notícia ES

Broches com câmera entram na mira da PF

A Polícia Federal abriu inquérito neste domingo (4) para apurar a distribuição e o possível uso de broches com câmeras ocultas na gravação de votos em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Broches com câmera entram na mira da PF
Broches com câmera entram na mira da PF

A Polícia Federal abriu neste domingo (4) um inquérito para investigar a distribuição e o possível uso de broches equipados com câmeras ocultas em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. A suspeita é que os dispositivos pudessem ser usados para registrar o momento do voto na urna eletrônica.

Segundo reportagem da Agência Brasil, os materiais foram encontrados com um homem que também teve o celular apreendido. A ocorrência foi confirmada em publicação específica da Folha1, baseada na assessoria da Polícia Federal, e os equipamentos ficaram sob responsabilidade da perícia criminal.

Os broches tinham, na parte frontal, o número de um candidato. Na parte traseira, um adesivo escondia uma pequena câmera e uma bateria. A Polícia Civil apreendeu os objetos e os entregou à PF, que agora busca esclarecer a origem, a quantidade distribuída e o eventual uso dentro de locais de votação.

Perícia examina dispositivos apreendidos

O homem conduzido optou por permanecer em silêncio. Essa decisão não encerra a apuração: o celular e os broches podem fornecer dados técnicos sobre funcionamento, armazenamento, comunicações e possíveis vínculos com outras pessoas, desde que a análise observe as autorizações legais aplicáveis.

A abertura do inquérito significa que a PF iniciou uma investigação formal, mas não equivale a uma conclusão sobre autoria ou finalidade. A hipótese divulgada é a de gravação do voto; cabe à perícia verificar se as câmeras funcionavam, se haviam sido acionadas e se produziram arquivos durante a eleição.

Também será necessário distinguir posse, distribuição e utilização efetiva dos equipamentos. Cada conduta pode exigir provas diferentes, e a responsabilização depende da identificação de atos concretos. Até o momento, a PF não divulgou o nome do conduzido nem informou eventual ligação dos objetos com uma campanha.

Sigilo do voto orienta proibição

A legislação eleitoral proíbe que o eleitor entre na cabine com celular, câmera, filmadora, óculos inteligentes ou outro aparelho capaz de fotografar ou registrar a escolha. A restrição serve para proteger o sigilo e impedir a produção de comprovantes que possam alimentar coação ou compra de votos.

Quem leva um dispositivo desse tipo deve deixá-lo no local indicado pelos mesários antes de votar. A regra não impede manifestações individuais e silenciosas permitidas fora da cabine, mas a liberdade de usar camiseta, adesivo ou broche não autoriza embutir equipamentos de gravação em acessórios.

O episódio de Cabo Frio acrescenta uma questão tecnológica à fiscalização eleitoral. Objetos pequenos e aparentemente comuns podem ocultar câmeras, o que exige atenção sem transformar suspeitas em condenações antecipadas. A conclusão dependerá do laudo dos aparelhos e dos demais elementos reunidos no inquérito.

Em resumo

O que a PF investiga em Cabo Frio?

A distribuição e o possível uso de broches com câmeras ocultas para registrar votos na urna eletrônica.

Como eram os dispositivos?

Eles exibiam o número de um candidato na frente e escondiam uma câmera com bateria sob um adesivo na parte traseira.

O que foi apreendido?

Os broches e o celular de um homem conduzido foram recolhidos e serão examinados pela perícia criminal.

Já existe conclusão sobre o caso?

Não. O inquérito foi aberto e a hipótese de gravação ainda depende dos laudos e das demais provas.

Por que câmeras são proibidas na cabine?

A restrição protege o sigilo do voto e impede a criação de registros que possam servir à coação ou à compra de votos.

Fontes