Segurança Pública · 2026-10-11 · Redação Notícia ES

Caso de jovem morto em Moema terá armas e câmeras periciadas

Gustavo Munis, de 20 anos, morreu durante abordagem policial; a SSP informou que armas, celular e imagens corporais serão analisados.

Caso de jovem morto em Moema terá armas e câmeras periciadas
Caso de jovem morto em Moema terá armas e câmeras periciadas

Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu durante uma abordagem da Polícia Militar na madrugada de sábado, 10 de outubro, em Moema, na zona sul de São Paulo. Quatro agentes fizeram 45 disparos, segundo o boletim de ocorrência, e o caso será investigado pelas polícias Civil e Militar.

O g1 identificou o jovem e reuniu relatos de familiares e de um vizinho. A Folha de S.Paulo e o UOL confirmaram os dados do registro policial e informaram que a perícia preliminar apontou 27 ferimentos provocados por projéteis. As reportagens registram que o objeto encontrado junto ao corpo era um telefone celular.

De acordo com a versão apresentada pelos policiais no boletim, as equipes foram chamadas para atender uma ocorrência envolvendo um homem em situação de risco. Os agentes disseram que Gustavo correu ao notar a aproximação e, depois, estendeu os braços com um objeto escuro em direção às viaturas.

Versão policial será confrontada

Os policiais afirmaram ter interpretado o movimento como ameaça armada. A perícia, porém, encontrou um celular escuro ao lado do corpo. Essa divergência torna decisivo o exame das câmeras corporais, do aparelho telefônico, das armas e da posição dos vestígios recolhidos na rua.

O boletim registra que um agente disparou 14 vezes, outro 13, um terceiro 12 e o quarto seis. Outros quatro policiais que participavam da ocorrência não atiraram. A quantidade de disparos e a dinâmica descrita por cada equipe serão comparadas com as imagens, os laudos balísticos e as marcas localizadas no entorno.

A Secretaria da Segurança Pública informou ao UOL que os equipamentos foram apreendidos e que a conduta dos agentes será analisada em Inquérito Policial Militar. Paralelamente, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa conduz a investigação criminal sobre a morte decorrente de intervenção policial.

Perícias devem esclarecer a ação

A apuração precisa responder quando os disparos começaram, quanto tempo duraram, de quais posições partiram e se as ordens de abordagem eram audíveis. Também deverá verificar se havia possibilidade de identificar o objeto antes da reação policial e se a sequência de tiros respeitou os protocolos operacionais.

Gustavo não tinha antecedentes criminais, segundo a Polícia Civil. Familiares relataram que ele fazia tratamento de saúde e morava com a mãe e as irmãs. Essas informações ajudam a reconstituir quem era a vítima, mas não substituem o exame técnico da ação nem antecipam responsabilidade individual.

As câmeras corporais podem estabelecer a cronologia objetiva da ocorrência, enquanto a balística deve relacionar estojos, projéteis e armas. O laudo do Instituto Médico Legal complementará essa análise. A investigação também poderá ouvir testemunhas e moradores dos imóveis atingidos por disparos.

Nenhum dos procedimentos concluídos foi divulgado até agora. Portanto, a versão dos agentes permanece sob verificação e não deve ser tratada como resultado final. O esclarecimento dependerá da preservação das provas, da publicidade dos atos possíveis e da responsabilização definida pelas autoridades competentes.

Em resumo

O que aconteceu em Moema?

Gustavo Munis, de 20 anos, morreu durante uma abordagem da Polícia Militar na madrugada de 10 de outubro.

Quantos policiais dispararam?

Quatro policiais fizeram 45 disparos, conforme o boletim de ocorrência.

O jovem estava com uma arma?

O objeto encontrado junto ao corpo foi identificado como um telefone celular; a versão dos agentes será confrontada com as perícias.

Quem investiga o caso?

O DHPP conduz a investigação criminal, enquanto a Polícia Militar abrirá um Inquérito Policial Militar.

Quais provas serão analisadas?

Armas, celular, imagens das câmeras corporais, vestígios balísticos e laudos do IML serão examinados.

Fontes