Câmara do Paraguai aprova impeachment do presidente Santiago Peña
Senado ainda precisa votar o processo de remoção do líder do país; chefe de Estado havia anunciado renúncia devido ao fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5) o impeachment de Santiago Peña, em meio ao fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas.
O contexto do cenário político
Foram 78 votos a favor e nenhum contrário. O Senado ainda precisa votar a medida.
Peña anunciou mais cedo que renunciará ao cargo, mas deputados da oposição quiseram manter a votação de impeachment para que ele não tenha foro privilegiado.
A renúncia teria que ser aprovada pelo Congresso -- uma sessão está marcada para 17h, no horário local e de Brasília, para essa análise.
Informações e repercussões do episódio
"Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República . Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou o presidente.
"Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", adicionou.
Também nesta quinta, a Câmara do Paraguai rejeitou o impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente , que deve ser empossado como líder do país.
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023 , foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente...
o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente .
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
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Em resumo
A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5) o impeachment de Santiago Peña, em meio ao fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas.
Foram 78 votos a favor e nenhum contrário. O Senado ainda precisa votar a medida.
Peña anunciou mais cedo que renunciará ao cargo, mas deputados da oposição quiseram manter a votação de impeachment para que ele não tenha foro privilegiado. A renúncia teria que ser aprovada pelo Congresso -- uma sessão está marcada para 17h, no horário local e de Brasília, para essa análise.
"Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República . Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou o presidente.
"Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", adicionou.