Economia · 2026-09-29 · Redação Notícia ES

Câmbio chega à reta eleitoral sob forte oscilação

Dólar encerrou a segunda-feira acima de R$ 5,22 no mercado à vista, enquanto eleição, cenário fiscal e ambiente externo ampliam a volatilidade.

Câmbio chega à reta eleitoral sob forte oscilação
Câmbio chega à reta eleitoral sob forte oscilação

O dólar chegou à última semana antes do primeiro turno com forte oscilação e encerrou a segunda-feira (28) acima de R$ 5,22 no mercado à vista. A aproximação da votação aumentou a sensibilidade dos negócios a pesquisas eleitorais, declarações econômicas e sinais sobre o rumo das contas públicas.

A CNN Brasil informou que analistas esperam volatilidade nas próximas sessões e registrou fechamento do dólar à vista a R$ 5,2264. Como confirmação independente, a consulta oficial do Banco Central apontou taxa PTAX de venda de R$ 5,2132 em 28 de setembro; as cotações diferem porque representam referências e momentos de apuração distintos.

O movimento não pode ser atribuído apenas à eleição. Na sessão, a moeda americana também ganhou força diante de divisas emergentes, enquanto juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, inflação internacional e petróleo mais caro reduziram a disposição dos investidores para assumir risco.

No mercado doméstico, porém, a reta final eleitoral funciona como acelerador. Cada pesquisa altera a percepção sobre a política econômica que poderá vigorar a partir de 2027, sobretudo em temas como controle de gastos, trajetória da dívida e capacidade do próximo governo de apresentar um ajuste fiscal crível.

Mercado separa causas da alta

O boletim Focus manteve em R$ 5,20 a mediana das projeções para o câmbio no fim de 2026. A estimativa não significa estabilidade diária: ela representa o ponto central das expectativas dos participantes consultados, enquanto a cotação pode atravessar esse nível várias vezes até dezembro.

A diferença entre projeção anual e preço de uma sessão ajuda a explicar o aparente contraste. Na sexta-feira anterior, a moeda havia terminado perto de R$ 5,18; na segunda, fechou acima de R$ 5,22. Essa variação rápida mostra que o caminho até a taxa esperada para dezembro pode continuar irregular.

O ambiente externo também impede uma leitura exclusivamente partidária. Rendimentos elevados nos Estados Unidos tornam ativos americanos mais atraentes, enquanto petróleo caro pressiona expectativas de inflação e juros. Nessas condições, moedas de países emergentes podem perder valor mesmo sem uma mudança relevante no quadro eleitoral brasileiro.

Ao mesmo tempo, o real ainda acumulava valorização no ano, segundo os dados reunidos pela reportagem de origem. Esse desempenho anterior recomenda cautela com previsões de disparada permanente: a alta recente pode refletir uma correção combinada a fatores internacionais, e não uma tendência linear já definida.

Urnas não encerram incerteza

O resultado do primeiro turno, marcado para domingo (4), deverá reduzir uma parte da dúvida política, mas não resolverá sozinho a questão fiscal. Investidores ainda avaliarão a composição do segundo turno, as alianças no Congresso e a viabilidade das propostas econômicas apresentadas pelos candidatos.

Para empresas, um câmbio mais volátil dificulta a formação de preços de importados, combustíveis, máquinas e insumos. Para consumidores, o efeito costuma aparecer de forma gradual, conforme contratos são renovados e custos em dólar chegam às cadeias de produção, sem que cada alta diária seja repassada imediatamente.

Também é preciso separar reação de mercado de preferência eleitoral. Uma cotação pode responder a probabilidades, proteção de carteiras e fluxo internacional sem funcionar como julgamento definitivo sobre um candidato. O dado relevante é que a incerteza sobre despesas, receitas e dívida aumenta o prêmio exigido para manter recursos no país.

Até a abertura das urnas, os principais gatilhos serão as pesquisas finais, o comportamento do petróleo, os juros americanos e novas sinalizações sobre política econômica. Depois do primeiro turno, a volatilidade poderá continuar caso o mercado ainda não encontre respostas claras para o equilíbrio fiscal de 2027.

Em resumo

Quanto valia o dólar no fechamento de segunda-feira?

O dólar à vista encerrou 28 de setembro a R$ 5,2264, enquanto a PTAX de venda do Banco Central ficou em R$ 5,2132.

Por que as duas cotações são diferentes?

O mercado à vista e a PTAX usam referências e momentos de apuração distintos, por isso não precisam apresentar o mesmo valor.

A eleição é a única causa da alta?

Não. Pesam também os juros dos Estados Unidos, o petróleo, a inflação global e a menor procura por ativos de risco.

Qual é a projeção do Focus para o fim de 2026?

A mediana das projeções indicava dólar a R$ 5,20 no encerramento do ano.

O primeiro turno deve eliminar a volatilidade?

Não necessariamente, porque o mercado ainda avaliará o segundo turno, as alianças políticas e a política fiscal de 2027.

Fontes