Campanha de Lula aposta em reduzir abstenção
Aliados do presidente tentam mobilizar eleitores ausentes no primeiro turno em uma disputa que permanece tecnicamente empatada a quatro dias da votação.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nesta quarta-feira, 21 de outubro, a tentativa de levar às urnas eleitores que não compareceram no primeiro turno. A estratégia ganhou peso na reta final porque a nova pesquisa Quaest manteve Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico, a quatro dias da votação decisiva.
Segundo reportagem da Veja, aliados do petista avaliam que parte de seu eleitorado deixou de votar por acreditar que a eleição já estava encaminhada. O diagnóstico é uma aposta de campanha, não uma conclusão comprovada sobre o comportamento de todos os ausentes. Levantamentos citados por UOL e Folha registram que a abstenção do primeiro turno foi de 21,08%, equivalente a cerca de 33,4 milhões de eleitores.
A tese encontra um contraponto relevante nos próprios dados. Uma análise de seções eleitorais divulgada pela Veja na semana anterior afirmou que a variação da ausência não explica, sozinha, a perda de votos de Lula em relação a 2022. Nas áreas em que a abstenção caiu, a votação do presidente também recuou. Por isso, transformar todo eleitor ausente em voto potencial de um candidato seria uma extrapolação.
Comparecimento vira prioridade eleitoral
A campanha trabalha para evitar o clima de vitória antecipada que, segundo integrantes ouvidos pelo veículo, teria desmobilizado apoiadores antes do primeiro turno. A orientação interna é tratar a eleição como aberta, reforçar atos de rua e insistir em mensagens sobre horário, documentação e locais de votação. O objetivo imediato é converter simpatia declarada em comparecimento efetivo.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em 16 de outubro mostrou que 96% dos entrevistados pretendiam votar no segundo turno, enquanto 1% dizia que não compareceria e 3% ainda não sabiam. Entre eleitores de Lula e de Flávio, a intenção de ir às urnas chegava a 98%. A declaração, porém, não garante presença: imprevistos, distância, trabalho e desinteresse ainda podem alterar o resultado no domingo.
Os dados do primeiro turno também exigem cautela com generalizações. A ausência caiu entre jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e eleitores de menor escolaridade, grupos em que Lula costuma ter desempenho melhor. Ao mesmo tempo, aumentou entre faixas de 21 a 44 anos e entre pessoas com maior escolaridade, segmentos nos quais Flávio tem apresentado vantagem em pesquisas.
Disputa segue dentro da margem
A Quaest divulgada nesta quarta-feira apontou Flávio com 45% das intenções de voto e Lula com 44%, diferença contida na margem de erro de dois pontos percentuais. Na pergunta espontânea, os dois apareceram com 40%, enquanto os indecisos subiram de 7% para 14%. Esses números ajudam a explicar por que as campanhas concentram esforços simultâneos em mobilização e persuasão.
O crescimento dos indecisos na espontânea não significa que 14% chegarão ao domingo sem voto definido. Essa modalidade mede quem é lembrado sem a apresentação de nomes, enquanto a pergunta estimulada reproduz a escolha entre os candidatos. Ainda assim, o dado indica menor cristalização do voto e amplia a importância do debate final, da propaganda eleitoral e da capacidade de cada grupo levar seus apoiadores à seção.
A campanha de Lula também busca recuperar mulheres e beneficiários de programas sociais, grupos nos quais o presidente historicamente registra melhor desempenho. A estratégia inclui críticas ao armamento e ao radicalismo atribuído ao adversário. Flávio, por sua vez, tenta consolidar a vantagem numérica observada em diferentes levantamentos e impedir que a mobilização petista reverta o quadro.
O resultado dependerá dos votos válidos apurados pelo Tribunal Superior Eleitoral, não das projeções sobre quem faltou. Até lá, a leitura mais segura é que a disputa permanece aberta: pesquisas medem intenção, campanhas formulam hipóteses e a abstenção só será conhecida depois do fechamento das urnas. Nenhum dos lados pode tratar um contingente ausente como patrimônio eleitoral antecipado.
Em resumo
Mobilizar eleitores que não votaram no primeiro turno e evitar a sensação de vitória antecipada na reta final.
A ausência chegou a 21,08%, cerca de 33,4 milhões de eleitores.
Não. Análises por seção eleitoral indicam que a ausência, isoladamente, não explica a perda de votos do presidente.
Flávio apareceu com 45% e Lula com 44%, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos.
A votação presidencial será no domingo, 25 de outubro de 2026.