Carlos Bolsonaro evita debates e aposta no elo com Flávio
Candidato ao Senado por Santa Catarina vincula propostas estaduais a uma eventual vitória do irmão na eleição presidencial.

Carlos Bolsonaro (PL) chega à última semana da campanha ao Senado por Santa Catarina sem participar de debates ou sabatinas com os adversários. O ex-vereador do Rio tenta compensar a ausência nos confrontos ao associar sua candidatura à disputa presidencial do irmão, Flávio Bolsonaro.
A Folha de S.Paulo registrou nesta segunda-feira (28) que Carlos promete abrir um canal direto entre o estado e o governo federal caso ele e Flávio sejam eleitos. Reportagens do UOL já haviam mostrado que o candidato usa o nome da família como principal credencial e enfrenta críticas pela relação recente com Santa Catarina.
Nos vídeos de campanha, Carlos sustenta que poderá levar demandas catarinenses diretamente ao Palácio do Planalto. Também repete propostas nacionais defendidas pelo irmão, como redução de impostos, revisão de entraves regulatórios e uma pausa na reforma tributária para ampliar a discussão.
O vínculo com Flávio é apresentado como vantagem prática, mas depende de duas vitórias distintas: a de Carlos para uma das vagas do Senado e a do irmão para a Presidência. O acesso prometido, portanto, não substitui a apresentação de metas, prazos e fontes de recursos para obras e serviços estaduais.
Sobrenome organiza a campanha
A estratégia aproveita a força eleitoral do bolsonarismo em Santa Catarina. Jair Bolsonaro obteve quase 70% dos votos válidos no estado no segundo turno de 2022, e os candidatos ligados ao ex-presidente disputam entre si a preferência de um eleitorado majoritariamente conservador.
Carlos divide espaço com a deputada Carol de Toni, sua aliada na chapa, e com o senador Esperidião Amin, que também procura conservar a identificação com a direita. Pesquisas citadas pela Folha apontam uma disputa apertada entre os nomes mais competitivos pelas duas cadeiras disponíveis.
Os adversários chamam Carlos de paraquedista e usam sua trajetória política no Rio de Janeiro para questionar o conhecimento sobre Santa Catarina. A campanha responde com visitas a municípios, defesa do pacto federativo e a promessa de ampliar a influência do estado em Brasília.
A ausência em debates limita o confronto público sobre essas propostas. Sem perguntas dos concorrentes e de jornalistas, o eleitor recebe principalmente a versão editada pela própria campanha, com menos oportunidade de comparar diagnósticos sobre infraestrutura, arrecadação e representação no Senado.
Régua precisa valer igualmente
A recusa de Carlos merece escrutínio, mas o mesmo critério deve alcançar os candidatos que adotam cálculo semelhante. O UOL informou que aliados de Luiz Inácio Lula da Silva consideram praticamente nula a possibilidade de o presidente comparecer ao debate da TV Globo antes do primeiro turno.
A cobertura perde equilíbrio quando trata a ausência de um candidato como prova de despreparo e a de outro apenas como estratégia defensiva. Nos dois casos, fugir do confronto reduz a informação disponível e impede que promessas sejam testadas diante de perguntas que a propaganda evita.
Também é necessário separar o fato da interpretação. Carlos não compareceu aos debates mencionados e baseia parte relevante da campanha no vínculo com Flávio; isso não demonstra sozinho desconhecimento sobre o estado. A avaliação depende da consistência das propostas e da disposição de responder por elas.
Até a votação, a campanha deverá intensificar vídeos e agendas presenciais para preservar a associação familiar. O eleitor catarinense terá de decidir se o acesso prometido ao Planalto compensa a ausência nos debates e se a representação estadual pode depender de um resultado presidencial que ainda está em disputa.
Em resumo
Carlos Bolsonaro disputa uma das duas vagas de Santa Catarina no Senado.
Ele associa sua candidatura à eleição presidencial do irmão, Flávio Bolsonaro, e promete acesso direto ao governo federal.
Não. A reportagem informa que ele chegou à reta final sem comparecer a debates ou sabatinas.
A campanha menciona redução de impostos, revisão regulatória e pausa na reforma tributária para nova discussão.
Ela reduz o confronto de propostas e limita a possibilidade de o eleitor testar promessas fora da propaganda editada.