Campanhas presidenciais concentram gastos na polarização
Lula e Flávio Bolsonaro reúnem cerca de 80% das despesas declaradas pelas candidaturas à Presidência antes do primeiro turno.

As candidaturas à Presidência chegaram ao primeiro turno deste domingo, 4 de outubro, com despesas declaradas próximas de R$ 161 milhões. A maior parte do valor está concentrada nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
O InfoMoney calculou R$ 159,9 milhões a partir das prestações disponíveis até sexta-feira, 2 de outubro. Em consulta feita no mesmo dia, o Poder360 encontrou R$ 160,7 milhões; a diferença reflete o horário de extração de uma base que recebe atualizações das próprias campanhas no Tribunal Superior Eleitoral.
Na fotografia mais recente divulgada pelo Poder360, Lula aparecia com R$ 65,7 milhões em despesas contratadas e Flávio com R$ 63 milhões. Juntos, os dois reuniam aproximadamente 80% do total informado por todas as candidaturas presidenciais.
Polarização concentra os maiores gastos
A campanha de Lula havia declarado valor equivalente a cerca de 74% do teto autorizado para o primeiro turno. A de Flávio estava próxima de 71% do limite. O TSE fixou em R$ 88,9 milhões o máximo permitido para cada candidatura presidencial nesta etapa da eleição.
Ronaldo Caiado aparecia como o candidato fora da polarização com maior volume de despesas. Os demais concorrentes ocupavam fatias bem menores, o que ampliou a distância financeira entre as duas campanhas líderes e o restante da disputa.
Os registros reunidos pelo InfoMoney também mostram a importância dos serviços prestados por terceiros. As duas campanhas principais declararam mais de R$ 40 milhões cada uma nessa categoria, que pode abranger atividades contratadas para comunicação, mobilização, produção e funcionamento das estruturas eleitorais.
Despesa contratada não significa necessariamente conta já quitada. Parte dos valores ainda aparecia como obrigação a pagar, por isso o total de pagamentos realizados era inferior ao montante registrado. Essa distinção evita tratar como desembolso imediato todo compromisso assumido durante a campanha.
Contas seguem abertas à fiscalização
O DivulgaCandContas permite consultar receitas, fornecedores, despesas, doações estimáveis, limites e dívidas de cada candidatura. O TSE informa que os dados parciais dão transparência à movimentação financeira, mas a prestação final ainda será examinada pela Justiça Eleitoral.
Se houver segundo turno, as duas candidaturas classificadas poderão contratar despesas adicionais dentro do limite específico definido pela Justiça Eleitoral. O Poder360 informa que o teto acumulado pode chegar a cerca de R$ 133,4 milhões por candidatura ao longo das duas etapas.
O excesso sobre o limite sujeita candidato ou partido a multa equivalente ao valor ultrapassado e também pode ser analisado como abuso do poder econômico. A apuração considera despesas diretas, transferências e bens ou serviços estimáveis em dinheiro.
Os números anteriores à votação são, portanto, um retrato provisório. Eles mostram quanto cada campanha informou até o corte consultado, enquanto o resultado definitivo dependerá das contas finais, das correções lançadas no sistema e da análise posterior da Justiça Eleitoral.
Em resumo
As consultas realizadas antes do primeiro turno apontavam valor próximo de R$ 161 milhões.
Lula e Flávio Bolsonaro reuniam aproximadamente 80% das despesas declaradas.
O TSE fixou limite de R$ 88,9 milhões para cada candidatura presidencial.
Não. Parte dos compromissos declarados ainda pode permanecer pendente de pagamento.
Receitas e despesas ficam disponíveis no sistema público DivulgaCandContas do TSE.