Fé e Sociedade · 2026-10-13 · Redação Notícia ES

Cardeal defende diálogo contra polarização em Brasília

Dom Paulo Cezar Costa afirmou que a Igreja não deve assumir partido político e pediu respeito às diferenças durante celebração na Esplanada dos Ministérios.

Cardeal defende diálogo contra polarização em Brasília
Cardeal defende diálogo contra polarização em Brasília

O cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, defendeu o diálogo e a reconciliação diante da polarização política durante as celebrações de Nossa Senhora Aparecida, na segunda-feira (12), na Esplanada dos Ministérios. Ele afirmou que a Igreja não pertence a partidos e deve acolher pessoas com escolhas políticas diferentes.

A declaração foi registrada pelo Metrópoles e confirmada em publicações oficiais da Arquidiocese de Brasília. A instituição divulgou tanto a entrevista concedida pelo cardeal antes da missa quanto a íntegra da homilia, na qual ele tratou das divisões, das palavras agressivas e da dificuldade de diálogo na sociedade brasileira.

Fé chama sociedade ao diálogo

Ao explicar a posição da Igreja, Dom Paulo Cezar separou neutralidade partidária de indiferença social. A mensagem não foi de afastamento do debate público, mas de presença sem alinhamento eleitoral institucional. Segundo o arcebispo, a comunidade cristã pode contribuir quando favorece o encontro, respeita opiniões divergentes e rejeita a transformação do adversário em inimigo.

A fala ocorreu em pleno período eleitoral, diante de uma sociedade mobilizada pelo segundo turno. Nesse cenário, o cardeal advertiu contra uma leitura maniqueísta da vida pública, na qual um grupo seria tratado como inteiramente bom e o outro como inteiramente mau. A crítica mirou a perda de espaço para conversa, convivência e busca de soluções comuns.

Na homilia, o arcebispo relacionou a missão religiosa à construção de uma sociedade justa e fraterna. O texto oficial da Arquidiocese registra um apelo para que o amor supere o ódio, o diálogo vença a intolerância e a unidade prevaleça sobre o conflito. A formulação preserva diferenças reais, mas recusa que elas sirvam de justificativa para agressões.

A celebração reuniu fiéis na Esplanada dos Ministérios no Dia de Nossa Senhora Aparecida. A missa solene começou às 17h e foi presidida por Dom Paulo Cezar, com participação do clero da Arquidiocese. A programação religiosa havia sido anunciada para os dias 11 e 12, com momentos de oração, atividades familiares e apresentações musicais.

O local ampliou o peso público da mensagem. Realizada no centro político da capital federal, a cerimônia aproximou a linguagem da fé dos conflitos que atravessam a eleição. Ainda assim, a orientação do cardeal foi clara: a atuação pastoral não deve funcionar como braço de candidatura ou legenda.

Neutralidade não apaga diferenças

O pedido de diálogo não exige que católicos abandonem suas convicções ou deixem de participar da política. A distinção feita pelo arcebispo está entre a escolha individual do eleitor e a apropriação partidária da Igreja. Cada fiel mantém liberdade de consciência, enquanto a instituição busca reunir pessoas que podem votar de maneiras opostas.

Essa separação também impõe responsabilidade aos agentes públicos e às campanhas. Usar templos, símbolos religiosos ou celebrações como se representassem apoio automático de uma comunidade pode distorcer o sentido da participação cristã. A declaração de Dom Paulo Cezar reforça que nenhuma candidatura pode falar em nome de todos os fiéis.

A mensagem oficial da Arquidiocese acrescentou que unidade não significa pensamento uniforme. O objetivo apresentado foi criar condições para convivência respeitosa e busca do bem comum, sobretudo quando as divergências ideológicas se tornam mais intensas. A posição permite debate firme, mas afasta hostilidade e desumanização.

Depois da festa religiosa, permanece o teste prático do discurso: transformar o apelo em comportamento público durante a campanha. Para o arcebispo, a Igreja cumpre sua missão quando promove reconciliação e abre espaço para encontro, não quando aprofunda a divisão que pretende superar.

Em resumo

O que Dom Paulo Cezar afirmou?

O arcebispo disse que a Igreja não é partidária e deve promover diálogo, unidade e reconciliação.

Quando a declaração foi feita?

Na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, durante as celebrações de Nossa Senhora Aparecida em Brasília.

Onde ocorreu a celebração?

Na Esplanada dos Ministérios, onde a missa solene começou às 17h.

A fala proíbe fiéis de participar da política?

Não. Ela distingue a liberdade política de cada pessoa do alinhamento partidário institucional da Igreja.

Qual foi o principal apelo da homilia?

Que o amor, o diálogo e a unidade prevaleçam sobre o ódio, a intolerância e o conflito.

Fontes

  • Metrópoles
  • Arquidiocese de Brasília
  • Arquidiocese de Brasília — homilia