Centrão perde espaço para direita na Câmara, mas ainda será decisivo para governo
União Brasil, PP e Republicanos cairão de 140 para 128 deputados federais e ficarão mais bolsonaristas no Senado a partir de fevereiro

Os partidos que compõem o centrão (União Brasil, PP e Republicanos) saíram menores das urnas em 2026 diante do avanço do PL na Câmara dos Deputados , mas ainda serão decisivos para o futuro governo aprovar reformas mais ambiciosas ou mesmo projetos de lei mais simples.
Grupo tinha 140 deputados antes das eleições e passará
O grupo tinha 140 deputados antes das eleições e passará para 128 na próxima legislatura. Outras siglas de centro que costumam dar apoio legislativo a governos de distintas ideologias, como PSD e MDB , também perderão cadeiras a partir de 2027.
Esses partidos priorizam a eleição para deputado federal porque é ela que define quanto cada sigla receberá do fundo partidário e do fundo eleitoral, além de vitaminar os partidos com tempo de propaganda eleitoral na televisão e rádio.
No Senado , a bancada do centrão ficou do mesmo tamanho, com 17 senadores, mas o perfil mudou, tendendo mais para o bolsonarismo.
Nesta terça (6), União Brasil e PP devem declarar
Nesta terça (6), União Brasil e PP devem declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro ( PL ) à Presidência no segundo turno.
O Republicanos ainda não decidiu se adere à campanha ou se permanece neutro, com parte de seus filiados votando em Lula ( PT ).
A federação entre União Brasil e PP, que hoje contabiliza 98 deputados federais, caiu para 87. O Republicanos do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), foi de 42 para 41.
Parlamentares ouvidos pela Folha afirmam que a direita se mostrou um rival importante nesta eleição, tomando cadeiras com o voto de opinião em municípios que antes eram dominados por políticos do centrão com base em emendas parlamentares, nas máquinas das prefeituras e entrega de programas sociais.
A campanha foi focada nas redes sociais, o que dificultou antecipar esse cenário.
Apesar da diminuição, esse grupo de partidos continuará ditando os rumos do país e será o fiel da balança nas votações. Sem eles, PT ou PL não serão capazes de formar maioria para aprovar projetos de lei.
O partido de Flávio terá 121 cadeiras na Câmara, que se somam às 10 do Novo na direita. As siglas de esquerda, como PT, PCdoB, PSOL e PSB, ficarão com 124 votos.
A adesão completa dos demais partidos ao novo governo garantiria com folga votos para alterar a Constituição. Em um governo Flávio Bolsonaro, seriam 389 deputados. Se Lula for o vencedor, seriam 382.
Para aprovar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) são necessários 308 votos favoráveis.
Uma ressalva importante é que parte dos deputados eleitos do centrão tem um alinhamento maior com a direita (principalmente os eleitos pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste) ou a esquerda (os vitoriosos no Nordeste e Norte).
Isso significa que uma fidelidade completa é um cenário improvável, principalmente se o vencedor for Lula.
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Parte ou até mesmo todo o terreno perdido pode crescer com a adesão de deputados de partidos que não atingiram a cláusula de desempenho (regra que exige uma votação mínima pelo país para que a legenda continue a ter direito a propaganda eleitoral na TV e rádio e aos recursos do fundo partidário).
Ao todo, 34 deputados federais foram eleitos por essas legendas e, agora, poderão ir para outros partidos sem risco de perderem o mandato. PSOL /Rede, PRD/Solidariedade, PDT, Avante e o recém-criado Missão, de Renan Santos, não atingiram o mínimo exigido pela regra.
O PSD, partido de centro com tendência governista, também perdeu deputados. São 43 eleitos nas eleições deste ano contra 48 antes do pleito.
A sigla defende que cresceu em relação à eleição de 2022, quando elegeu 2022, e que também obteve um maior número de governos estaduais desta vez.
O MDB, também de centro, perdeu dois parlamentares no total, com a bancada passando de 38 para 36 deputados. O grupo mais forte representa o Nordeste, com peso de quase 40% dos eleitos.
É um grupo mais lulista, mas que também votou a favor das pautas do governo Jair Bolsonaro (PL).
No Senado, o PP perdeu dois senadores, passando de oito para seis. Entre os novos parlamentares está Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e identificado com o bolsonarismo.
No União Brasil, a bancada passou de três para cinco senadores, enquanto no Republicanos ela permaneceu estável, com seis senadores (e os eleitos reforçaram a tendência bolsonarista do partido no Senado, que destoa do grupo da Câmara, com maior adesão ao governo Lula).
Em resumo
Os partidos que compõem o centrão (União Brasil, PP e Republicanos) saíram menores das urnas em 2026 diante do avanço do PL na Câmara dos Deputados , mas ainda serão decisivos para o futuro governo aprovar reformas mais ambiciosas ou mesmo projetos de lei mais simples.
O grupo tinha 140 deputados antes das eleições e passará para 128 na próxima legislatura. Outras siglas de centro que costumam dar apoio legislativo a governos de distintas ideologias, como PSD e MDB , também perderão cadeiras a partir de 2027.
Esses partidos priorizam a eleição para deputado federal porque é ela que define quanto cada sigla receberá do fundo partidário e do fundo eleitoral, além de vitaminar os partidos com tempo de propaganda eleitoral na televisão e rádio.
No Senado , a bancada do centrão ficou do mesmo tamanho, com 17 senadores, mas o perfil mudou, tendendo mais para o bolsonarismo. Nesta terça (6), União Brasil e PP devem declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro ( PL ) à Presidência no segundo turno. O Republicanos ainda não decidiu se adere à campanha ou se permanece neutro, com parte de seus filiad
A federação entre União Brasil e PP, que hoje contabiliza 98 deputados federais, caiu para 87. O Republicanos do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), foi de 42 para 41.