Casagrande dispara para o Senado no ES, mas segunda vaga vira guerra de seis nomes
Quaest põe Renato Casagrande com 28% e revela um pelotão tecnicamente embolado pela segunda cadeira, com Meneguelli, Contarato, Rose, Maguinha Malta, Evair de Melo e Marcos do Val dentro da faixa de empate.

A disputa pelas duas vagas do Espírito Santo no Senado ganhou um desenho claro para a primeira cadeira e uma zona de turbulência para a segunda. Pesquisa Quaest divulgada em 27 de agosto coloca o ex-governador Renato Casagrande (PSB) com 28% das intenções de voto no cenário consolidado. Atrás dele, seis candidatos aparecem dentro de uma faixa que, considerada a margem de erro de três pontos percentuais, mantém aberta uma disputa que pode mudar rapidamente nas próximas semanas.
Sérgio Meneguelli (PSD) registra 10%. Fabiano Contarato (PT) e Rose de Freitas (MDB) têm 9% cada. Maguinha Malta (PL) aparece com 6%, Evair de Melo (Republicanos) com 5% e Marcos do Val (Avante) com 4%. Rodney Miranda (PRTB) e Professor Fabian (PSOL) marcam 2% cada, enquanto Leonardo Monjardim (Novo) e Callegari (DC) têm 1%.
O levantamento ouviu 804 eleitores do Espírito Santo entre 23 e 26 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela TV Gazeta e registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo ES-04444/2026.
Casagrande abre distância, mas a eleição tem duas escolhas
O dado de 28% coloca Casagrande em posição isolada na fotografia atual. A vantagem sobre Meneguelli, segundo colocado nominal, é de 18 pontos. Esse número, porém, precisa ser interpretado à luz de uma particularidade da eleição para senador em 2026: o eleitor capixaba escolhe dois nomes.
Por isso, o percentual consolidado não funciona exatamente como uma corrida de cargo único. O mesmo eleitor pode combinar candidatos de campos políticos diferentes. Essa dinâmica tende a produzir alianças informais, pedidos explícitos de segundo voto e campanhas cruzadas nas semanas finais.
O Poder360 publicou também os dados específicos do chamado segundo voto. Nesse recorte, Casagrande aparece com 18%, Meneguelli e Rose com 10%, Contarato com 9%, Maguinha com 6%, Evair e Marcos do Val com 4%. Indecisos somam 22% e brancos, nulos ou eleitores que dizem não votar chegam a 11%. O tamanho desse contingente mostra o quanto a segunda cadeira ainda está disponível.
Seis nomes espremidos pela margem de erro
A Quaest classifica o bloco intermediário como tecnicamente empatado. Meneguelli, com 10%, pode oscilar de 7% a 13%. Contarato e Rose, com 9%, podem variar de 6% a 12%. Maguinha, com 6%, fica entre 3% e 9%. Evair, com 5%, entre 2% e 8%. Marcos do Val, com 4%, entre 1% e 7%.
Essa sobreposição ajuda a entender por que uma diferença nominal de cinco ou seis pontos não pode ser tratada como uma posição consolidada na disputa pela segunda vaga. A ordem de colocação é um retrato da amostra, mas vários candidatos seguem estatisticamente próximos.
Rejeição pode pesar tanto quanto intenção de voto
Outro recorte da mesma pesquisa mede rejeição. Rose de Freitas aparece com 48% dos entrevistados dizendo que não votariam nela de jeito nenhum. Fabiano Contarato tem 36%. Maguinha Malta e Casagrande aparecem com 29%, Marcos do Val com 28% e Meneguelli com 27%.
Esse indicador não deve ser lido isoladamente como previsão de derrota. Ele mostra resistência ao nome, mas precisa ser combinado com conhecimento e potencial de voto. Um candidato muito conhecido pode ter simultaneamente maior rejeição e maior capacidade de mobilização. Para quem está no pelotão intermediário, contudo, rejeição alta pode limitar crescimento na reta final.
Evair e Maguinha tentam transformar base conservadora em segundo voto
No campo mais identificado com a direita, Maguinha Malta registra 6% e Evair de Melo 5%, enquanto Marcos do Val aparece com 4%. Como o eleitor escolhe dois senadores, esses candidatos disputam não apenas preferência principal, mas também combinações.
É aí que a campanha tende a ficar mais agressiva. Um eleitor que já decidiu o primeiro voto pode ainda estar totalmente aberto para a segunda vaga. Em termos estratégicos, conquistar o “segundo nome” de eleitores que já têm candidato definido pode valer tanto quanto tentar arrancar votos diretos de um adversário.
Meneguelli ocupa a melhor posição nominal do bloco
Sérgio Meneguelli, com 10%, aparece hoje como o primeiro nome atrás de Casagrande. Ainda assim, a margem de erro impede tratar essa posição como vantagem segura sobre Contarato e Rose, ambos com 9%, e mantém outros nomes na faixa de empate técnico apontada pelos veículos que tiveram acesso aos dados.
A campanha dele entra agora numa fase delicada: precisa converter a boa posição nominal em crescimento real antes que os adversários ocupem o espaço do segundo voto. O mesmo vale para Contarato e Rose, que têm maior exposição histórica e, ao mesmo tempo, enfrentam índices relevantes de rejeição.
Indecisos podem decidir a segunda cadeira
No cenário consolidado, 15% dos entrevistados estão indecisos e 8% declaram branco, nulo ou não voto. No recorte específico do segundo voto, o volume de indecisos sobe para 22%. Esse é um dado decisivo.
Com tantos candidatos concentrados numa faixa estreita, uma migração de poucos pontos pode alterar a ordem. A segunda vaga, portanto, deve permanecer aberta enquanto esse grupo não diminuir.
O retrato de agora
A conclusão mais segura da rodada é dupla. Casagrande larga com uma vantagem expressiva para uma das cadeiras. A segunda vaga, ao contrário, está pulverizada, com seis candidaturas ainda dentro de uma zona competitiva quando se considera a margem de erro.
As próximas pesquisas vão mostrar quem consegue romper esse bloco. Até lá, qualquer sentença definitiva sobre a segunda cadeira seria prematura. A urna capixaba oferece dois votos, e é justamente o segundo que hoje concentra a maior incerteza da eleição para o Senado.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado, via Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA 4.0.