Campanhas divergem sobre ganho real do salário mínimo em 2027
Lula promete manter reajuste acima da inflação, enquanto Flávio Bolsonaro garante preservar o piso, mas ainda não apresentou fórmula específica para 2027.

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresentam caminhos diferentes para o salário mínimo a partir de 2027. Na reta final do segundo turno, o grupo de Lula promete manter ganhos acima da inflação, enquanto a equipe de Flávio afirma que não reduzirá o piso nem aposentadorias, mas não detalhou uma fórmula própria de reajuste.
O g1 informou nesta sexta-feira (16) que o salário mínimo está em R$ 1.621 e serve de referência para a renda de 61,9 milhões de pessoas, segundo estimativa do Dieese. A Exame, ao comparar os programas eleitorais, confirmou que o plano de Lula prevê valorização real e que o documento de Flávio prioriza emprego formal sem estabelecer regra específica para o piso.
A regra atual combina a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor com um ganho real limitado pelo arcabouço fiscal. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em nome da campanha de Lula que esse modelo, com acréscimo real limitado a 2,5%, seria mantido em eventual novo mandato, assim como a vinculação de benefícios previdenciários ao salário mínimo.
Duas estratégias para renda
A proposta orçamentária de 2027 prevê um piso de R$ 1.741, sujeito à atualização dos índices usados no cálculo. A equipe de Lula trata a valorização como instrumento de distribuição de renda, preservação do poder de compra e estímulo ao consumo. O mecanismo alcança trabalhadores com remuneração no piso, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas vinculados ao valor mínimo.
O programa apresentado por Flávio Bolsonaro concentra-se na redução gradual do custo de contratação, na formalização e em regras diferenciadas para jovens de 18 a 24 anos e pessoas com mais de 50 anos que estejam desempregadas há pelo menos um ano. A campanha declarou que o candidato não mexerá no salário mínimo ou nas aposentadorias, porém não esclareceu se haverá aumento acima da inflação nem se a vinculação previdenciária será preservada.
A diferença entre as propostas não permite concluir que uma delas reduzirá nominalmente o piso. A questão central é saber se o reajuste apenas compensará a perda inflacionária ou também acrescentará ganho real. Corrigir somente pela inflação busca conservar o poder de compra; adicionar uma parcela real amplia o valor do salário em relação aos preços.
Reajuste afeta gasto federal
O piso nacional produz efeitos além da folha das empresas. Benefícios previdenciários e assistenciais usam o salário mínimo como referência, o que transforma cada reajuste em aumento de renda para milhões de famílias e também em elevação das despesas obrigatórias da União. Por isso, a fórmula é discutida ao mesmo tempo como política social, trabalhista e fiscal.
A alta real pode impulsionar consumo, atividade econômica e arrecadação, sobretudo em municípios onde aposentadorias e benefícios têm peso relevante. O custo adicional, porém, pressiona o Orçamento quando as receitas não acompanham o aumento das despesas vinculadas. Esse equilíbrio explica por que as campanhas relacionam o tema a estratégias mais amplas para emprego, impostos e controle das contas públicas.
Até a votação do segundo turno, a comparação permanece assim: Lula apresenta continuidade da regra atual e da vinculação previdenciária; Flávio promete preservar piso e aposentadorias, mas ainda precisa informar qual índice e qual mecanismo pretende adotar. A definição concreta dependerá do Orçamento de 2027, dos indicadores de inflação e crescimento e das medidas aprovadas pelo Congresso.
Em resumo
O piso nacional está em R$ 1.621 em 2026.
A campanha promete manter a regra com ganho real limitado a 2,5% e preservar a vinculação dos benefícios previdenciários ao piso.
Ele afirma que não reduzirá o salário mínimo nem aposentadorias, mas sua campanha ainda não apresentou uma fórmula específica de reajuste.
A estimativa do Dieese citada pelo g1 é de 61,9 milhões de pessoas.
Porque aposentadorias e benefícios vinculados ao mínimo também aumentam quando o piso é reajustado, elevando despesas obrigatórias da União.