Economia · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Chevron inicia pesquisa sísmica em blocos da Foz do Amazonas

Companhia começa levantamento em nove blocos adquiridos em 2025; atividade procura estruturas geológicas e não equivale a descoberta comercial.

Chevron inicia pesquisa sísmica em blocos da Foz do Amazonas
Mapa de levantamento sísmico na Bacia da Foz do Amazonas mostra blocos operados por Chevron, ExxonMobil e Petrobras. Imagem: Shearwater Geo.

A Chevron iniciou em setembro atividades de pesquisa sísmica em nove blocos que opera na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, após adquiri-los em consórcio com a chinesa CNPC no leilão de 2025. O levantamento, executado com apoio da SLB, procura mapear estruturas geológicas no subsolo marinho e ocorre a cerca de 130 quilômetros do poço Morpho, onde a Petrobras identificou hidrocarbonetos em agosto de 2026.

A sísmica usa ondas acústicas e sensores para formar imagens das camadas abaixo do fundo do mar. O resultado ajuda a decidir se existe alvo com potencial suficiente para justificar uma perfuração. Começar o levantamento não significa encontrar petróleo, comprovar reservas ou autorizar produção comercial.

A Bacia da Foz do Amazonas possui 28 blocos de concessão ativos, segundo o levantamento citado pela Folha. A Petrobras opera 11, a Chevron lidera nove com a CNPC e a ExxonMobil participa de cinco em parceria com a estatal brasileira. Outras empresas também mantêm posições na Margem Equatorial.

Descoberta da Petrobras aumentou interesse

A Petrobras informou em agosto ter encontrado indícios de petróleo leve e de boa qualidade no poço Morpho. O resultado foi preliminar: perfis e amostras indicaram hidrocarbonetos, mas testes adicionais são necessários para determinar volume, produtividade e viabilidade econômica. A estatal prevê novas etapas exploratórias a partir de 2027, sujeitas a licenciamento.

A atividade da Chevron é geograficamente próxima, mas ocorre em blocos distintos. Estruturas semelhantes podem se estender pela bacia, porém o sucesso de um poço não comprova a presença de acumulações comerciais nas áreas vizinhas. Cada prospecto precisa de interpretação sísmica, licença e perfuração própria.

No leilão de 2025, o consórcio liderado pela Chevron venceu nove blocos. Petrobras e ExxonMobil também adquiriram áreas. Os contratos preveem compromissos exploratórios e pagamentos à União, mas a passagem da exploração à produção depende de descobertas, declaração de comercialidade e plano aprovado pela ANP.

Atividade enfrenta escrutínio ambiental

A Margem Equatorial é apresentada pelo setor como fronteira capaz de repor reservas e sustentar investimentos após o pico do pré-sal. Governos locais esperam empregos, infraestrutura e arrecadação. Organizações ambientais alertam para biodiversidade sensível, correntes marinhas, resposta a acidentes e impactos sobre comunidades costeiras.

O licenciamento de perfurações considera modelagem de dispersão, capacidade de emergência e testes de resposta. Pesquisa sísmica também tem regras específicas, inclusive para monitorar fauna marinha. A licença de uma atividade não autoriza automaticamente todas as etapas seguintes.

Próximos passos dependem dos dados

Depois de processar o levantamento, a Chevron poderá selecionar alvos e decidir se pede autorização para perfurar. Esse processo pode levar meses e exige investimentos elevados. Se um poço encontrar hidrocarbonetos, ainda será preciso avaliar o reservatório e demonstrar que a produção pode ser técnica, econômica e ambientalmente viável.

O início da sísmica amplia a presença privada na Foz do Amazonas, mas a notícia deve ser lida como começo de uma fase de coleta de dados. A decisão que poderá gerar produção está adiante e envolve ANP, licenciamento ambiental, parceiros financeiros e resultados de perfuração que ainda não existem.

Levantamentos sísmicos produzem grande volume de dados que pode ser reprocessado com novas técnicas durante anos. As empresas combinam essas imagens com informações de poços e modelos geológicos. Mesmo assim, a única forma de confirmar o conteúdo de uma estrutura é perfurar, operação muito mais cara e sujeita a autorização ambiental específica.

O debate econômico inclui royalties, participações especiais e contratação local, mas receitas só surgem se houver produção. Na fase atual, os efeitos mais imediatos são contratação de navios, serviços geofísicos e apoio logístico. Projeções de riqueza futura devem deixar claras as incertezas técnicas e o longo intervalo entre pesquisa e primeiro óleo.

O mapa dos blocos mostra a proximidade entre concessões, não uma conexão subterrânea confirmada. Limites administrativos organizam direitos de exploração, enquanto reservatórios seguem formações geológicas que só podem ser delimitadas com dados. Essa diferença explica por que empresas investem em sísmica antes de escolher um ponto de perfuração.

Em resumo

O que a Chevron começou a fazer?

Pesquisa sísmica em nove blocos da Bacia da Foz do Amazonas.

A atividade já encontrou petróleo?

Não. A sísmica mapeia o subsolo e ajuda a selecionar alvos.

Quem participa dos blocos?

A Chevron opera os nove blocos em consórcio com a CNPC.

Onde fica a área?

Na costa do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas.

Qual é a relação com o poço Morpho?

A pesquisa ocorre a cerca de 130 km do poço onde a Petrobras identificou hidrocarbonetos.

Quando pode haver produção?

Somente após eventual descoberta, avaliação, licenciamento e aprovação de um plano de desenvolvimento.

Fontes