Política Nacional · 2026-10-17 · Redação Notícia ES

Centrão discute novo sistema para eleições proporcionais

Líderes de partidos de centro negociam mudanças no modelo de eleição de deputados após o PL conquistar 121 cadeiras na Câmara. Distrital misto e distritão estão entre as alternativas em debate.

Centrão discute novo sistema para eleições proporcionais
Centrão discute novo sistema para eleições proporcionais

Partidos do Centrão começaram a negociar uma mudança no sistema usado para eleger deputados e pretendem levar o tema à votação ainda em 2026. A articulação ganhou força depois que o PL conquistou 121 das 513 cadeiras da Câmara, ampliando o peso da direita na próxima legislatura.

O movimento foi informado pelo g1 neste sábado (17) e confirmado por reportagens do SBT News e do Jota. A Agência Senado, ao divulgar a composição eleita em 5 de outubro, registrou que o PL terá 23,6% da Câmara e a maior bancada da Casa a partir de fevereiro de 2027.

O modelo atual é proporcional e considera os votos dados a candidatos, partidos e federações. O desempenho total da legenda define quantas vagas ela recebe, e as cadeiras são ocupadas pelos nomes mais votados dentro daquele grupo, respeitadas as regras de quociente eleitoral e partidário.

Alternativas em disputa na Câmara

Uma das opções discutidas é o voto distrital misto. Nesse formato, parte dos deputados seria escolhida em distritos territoriais e outra parte viria de listas partidárias. O desenho final ainda não foi apresentado, por isso o número de cadeiras reservado a cada modalidade e a forma de montar as listas permanecem em aberto.

Outra alternativa é o distritão, no qual cada estado funciona como um grande distrito e os candidatos mais votados individualmente ficam com as vagas. Nesse sistema, a votação de um nome não ajuda diretamente a eleger colegas de partido, reduzindo o efeito dos chamados puxadores de votos.

Os caminhos legislativos também são diferentes. Articuladores avaliam que uma versão do distrital misto poderia tramitar por projeto de lei, enquanto o distritão exigiria mudança constitucional. Uma proposta de emenda à Constituição precisa de 308 votos em dois turnos na Câmara, além de aprovação no Senado.

Não há consenso fechado. O PL tende a resistir a uma reforma que diminua a vantagem obtida nas urnas, e qualquer texto terá de definir transição, tamanho dos distritos, critérios das listas e aplicação nas eleições futuras. Essas escolhas podem alterar a relação entre eleitor, candidato e partido.

Resultado alterou forças partidárias

A eleição de 2026 reorganizou as bancadas. Além dos 121 deputados do PL, a federação PT-PCdoB-PV elegeu 88 representantes, enquanto União e PP somaram 87. PSD, Republicanos e MDB aparecem em seguida, com 43, 41 e 36 cadeiras, respectivamente, segundo o levantamento divulgado pelo Senado.

Líderes e presidentes de dez partidos trataram do assunto em uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta, na quarta-feira (14). O mesmo encontro consolidou apoio à tentativa de reeleição de Motta no comando da Casa e expôs a busca do centro por uma atuação coordenada antes da posse dos novos deputados.

A intenção é retomar a discussão depois do segundo turno presidencial, mas o calendário é apertado. Até que um texto seja apresentado, negociado e votado, a proposta segue como articulação política, sem mudança válida nas regras eleitorais. O sistema proporcional continua em vigor.

Em resumo

O que o Centrão quer mudar?

O grupo discute substituir ou reformular o sistema proporcional usado na eleição de deputados.

Quais modelos estão em debate?

As principais alternativas mencionadas são o distrital misto, o distritão e variações que combinam os dois formatos.

Por que a discussão ganhou força?

O PL elegeu 121 deputados e ampliou seu peso sobre partidos de centro na próxima legislatura.

As regras eleitorais já mudaram?

Não. Ainda não existe texto aprovado, e o sistema proporcional continua em vigor.

Quando a proposta pode ser votada?

Líderes querem retomar o tema depois do segundo turno presidencial e tentar uma votação ainda em 2026.

Fontes