Economia · 2026-10-16 · Redação Notícia ES

Campanhas divergem sobre ganho real do salário mínimo em 2027

Lula promete manter reajuste acima da inflação, enquanto Flávio Bolsonaro garante preservar o piso, mas ainda não apresentou fórmula específica para 2027.

Campanhas divergem sobre ganho real do salário mínimo em 2027
Campanhas divergem sobre ganho real do salário mínimo em 2027

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresentam caminhos diferentes para o salário mínimo a partir de 2027. Na reta final do segundo turno, o grupo de Lula promete manter ganhos acima da inflação, enquanto a equipe de Flávio afirma que não reduzirá o piso nem aposentadorias, mas não detalhou uma fórmula própria de reajuste.

O g1 informou nesta sexta-feira (16) que o salário mínimo está em R$ 1.621 e serve de referência para a renda de 61,9 milhões de pessoas, segundo estimativa do Dieese. A Exame, ao comparar os programas eleitorais, confirmou que o plano de Lula prevê valorização real e que o documento de Flávio prioriza emprego formal sem estabelecer regra específica para o piso.

A regra atual combina a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor com um ganho real limitado pelo arcabouço fiscal. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em nome da campanha de Lula que esse modelo, com acréscimo real limitado a 2,5%, seria mantido em eventual novo mandato, assim como a vinculação de benefícios previdenciários ao salário mínimo.

Duas estratégias para renda

A proposta orçamentária de 2027 prevê um piso de R$ 1.741, sujeito à atualização dos índices usados no cálculo. A equipe de Lula trata a valorização como instrumento de distribuição de renda, preservação do poder de compra e estímulo ao consumo. O mecanismo alcança trabalhadores com remuneração no piso, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas vinculados ao valor mínimo.

O programa apresentado por Flávio Bolsonaro concentra-se na redução gradual do custo de contratação, na formalização e em regras diferenciadas para jovens de 18 a 24 anos e pessoas com mais de 50 anos que estejam desempregadas há pelo menos um ano. A campanha declarou que o candidato não mexerá no salário mínimo ou nas aposentadorias, porém não esclareceu se haverá aumento acima da inflação nem se a vinculação previdenciária será preservada.

A diferença entre as propostas não permite concluir que uma delas reduzirá nominalmente o piso. A questão central é saber se o reajuste apenas compensará a perda inflacionária ou também acrescentará ganho real. Corrigir somente pela inflação busca conservar o poder de compra; adicionar uma parcela real amplia o valor do salário em relação aos preços.

Reajuste afeta gasto federal

O piso nacional produz efeitos além da folha das empresas. Benefícios previdenciários e assistenciais usam o salário mínimo como referência, o que transforma cada reajuste em aumento de renda para milhões de famílias e também em elevação das despesas obrigatórias da União. Por isso, a fórmula é discutida ao mesmo tempo como política social, trabalhista e fiscal.

A alta real pode impulsionar consumo, atividade econômica e arrecadação, sobretudo em municípios onde aposentadorias e benefícios têm peso relevante. O custo adicional, porém, pressiona o Orçamento quando as receitas não acompanham o aumento das despesas vinculadas. Esse equilíbrio explica por que as campanhas relacionam o tema a estratégias mais amplas para emprego, impostos e controle das contas públicas.

Até a votação do segundo turno, a comparação permanece assim: Lula apresenta continuidade da regra atual e da vinculação previdenciária; Flávio promete preservar piso e aposentadorias, mas ainda precisa informar qual índice e qual mecanismo pretende adotar. A definição concreta dependerá do Orçamento de 2027, dos indicadores de inflação e crescimento e das medidas aprovadas pelo Congresso.

Em resumo

Qual é o valor atual do salário mínimo?

O piso nacional está em R$ 1.621 em 2026.

O que Lula propõe para 2027?

A campanha promete manter a regra com ganho real limitado a 2,5% e preservar a vinculação dos benefícios previdenciários ao piso.

O que Flávio Bolsonaro propõe?

Ele afirma que não reduzirá o salário mínimo nem aposentadorias, mas sua campanha ainda não apresentou uma fórmula específica de reajuste.

Quantas pessoas têm renda referenciada no piso?

A estimativa do Dieese citada pelo g1 é de 61,9 milhões de pessoas.

Por que o reajuste afeta as contas públicas?

Porque aposentadorias e benefícios vinculados ao mínimo também aumentam quando o piso é reajustado, elevando despesas obrigatórias da União.

Fontes