Ciclo de IA impulsiona projeção de lucros nos EUA
Estimativa para o terceiro trimestre aponta alta de 29,6% nos lucros do S&P 500, com tecnologia entre os setores que sustentam o avanço.

Os lucros das empresas que integram o S&P 500 devem crescer 29,6% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com igual período do ano passado. A estimativa divulgada em 9 de outubro coloca tecnologia e investimentos ligados à inteligência artificial entre os motores da temporada de balanços nos Estados Unidos.
O Poder360 noticiou a projeção, que aparece no relatório oficial Earnings Insight, da FactSet. O documento registra que 19 empresas do índice haviam apresentado resultados até 9 de outubro e deixa claro que o percentual ainda é uma estimativa, sujeita aos balanços que serão divulgados nas próximas semanas.
Se a taxa for confirmada, será o terceiro trimestre consecutivo com expansão superior a 25% e o oitavo seguido com crescimento de dois dígitos. A comparação também supera com folga as médias de aumento dos lucros observadas pela FactSet nos últimos cinco e dez anos, de 13,3% e 12,6%, respectivamente.
A projeção subiu de 29,2% no fim de setembro para 29,6% em pouco mais de uma semana. Entre as companhias que já haviam divulgado números, 84% superaram a estimativa média de lucro por ação. A amostra inicial, porém, é pequena diante das 500 empresas do índice e não autoriza tratar a previsão como resultado fechado.
Tecnologia sustenta parte do avanço
Todos os 11 setores do S&P 500 aparecem com expectativa de crescimento dos lucros. Cinco têm projeção de alta de dois dígitos, com energia, tecnologia da informação, serviços de comunicação e materiais entre os destaques apontados pela FactSet.
O avanço tecnológico está relacionado à corrida por chips, centros de dados, serviços de nuvem e infraestrutura para modelos de IA. Esses investimentos elevam a demanda em diferentes elos da cadeia, mas também concentram parcela relevante do crescimento em poucas empresas de grande valor de mercado.
A receita agregada do índice deve aumentar 12,4% no trimestre. Como o lucro é projetado para crescer mais do que o faturamento, o relatório sugere melhora de margens e efeitos de comparação favoráveis, além do desempenho operacional das companhias mais expostas ao ciclo de investimento tecnológico.
Resultados extraordinários também exigem atenção. Ganhos contábeis ou não operacionais podem ampliar o lucro líquido sem representar, na mesma proporção, crescimento recorrente das atividades principais. Por isso, receita, margem, fluxo de caixa e orientação para os próximos trimestres ajudam a separar expansão sustentável de efeitos pontuais.
Estimativa depende dos balanços
A própria FactSet calcula que a taxa final pode ficar acima da previsão inicial porque empresas norte-americanas costumam superar as estimativas dos analistas. Com base no padrão recente de surpresas positivas, o crescimento poderia ultrapassar 35%, mas essa hipótese não substitui os números efetivamente publicados.
A concentração ligada à IA produz uma leitura dupla. De um lado, o investimento em capacidade computacional sustenta pedidos, receitas e lucros. De outro, aumenta a dependência de gastos elevados e da capacidade futura de transformar infraestrutura em serviços rentáveis.
Para investidores e empresas brasileiras, o movimento influencia preços de ações, câmbio, custo de capital e decisões de investimento em tecnologia. Ainda assim, o S&P 500 representa grandes companhias dos Estados Unidos e não resume sozinho o desempenho da economia norte-americana ou global.
A temporada de resultados dirá quanto da expectativa já se tornou lucro realizado. Até a divulgação da maioria dos balanços, os 29,6% devem ser lidos como uma fotografia das projeções em 9 de outubro, não como um dado definitivo sobre o trimestre.
Em resumo
A FactSet estimava alta anual de 29,6% no terceiro trimestre de 2026 em relatório de 9 de outubro.
Não. Trata-se de uma estimativa que será revisada conforme as empresas divulgarem seus balanços.
Energia, tecnologia da informação, serviços de comunicação e materiais aparecem entre os principais destaques.
A demanda por chips, centros de dados, nuvem e capacidade computacional sustenta receitas em parte relevante do setor tecnológico.
Até 9 de outubro, 19 integrantes do S&P 500 haviam publicado seus números do trimestre.