Política Nacional · 2026-10-04 · Redação Notícia ES

Campanhas presidenciais concentram gastos na polarização

Lula e Flávio Bolsonaro reúnem cerca de 80% das despesas declaradas pelas candidaturas à Presidência antes do primeiro turno.

Campanhas presidenciais concentram gastos na polarização
Campanhas presidenciais concentram gastos na polarização

As candidaturas à Presidência chegaram ao primeiro turno deste domingo, 4 de outubro, com despesas declaradas próximas de R$ 161 milhões. A maior parte do valor está concentrada nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.

O InfoMoney calculou R$ 159,9 milhões a partir das prestações disponíveis até sexta-feira, 2 de outubro. Em consulta feita no mesmo dia, o Poder360 encontrou R$ 160,7 milhões; a diferença reflete o horário de extração de uma base que recebe atualizações das próprias campanhas no Tribunal Superior Eleitoral.

Na fotografia mais recente divulgada pelo Poder360, Lula aparecia com R$ 65,7 milhões em despesas contratadas e Flávio com R$ 63 milhões. Juntos, os dois reuniam aproximadamente 80% do total informado por todas as candidaturas presidenciais.

Polarização concentra os maiores gastos

A campanha de Lula havia declarado valor equivalente a cerca de 74% do teto autorizado para o primeiro turno. A de Flávio estava próxima de 71% do limite. O TSE fixou em R$ 88,9 milhões o máximo permitido para cada candidatura presidencial nesta etapa da eleição.

Ronaldo Caiado aparecia como o candidato fora da polarização com maior volume de despesas. Os demais concorrentes ocupavam fatias bem menores, o que ampliou a distância financeira entre as duas campanhas líderes e o restante da disputa.

Os registros reunidos pelo InfoMoney também mostram a importância dos serviços prestados por terceiros. As duas campanhas principais declararam mais de R$ 40 milhões cada uma nessa categoria, que pode abranger atividades contratadas para comunicação, mobilização, produção e funcionamento das estruturas eleitorais.

Despesa contratada não significa necessariamente conta já quitada. Parte dos valores ainda aparecia como obrigação a pagar, por isso o total de pagamentos realizados era inferior ao montante registrado. Essa distinção evita tratar como desembolso imediato todo compromisso assumido durante a campanha.

Contas seguem abertas à fiscalização

O DivulgaCandContas permite consultar receitas, fornecedores, despesas, doações estimáveis, limites e dívidas de cada candidatura. O TSE informa que os dados parciais dão transparência à movimentação financeira, mas a prestação final ainda será examinada pela Justiça Eleitoral.

Se houver segundo turno, as duas candidaturas classificadas poderão contratar despesas adicionais dentro do limite específico definido pela Justiça Eleitoral. O Poder360 informa que o teto acumulado pode chegar a cerca de R$ 133,4 milhões por candidatura ao longo das duas etapas.

O excesso sobre o limite sujeita candidato ou partido a multa equivalente ao valor ultrapassado e também pode ser analisado como abuso do poder econômico. A apuração considera despesas diretas, transferências e bens ou serviços estimáveis em dinheiro.

Os números anteriores à votação são, portanto, um retrato provisório. Eles mostram quanto cada campanha informou até o corte consultado, enquanto o resultado definitivo dependerá das contas finais, das correções lançadas no sistema e da análise posterior da Justiça Eleitoral.

Em resumo

Quanto as campanhas presidenciais declararam em despesas?

As consultas realizadas antes do primeiro turno apontavam valor próximo de R$ 161 milhões.

Quais campanhas concentraram os maiores gastos?

Lula e Flávio Bolsonaro reuniam aproximadamente 80% das despesas declaradas.

Qual era o teto para o primeiro turno?

O TSE fixou limite de R$ 88,9 milhões para cada candidatura presidencial.

Despesa contratada é igual a despesa paga?

Não. Parte dos compromissos declarados ainda pode permanecer pendente de pagamento.

Onde os números podem ser consultados?

Receitas e despesas ficam disponíveis no sistema público DivulgaCandContas do TSE.

Fontes