Geral ES · 2026-08-30 · Redação Notícia ES

Pesquisa genética vira peça-chave para proteger café capixaba das mudanças climáticas

Avanço de calor, secas e eventos extremos aumenta pressão sobre a cafeicultura; melhoramento desenvolvido pelo Incaper já amplia resistência e produtividade no Espírito Santo.

Pesquisa genética vira peça-chave para proteger café capixaba das mudanças climáticas
Pesquisa genética vira peça-chave para proteger café capixaba das mudanças climáticas

A adaptação genética do café está se tornando uma das principais ferramentas para reduzir os impactos das mudanças climáticas sobre a produção. No Espírito Santo, onde a cafeicultura tem peso decisivo na economia rural, pesquisas com novas cultivares e clones ganham importância diante do aumento de temperaturas, secas e eventos extremos.

Artigo publicado pela Folha Vitória neste domingo chamou atenção para estudos internacionais que projetam perda de áreas adequadas ao cultivo de café em diferentes regiões do planeta. O alerta reforça um desafio que já mobiliza instituições de pesquisa capixabas.

Incaper desenvolve materiais mais resistentes

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural mantém programas de melhoramento genético para café conilon e arábica. O trabalho seleciona plantas com características como produtividade, resistência a doenças, tolerância a estresse hídrico e adaptação às condições locais.

A Secretaria de Agricultura do Espírito Santo informou em março que clones desenvolvidos e recomendados pelo Incaper vêm aumentando produtividade, uniformidade das lavouras e resistência a pragas e doenças. O programa capixaba de melhoramento do conilon é referência nacional.

No café arábica, experimentos em regiões de montanha também buscam cultivares capazes de manter boa produtividade em sistemas de menor impacto ambiental. Em junho, o Incaper divulgou resultados de lavouras orgânicas com cultivares recomendadas para o Estado.

Clima muda o mapa da produção

O café é uma cultura sensível a temperatura, disponibilidade de água e regularidade das chuvas. Alterações nesses fatores podem reduzir produtividade, aumentar incidência de pragas e deslocar áreas adequadas para altitudes maiores.

O Espírito Santo possui vantagens importantes, como experiência técnica, irrigação em áreas de conilon e forte estrutura de pesquisa. Ainda assim, a adaptação exige investimentos contínuos em genética, manejo do solo, sombreamento, uso eficiente de água e assistência técnica.

A corrida por variedades mais resilientes não significa que o café esteja prestes a desaparecer. O cenário indica que regiões produtoras precisarão adaptar cultivares e sistemas de manejo para manter produtividade e qualidade nas próximas décadas.

Fontes consultadas: Folha Vitória, Incaper e Secretaria de Estado da Agricultura.

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